by Ana

Um espaço para partilhar as "tolices" de cada dia, de uma forma descontraída, descomprometida e com algum sentido de humor. Only that.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Música

Cá estou eu de volta.
Depois de ler a proposta do ME para a avaliação e progressão da carreira docente, só me ocorre “postar” música. Algo que combine com o “estado de graça” que alguns alimentaram, ou, se preferirem, com a esperança que depositaram no novo elenco ministerial.
Lembrei-me de colocar a “Lusitana Paixão”, mas achei que esta música estaria mais adaptada ao “Guterrismo”. Veio-me à memória os “Ena Pá 20(09)”, porém está mais que visto que nada ficará resolvido em 2009. Pensei numa das minhas preferidas, “She”, afinal tudo depende de “She”. Mas não quis associar esta música que tanto estimo à proposta de um diploma legal. Os “Xutos e Pontapés” também seriam uma boa alternativa, mas, pelo que sei, o guitarrista está internado e com coisas sérias não se brinca.
Então, depois de muito matutar, lembrei-me da música clássica. O Requiem, de Mozart, por exemplo, mas isso pareceria de um pessimismo injustificável. Continuando na minha cogitação, recordei os meus tempos de Coimbra e as apaixonadas e entusiastas serenatas ao luar…
De imediato, visualizei o nº 107 da Av. 5 de Outubro, em Lisboa e os mui dignos dirigentes sindicais trajados a rigor, com as suas capas negras traçadas e a mão esquerda sobre o coração, devidamente ombreados, tal selecção nacional em jogo de Play Off, acompanhados à guitarra portuguesa e clássica, mas sem voz… que é coisa que os nossos representantes parecem não ter…. Não se conseguem fazer ouvir…(ou os destinatários da sua mensagem serão surdos???).
Depois de muito ponderar, avaliar e reflectir, escolhi a Sonata ao Luar, de Beethoven (que era surdo…). Que acham?

http://www.youtube.com/watch?v=vQVeaIHWWck

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

A "Classe" da classe docente



Olá!!
Como todos os leitores das coisas disparatadas que me vêm à cabeça e escrevo sabem, sou professora.
Durante o ano passado, correu tinta e mais tinta, gastou-se papel e solas de sapato, usaram-se os meios electrónicos e os tradicionais, encheram-se praças, fizeram-se cordões humanos para se gritar, lamentar, barafustar a situação a que a classe docente tinha chegado.
Lembro-me de ler emails onde se provava que o dia de um professor teria de ter muito mais de 24 horas e a semana de trabalho seria forçosamente um múltiplo de 35 (que não o próprio número, pois todos os números são múltiplos de si próprios, se bem me entendem…).
De facto as contas estavam certas, mas o que também foi verdade é que ainda se afirmou “Perdi os professores, mas ganhei a opinião pública”. Nada de mais sábio!!
E eu sei o porquê. Não sabem?? Ora vejam:
Eis que me encontro em “férias”. Os nossos petizes chegaram à sua merecida pausa lectiva e os professores, essa classe que tanto reclama, está de férias. Que "Classe"!!!!
Antes das ditas começarem, elaborei, meticulosamente, um plano de ocupação do tempo de ócio. Pensei em pôr em dia as actividades domésticas, actualizar-me em relação à produção cinematográfica, ler uns livros top de propaganda controversa e gratuita (que ora põem em causa a força da Divina, ora lhe atribuem uma fúria capaz de destruir o universo); assistir a um ou dois concertos, tratar de papeladas e burocracias ligadas à minha condição de funcionária pública, (como por exemplo ver por onde param os meus recibos enviados há meses para a ADSE). Ah!, claro que ainda previ o tempo destinado à consoada e dia de Natal, assim como à despedida de 2009 e entrada em 2010.
Com alguma sorte, ainda me sobraria tempo para dar uma olhadela nos saldos.
É preciso ter sorte, não é? Mais, é preciso ter "Classe"!!
Mas não é que os meus planos saíram todos furados??!!
Ora essa!! Só pode ter sido desorganização da minha parte!! Duas semaninhas de férias...
Pois é, pois é. Tirando o dia 24 de Dezembro, em que foi decretada tolerância de ponto para todos os funcionários públicos, o Dia de Natal e o fim de semana que se lhe seguiu, estive sempre ao serviço da escola! Que professora, que vício,... que obsessão!!
Não liguem, não sou exemplo para ninguém.
A culpa é mesmo minha. Minha e de mais uns 100 mil docentes que não sabem gerir o seu tempo, como aqueles que fazem parte dos órgãos de gestão (agora chamados direcção), os directores de turma, os coordenadores de departamento, os docentes da educação especial, os dos projectos e os da avaliação interna, os ex-titulares, os só ex-professores, os contratados, os probatórios, enfim… os professores.
Porquê?
Ora, que pergunta!! Têm a mania que são bons! Não dispensam os papéis, as actas, as planificações, os planos educativos individuais, os PCTs e respectiva avaliação, o balanço dos conteúdos leccionados e por leccionar, os planos de recuperação, os de acompanhamento, respectiva apreciação e reformulação, as avaliações dos Planos da Matemática e do Português, as minuciosas, circunstanciadas e pormenorizadas justificações do óbvio, claro e por demasiado evidente.
Enfim, cismas extravagantes de uma classe que tem "Classe".

domingo, 27 de dezembro de 2009

Julieta dos Espíritos

Hoje quero dar-vos a conhecer uma recente amiga minha.
Chama-se Julieta, não sei muito bem que idade lhe darei, mas dizem que nasceu há 14 anos.
Para mim, a Julieta é um exemplo de sobrevivência, adaptação e afirmação.
Há uns anos atrás foi-lhe diagnosticado um cancro num membro locomotor, pelo que teve de ser amputada. Mas isso em nada lhe retirou a sua beleza, a rebeldia que a caracteriza e o seu modo independente de estar no mundo.
Afirma-se tal como é, com orgulho e mesmo muita altivez. Quando se sente atacada, mesmo que por um “mimo” mais descuidado, defende-se com garras de leão e dentes de Pitbull, da mesma forma que, quando se sente à vontade, ora se enrosca num sofá, ora se esparracha diante do aquecedor.
Para terem uma ideia da sua maneira de ser e estar, sai de casa e vagueia pelas ruas do bairro onde mora desde que nasceu, até altas horas, por vezes de um dia para o outro. Como não tem habilidade ou algum jeito para abrir a porta do prédio ou tocar a campainha, fica junta desta esperando que algum morador entre, para aproveitar a “boleia”.
Aconteceu exactamente isto no dia de Natal. Aproveitou a confusão da saída das visitas de pois do jantar e lá se esgueirou, sorrateiramente, pela porta, sem ninguém dar por ela. Apareceu no dia seguinte, de manhã, esfomeada, mas toda feliz da vida.
Para caracterizar devidamente esta minha amiga, só me falta dizer que a Julieta é uma gata, não por ser linda, mas por pertencer mesmo ao mundo dos felinos. Neste caso, é uma gata ao quadrado.
Pois é, aqui está um exemplo vivo, retirado do chamado “mundo animal”, de adaptação, de sobrevivência, de como é sempre possível continuar…

Um beijinho para ti, Julieta


sábado, 26 de dezembro de 2009

The day after


Pronto, já passou mais um Natal.
Sem desmerecer a reunião da família, sinto este dia de uma forma estranha. Parece que o balão que fomos enchendo, enchendo, durante quase dois meses, foi alvo de uma alfinetada e ... puff, esvaziou-se.
A árvore de Natal deixou de ter a seus pés os embrulhos coloridos e laçarotes, que lhe conferiam aquela aura de mistério... (o que será? para quem será?). Os telemóveis deixaram de apitar freneticamente, com mensagens de boas festas, das mais variadas formas e para todos os gostos. A caixa de email deixou de acusar a recepção de quinhentas mil pesadas mensagens por abrir, acompanhadas das respectivas apresentações em PPT, que, com um clique do rato, acendiam uma luz na ponte ou faziam o Pai Natal entrar pela chaminé.
Parece que o mundo descansou, não ao sétimo, mas para aí ao sexagésimo dia depois do comércio ter aberto oficialmente, com toda a pompa e circunstância, a época do corre-corre.
Mas nem tudo está a salvo.
No que me diz respeito, ainda me resta uma casa para arrumar, a loicinha de "Ver a Deus" para guardar (até para o ano!), a cozinha para limpar, um frigorífico para organizar, e devidamente compartimentar em secções de "restos", as toalhinhas de linho para mandar limpar, o lixo orgânico para depositar num contentor, o papel de (des)embrulho no ecoponto respectivo e, finalmente, terei algum tempo para dedicar à leitura dos livros que recebi.
Ah!! ainda não posso ter esse privilégio. Há as aulinhas para preparar, pois só o ano civil termina para a semana e o lectivo continua, continua, continua.... (mas sem pilhas duracel!). Sabe-se lá com que novidades natalícias...

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Quem faz o Natal


Na senda da narração dos Natais da minha infância, lembrei-me de um LP ( - LongPlay - ainda sabem o que isso é?) que surgiu por volta de 1977, com músicas de Natal diferentes daquelas mais tradicionais e que ainda hoje ouvimos em todo lado onde se pretende “apelar” ao espírito (consumista) desta quadra.
Recordo-me de o ouvir vezes e vezes sem conta e de cantarolar as músicas com a minha irmã. O LP, que era uma verdadeira homenagem aos obreiros do Natal, chamava-se “Operários do Natal” e tinha textos do Ary dos Santos e do Joaquim Pessoa, cantados pelo Carlos Mendes, Paulo de Carvalho e Fernando Tordo) .
Nunca mais o ouvi, mas aqui fica o link para os mais curiosos. Uma delícia!!
http://operariosdonatal.com.sapo.pt/menu.html

Os amigos (uma das músicas que ainda recordo)

Quem faz o Natal para todos nós?
São os amigos
Quem nos dá prazer e dá calor?
São os amigos
A quem é que damos a ternura?
É aos amigos
A quem é que damos o melhor?
É aos amigos
Os amigos são o nosso bolo de Natal
Cada amigo nosso vale mais que um Pai Natal
É um irmão nosso que trabalha no Natal
E com suas mãos faz a diferença do Natal
O dinheiro pouco importa
O que importa é a verdade
E a prenda mais valiosa
É a prenda da amizade
Quem faz das tristezas forças
E das forças alegrias
Constrói à força de Amor
Um Natal todos os dias.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Natal


Não quero parecer lamechas nem demasiado nostálgica, mas hoje, ao ver os meus sobrinhitos, lembrei-me de quando eu e a minha irmã tínhamos a idade deles e como vivíamos o Natal.
Era uma época muito diferente dos dias de hoje; as celebrações de Natal limitavam-se no tempo e no espaço. Não começavam quase dois meses antes, com a imensidão de lâmpadas de todas as cores nas árvores; não víamos casas transformadas em autênticas centrais eléctricas; ninguém imaginaria colocar um Pai Natal a subir por uma varanda.
A festa era dentro de casa de cada um, a casa da família, do patriarca ou do filho varão que congregava à sua volta as várias gerações de membros daquela família.
Tínhamos um pinheiro verdadeiro (ai, a consciência ecológica de então!) até ao tecto, no canto da sala. Olhando para trás, aquilo é que se podia chamar uma verdadeira árvore de natal! Não por ser real, mas pelo profusão de fitas metálicas de todas as cores, de bolas de vidro que espelhavam as mesmas fitas, de gambiarras arco-íris e de chocolates de várias formas, mas sempre alusivos ao Natal.
Quem não se lembra dos chocolates em forma de Pai Natal, embrulhados naquele papel de alumínio vermelho e prateado? O número de chocolates que resistia pendurado na árvore até à noite da consoada variava, de ano para ano, mas a sua presença era insubstituível.
Recordo a azáfama que se vivia na loja da minha avó. As couves portuguesas eram encomendadas com semanas de antecedência! Troncudas e tenras, ao mesmo tempo, para acompanhar o convidado de honra, o bacalhau, claro está!
Para além das couves e do bacalhau, creio que nada mais era encomendado, tudo era feito em casa, com esmero e dedicação e sempre com aquelas receitas que vinham desde as nossas bisavós e passavam de geração em geração.
Os tempos foram evoluindo e lembro-me de ver começar a fazer parte da mesa de Natal o “Tronco”, uma torta de pão de , recheada de doce de ovos e coberta com chocolate. Depois veio a “Lampreia de ovos” e assim sucessivamente, até se chegar ao camarão, aos patés, às tábuas de queijos e enchidos….enfim, sinais dos tempos …
Mas o ponto alto era a chegada do Pai Natal!!! E ele veio anos e anos a fio!! Sempre com a mesma sonora gargalhada, anunciava a sua chegada. Eu e a minha irmã sabíamos então que era hora de esconder as nossas cabecitas no imenso e caloroso colo do meu avô paterno, o avô João, enquanto o Pai Natal descia pela chaminé e colocava as prendas nas botas, sapatos, pantufas, meias e demais apetrechos que servissem para colocar nos pés.
Fazia-se magia! Era um momento mágico. Pontual. Às doze badaladas, lá se ouvia o OHOHO!!!
Curioso, a minha avó Elvira nunca estava na sala quando o Pai Natal chegava, mas isso não retirava, em nada, o encanto e a fascinação daquele momento único.
Quanto às prendas que recebíamos... Deixo para outra altura a descrição da emoção com que desembrulhávamos aqueles “mimos”, assim como a forma que arranjámos para descobrir de onde vinha aquele OHOHO.
Nestes últimos anos, tenho tentado manter este clima de magia com os meus sobrinhos. Enquanto o Pai Natal não chega, eu, o João e o Pedro reunimo-nos e estudamos as mil e uma estratégias possíveis de o prender , por uns momentos, lá em casa.
Um destes anos nevava em Bruxelas e os três, com os olhos pregados à janela e atentos a todos os movimentos suspeitos, vimos passar as renas e o trenó! Acreditem, vimos mesmo!!! O João, com 5 anos na altura, apressou-se a colocar junto da porta de entrada uma fatia de bolo rei e um cálice de vinho do Porto, para que o Pai Natal fosse bem recebido! (cá para mim este meu sobrinho tem jeito para a política… começou muito cedo a dominar a prática do suborno).
Mas teve pouca sorte, o Pai Natal tinha a chave da porta, entrou e só soltou a sua gargalhada quando saiu. Quanto ao bolo rei e ao vinho do Porto, nem tocou. Que desiludido o João ficou!!
E assim, tal como as receitas das rabanadas e dos sonhos, também esta receita de magia vai passando de geração em geração, com algumas adaptações aos tempos modernos, claro está… as casas já não têm chaminé e o Pai Natal não é adepto de exaustores.


Feliz Natal para todos vós!!

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

“Cresce e (des)Aparece vs Tolerância Zero"





Nada mais complicado do que chegar à essência das coisas simples.
Há um tempo para crescer, amadurecer, desenvolver e tomar consciência do que somos, de quem somos e de como somos. Apercerbermo-nos das diferenças e das semelhanças; conhecermo-nos a nós e os outros.
A nossa personalidade vai surgindo como fruto das nossas vivências, da nossa socialização e, quiça, do nosso património genético.
Porém, hoje, além do QI valoriza-se cada vez mais o QE, fala-se em inteligência emocional, certamente uma consequência da teoria das inteligências múltiplas, que justificam o comportamento humano.
Assim, tudo está devidamente compartimentado, formatado, encaixado... Quem sai fora dos padrões estabelecidos, dos limites do comum, obrigatoriamente traduz perturbações ao nível emocional, imaturidade, inadequação, esquizofrenia, catatonia mais um sem número de vocábulos pertencentes ao complexo e poderoso léxico científico, capaz de catalogar qualquer ser que se apresente como um desvio à norma.
Em tempos idos, quando alguém apresentava uma ideia ou um comportamento diferente do comummente aceitável, dizia-se, em jeito de conclusão e com uma palmada nas costas: “Cresce e aparece”.
Hoje, analisa-se o QE, vasculha-se a infância, pesquisam-se, minuciosamente, as disfunções familiares, afere-se a motricidade fina, mede-se o grau de integração e interacção com os animais de estimação, analisa-se a dieta alimentar, anota-se as horas dedicadas sono, ... Depois de encaixar devidamente a personalidade desviante numa patologia psicossomática de renome, prescrevem-se os ácidos, as bases , os sais e outros utilizados em situações tais; manda-se vir o psicólogo mais o psicanalista; chama-se o terapeuta da fala e o sociólogo; recomenda-se o fisioterapeuta e o padre. Fala-se com o professor, o pai, a mãe e já agora a parteira que atestará o parto complicado. Cria-se a chamada “equipa multidisciplinar” cujo próprio nome indica, servirá para disciplinar a personalidade indisciplinada. Já não se diz cresce e aparece. Agora somos TOLERANTES!!


“A delícia de ser compreendido, não a pode ter quem se quer ver compreendido, porque só aos complexos e incompreendidos isso acontece; e os outros, os simples, aqueles que os outros podem compreender - esses nunca têm o desejo de serem compreendidos.”
Fernando Pessoa in Livro do Desassossego

domingo, 20 de dezembro de 2009

Pelo sonho é que vamos


Uma colega e grande amiga minha há uns bons pares de anos atrás, mais concretamente em Junho de 2002, decidiu deixar de fazer parte da equipa que geria a nossa escola. Para além de minha grande amiga, era também o "braço direito, perna, tronco", tudo. Bastava um olhar para nos entendermos... e ela entendia-me tão bem, que no dia da despedida, ofereceu-me este poema, que agora partilho convosco.




Pelo sonho é que vamos


Pelo sonho é que vamos,comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não haja frutos,pelo sonho é que vamos.
Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquiloque talvez não teremos.
Basta que a alma demos,com a mesma alegria,ao que desconhecemose ao que é do dia a dia.

Chegamos? Não chegamos?
Partimos. Vamos. Somos.


(Sebastião da Gama)


Como ela me conhecia (e conhece) bem)!!




sábado, 19 de dezembro de 2009

e-escolas







Já vos dei conta do meu martírio com a placa de banda larga da Kanguru. Quase que ficava sem PC e net… nem vê-la.
Pois, vencida pelo cansaço, decidi seguir as orientações do serviço telefónico, depois de me assegurar que o problema não era do meu PC e dirigi-me à loja Optimus mais próximo, que por acaso fica só do outro lado do rio, no Vasco da Gama. Enfrentei as filas imensas de carros, os magotes de gente e a confusão própria de um sábado quase véspera de Natal, num Centro Comercial onde parece que “desaguam” metade dos transportes públicos que servem a capital.
“Bom dia (que fica sempre bem), o meu problema é muito simples. A minha placa de banda larga está avariada e vim até cá para pedir a sua reparação e um equipamento de substituição, uma vez que o e-escolas obriga a uma fidelização de três anos, quer use quer não use os serviços.”
Clara, simples e concisa, certo?
O colaborador da Optimus que me atendeu, bastante simpático, deixou-me falar, gesticular, afirmar a minha condição de cliente e exigir os meus (supostos) direitos e sempre com um sorriso nos lábios e com uma voz calma, pausada e suave, disse:
“Minha senhora, aqui não temos assistência técnica. Terá de se dirigir a Alfragide.”
Alfragide?? Mas isso é aonde?? Já venho do Montijo e ainda tenho de ir para não sei onde?
“Podemos ser nós a mandar a placa para reparação. Demora de 3 a 4 semanas. Mas necessitamos do comprovativo da venda do equipamento.”
(OK. Sei que sou algo organizada, mas onde pára a factura do e-escolas? Até enviaram o equipamento para casa!!!, pensei)
Pois, não tenho factura, nem sei muito bem onde a poderei encontrar. E durante o tempo da reparação, fornecem-me equipamento de substituição?
“Ah, pois, isso não é possível, de momento está esgotado”.
Deixe-me ver se percebi bem: Não tenho equipamento porque o mesmo avariou, dentro do período da garantia; estou vinculada a um contrato de três anos, durante o qual tenho de pagar o serviço; não usufruo do serviço porque os senhores não têm equipamento de substituição. É isto?
“Sim, basicamente é isso. Mas pode comprar uma nova drive, por 39,90€ e continuar a usar o seu cartão.”
E o preço da nova drive deduz na mensalidade ?
“Não, é uma coisa independente.”
Certo. Então quero uma drive nova e o livro de reclamações.
Com o mesmo sorriso, a mesma voz afável e postura solicita, o colaborador da Optimus, deu-me o livro, que tinha datado de Setembro de 2009 o termo de abertura e estava a poucas (diria mesmo uma ou duas) páginas do fim… (sinais…)
Redigi a reclamação, paguei, com um sorriso aberto e uma voz cordial desejei bom fim de semana e saí.
Ora, feitas as contas, não contando com o arranjo do PC, foi o gasóleo, as portagens, o parque de estacionamento do Vasco da Gama e a nova pen. Tudo por um equipamento a que estou vinculada por três anos e ainda está dentro da garantia!! Ainda há quem não acredite no Pai Natal!! Com franqueza!
No caminho de regresso, pensei: Será a isto que chamam “Choque tecnológico”?
Lá que foi choque (ante), disso não restam dúvidas…

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Dia NÃO


Ontem não vos disse que estava triste?
E estava mesmo. Cansada, extenuada, saí da escola tardíssimo. Cheguei a casa com aquele ar de cãozinho abandonado e corri para o meu PC (eu, computo-dependente, me confesso) almejando por boas novas ou mesmo por um daqueles e-mails que dão quinhentas mil voltas ao mundo, sobre o nosso 1º , a nossa ex dama de ferro, a gripe A ou a diferença entre o homem e a mulher, mas nos fazem rir, descontrair e, por vezes, reflectir. Mas o dia era mesmo um dia não e….Zás!!! A net não funcionava!!
Não me dei por vencida. Reiniciei o PC, mudei a placa de banda larga de drive, ora uma, ora outra; mudei de cabo. Cabo curto, cabo longo, cabo simples, cabo duplo. Rendida à minha ineptidão para estas lides informáticas, contactei os serviços do operador.
Depois de digitar uma serie de algarismos no atendimento automático, lá me atendeu uma voz masculina, simpática, a qual, ao ter ouvido de “rajada” a descrição do meu enorme tormento, me perguntou, calmamente: “Tenho o prazer de estar a falar com…?” Ah! Pois, a apresentação, como isso fosse contribuir para a resolução do meu problema (pensando bem… se tivesse um apelido sonoro… we never know).
Então lá começou o teste:
“Então boa noite, minha senhora (para que quis saber o nome???).Ligue o PC à corrente”. Está ligado.
“Agora vá a um ícone que parece uma pilha, junto do relógio e carregue nele” Já fiz.
“Defina para alto desempenho”. Já defini.
“Agora carregue como rato fora do quadro para ele fechar. Remova a placa de banda larga, com segurança…”. Um puxão e pronto (sem segurança alguma, pois por esta altura nem EU estava em segurança). Já está!
“Introduza a placa noutra entrada USB” . Já introduzi.
“ Que sinal deu o PC?” Nenhum!!
“OK!. Vamos tentar de outra forma. Vá ao menu iniciar.” Sim, já estou lá.
“Clique em Computador”. Já cliquei.
“Que aparece? Aparece o ícone do Kanguru?” Não!!!
“ Bom, então remova a placa, com segurança (!), dessa entrada USB.” Outro puxão… Já está.
“Reinicie o computador com a placa colocada noutra entrada” . Está bem.
“E agora?Identificou a placa?” Não!!
“Pois bem, minha senhora, já fizemos tudo o que podia ser feito” ( e que, diga-se de passagem, eu já tinha feito antes). Sugiro que se dirija a uma loja Optimus e experimente a sua placa. Pode ser avaria desta ou do PC… Quantos anos tem o PC?” Dois anos.
“Perguntava isto para saber se ainda estava na garantia… se não for problema da placa, o melhor deverá ser comprar um PC novo!!!”. Ah!! Um PC novo…
“Posso ser-lhe útil em mais alguma coisa, minha senhora?” Não, é tudo. Muito obrigada.
“Muito obrigada e disponha sempre. A Optimus e a Kanguru desejam-lhe umas boas festas”. (E um PC novo…)
Teria sido óptimo e bem mais inteligente da minha parte, se me tivesse ficado por estes votos de boas festas! Mas não… sou teeiimoossaaa!! Que raio de mulher sou eu que não consigo resolver este problemazito.
Pensando, pensando, olhando para o bicho, de um lado, do outro e de frente, “…tinha um ar de um chip nada transparente..”. Apeteceu-me experimentar a limpeza do chip com um pouco do meu ar expirado, limpando o excesso de humidade ao meu roupão. E nada.
Pressionei a placa de perfil, de frente, esfreguei, dei-lhe lustro, liguei e desliguei… e novamente, silêncio.
Por fim, pensei que talvez a drive de leitor de cartões fosse a solução. Retirei o chip da placa e introduzi-o na dita drive. Como estava difícil de entrar, recorri ao meu estojo de manicure, peguei na lima das unhas e vá de empurrar, na esperança de ouvir o som de reconhecimento. Rien. Decidi passar a objectos mais convincentes – o X-acto – vá de empurrar, de ajustar à drive…o silêncio mantinha-se, o desejado ícone não aparecia…Vencida, mas não convencida.
Bom, restava-me a operação inversa, retirar o chip.
Apercebi-me, então, que tinha conseguido meter o Rossio na Betesga, o chip era maior do que a drive do leitor de cartões!!! E agora? Agora? Agora computador para a assistência técnica, adeus net por uns tempos e com sorte, ainda ficarei com o PC, já fora da garantia, sem leitor de cartões, o qual ficou irremediavelmente danificado com tanto “mimo”.
Mas tentei, pelo menos tentei!

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009




Estou triste, ando triste.
Um destes dias invernosos e durante um chá de velhas e boas amigas, uma delas olhou para mim e disse “parece que estás mais magra.”
Ora que felicidade!!! Se realmente aquela observação fosse uma análise real, sentida... Respondi que não, que estaria, talvez, mais cansada.
Como que se de repente lhe tivesse feito luz, replicou “Abatida! Sim, é isso, estás mais abatida. Nota-se no teu olhar.”
Não tenho escapatória possível. Os meus olhos…. Os meus olhos são o verdadeiro espelho da minha alma. Até posso tentar dissimular com um sorriso, uma piadola, … mas os olhos, esses … contradizem qualquer tentativa de despiste, não mentem, não disfarçam o indisfarçável, não camuflam o sentimento que me vai na alma, não pactuam com o desejo de iludir a tristeza, o ensimesmamento em que me fechei.
“Pois… é o trabalho que se avoluma nesta altura do ano.”
Recuso a expressão “é o trabalho que se acumula”, pois sempre me autodisciplinei de modo a não ter trabalho acumulado, com honrosa excepção para as lides domésticas….
Uma desculpa. Penso que a desculpa mais universal de todas as desculpas, aquela evasiva que todos utilizamos quando algo não corre realmente bem ou como desejaríamos. Serve para tudo. Panaceia universalmente aceite e utilizada para justificar o nosso mal-estar.
“É o trabalho, sabes? É o stress. Os testes para corrigir, as avaliações para fazer, os processos, o Estatuto da Carreira que nos deixa numa angústia impossível de avaliar; os normativos e as determinações superiores. É esta época do ano que nos traz cansados, já por natureza. É o Natal e a festa da família…”
Família. A que escolhemos? Não, a que foi determinada pelo destino, por uma combinação de factores, coincidências ou não, fruto de encontros e desencontros dos quais resultámos e que nos ligam a um património genético, combinação cromossómica em que a adenina, a timina, a guanina, e a citosina se combinam formando aquele célebre modelo de dupla hélice do DNA. Esta é uma das nossas famílias.
A outra nada tem a ver com património genético; a que escolhemos de facto. Dá pelo nome de amigos e são eles, muitas vezes, a nossa bengala psicológica, aqueles com quem nos identificamos e connosco se identificam; os que nos compreendem sem ter por base a obrigação que os laços genéticos impõem. Geralmente, são menos numerosos do que os outros familiares, mas igualmente importantes. Não importa se os vemos muito ou pouco, se os mantemos com a nossa presença assídua ou com um esporádico e-mail, se lhes damos uma resposta mais cáustica ou se os brindamos com o nosso melhor sorriso. Importa e interessa, isso sim, que estão sempre lá. E sabem que mais? Por vezes, basta um olhar ou um olá, um post colocado no blog ou uma frase menos feliz no MSN. Nem sempre estamos, mas sabemos quando é preciso estar; poucas vezes falamos, mas pressentimos quando é necessário falar. Basta um olá. Um oi, como se usa agora e lá estão eles, prontos a comemorar a vida que nos uniu, prontos a fazer Natal.
Para esta “família”, Natal é sempre… sempre e outra vez sempre.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Foi você que pediu um Ferrari?




Vivemos anos a fio cultivando um modus vivendi muito próprio, desenvolvendo hábitos mais ou menos excêntricos, com um grau maior ou menor de requinte, mas que se foram enraizando e tornaram parte do nosso EU.
Cada época marca um estilo, uma posição, a confirmação de como cada um de nós se foi/vai moldando à sociedade de consumo, à ilusão e ao culto da aparência.
Chega o Natal, melhor dizendo, chega Novembro e começamos a pensar no Natal. Desde a decoração para casa, que se quer luminosa, aos presentes para os colegas e amigos, os filhos e enteados, os pais e as madrastas, o namorado(a) e os sogros, o cunhado, o genro, o primo do cunhado onde pensamos passar a consoada, mais os filhos deste, os nossos animais de estimação, que não podem ser esquecidos… São ainda os jantares e os lanches de Natal, com os colegas de trabalho e os amigos de todo o ano; são os restaurantes repletos de festejos e as pastelarias alertando que só aceitam encomendas até uma semana antes da grande noite.
Uma semana depois do Natal, a Passagem do Ano, ou Reveillon, ocupa as páginas centrais de todos os jornais, com óptimas ofertas de estadas com jantar e ceia de gala. E temos variedade… Temos a Serra (da Estrela), ou a Ilha (da Madeira); temos a costa (algarvia) ou o nordeste (Brasileiro). Temos uma parafernália de ofertas para todos os gostos para todas as bolsas.
Já as montras dos pronto a vestir se enchem de glamour, de lantejoulas e strass, de plumas e rendas, de preto e prata, de dourados e prateados.

Passa o Natal e a Passagem do Ano e mergulhamos a fundo na época dos saldos. Provavelmente até não precisamos daquele casaco “mas já viste o preço??? 70% de desconto. Vale mesmo a pena. Pura caxemira debruada a vison. Uma pechincha”, nem que seja para o deixar pendurado no armário até termos uma oportunidade para o vestir (mostrar...).
E já repararam nos electrodomésticos?? Fabulosos a 10X sem juros? Que tal a Bimbi que faz sopas fabulosas, ou uma Nespresso que até faz o S. Pedro negociar com o George Cloney?
Um LCD de alta definição para o quarto, agora que os preços baixaram, após o Natal “é de aproveitar a facilidade de pagamento”.
Mais um PC para os miúdos, com uma boa placa gráfica e uma superligação à net. Ainda traz mais de uma centena de canais generalistas e não generalistas, do desporto à ciência, do esoterismo à história, só por mais uns eurozitos por mês.
E lá chega o Carnaval. Em Veneza, pois claro… também se paga em 12x sem juros. “Não viste aquela publicidade sobre aquela instituição de crédito, que te dá a aprovação on-line em menos de 15 minutos?”. E já agora damos um pulinho a Paris e mostramos a Disneylândia aos putos. “Boa ideia . Mas talvez umas férias na neve, com aulas de sky, fatos e equipamento a gosto…" Ora aí está uma ideia admirável… afinal, Veneza está lá durante o ano todo e a neve vai-se…
E chega-se das férias de Carnaval, com um bronze de fazer inveja aos militantes do Carnaval de Ovar.
Entra-se no período da Quaresma e imediatamente a Páscoa começa a encher o nosso imaginário. As mini-férias ou, um pouco mais arrojado, um carro novo. “Afinal até temos incentivos fiscais para comprar um carro novinho. É de aproveitar, este já começa a acusar os seus 5 anos de vida, as inspecções anuais, as correias, os pneus, etc..”
Bom, mas a comprar que seja um carro! “Ar condicionado, estofos em pele, comandos do volante, telefone alta-voz”, … e se vier com um Ambrósio e uns Ferrero Rocher ainda melhor.Chega a bomba que aproveitamos para rodar por essa Europa fora, durante as férias do Verão.
“Um cruzeiro aos fiordes sempre foi o nosso sonho, lembras-te?”. Já que cá estamos é de aproveitar.
Os cartões de crédito dourados e agora os novíssimos platinados, aguentam o valor desta moeda, que até pode ser Euro mas é certamente bem mais pesada que o Euro português. “E em Roma sê-se romano. “ Não nos podemos esquecer dos souvenirs para o pessoal lá do trabalho, para os vizinhos que nos ficaram com os gatos, para os amigos mais chegados” e, que “excelente ideia, se levássemos já a prenda de aniversário da sobrinha do cunhado do vizinho do 1º esquerdo!! Afinal lá não há nada disto. Qual globalização qual quê!! “.
Altura de rumar a casa… “Este ano, o Natal, vai ser onde? “
Mas ainda faltam quase quatro meses!!! “Mas temos de começar a pensar nisso. O velho pinheiro tem de ser substituido, por um daqueles até ao tecto e com as iluminações já incorporadas, as bolas estão a perder o seu brilho e o presépio…. Coitado, esse precisa mesmo de substituir o Menino Jesus. O Pompom roeu-o no Natal passado, lembras-te?” “ Ah, e este ano temos mais um membro na família, devíamos comprar uma baixela nova e renovar os sofás.Que achas?”

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

A não perder


Gosto de música dita clássica.
Ao mesmo tempo que é intemporal, tanto nos transporta ao glamour de outras épocas, com as valsas de Strauss, como às grandes batalhas que se travaram por essa Europa fora, ao ouvir, por exemplo, a Sinfonia nº3 de Beethoven, chamada de Heróica pois esteve quase a ser dedicada a Napoleão e suas vitórias.(!!)
Quem não conhece o famoso “tam tam tam tam” , a mais famosa combinação rítmica de apenas quatro notas musicais, que abrem a 5ª Sinfonia (também conhecida como a Sinfonia do Destino)? Ou ainda não cantarolou o Hino à Alegria, (Ode à Alegria), ultimo movimento da 9ª Sinfonia, também de Beethoven, adoptado pela União Europeia como seu Hino?
Perdoem-me estar tão beethoveniana, mas acabei de ler o livro “ A Décima Sinfonia” e, como tal, tenho a obra deste “surdo de Bona”, como era conhecido na sua época, muito presente na minha memória.
Na próxima 6ªfeira, dia 18 de Dezembro, no velhinho mas recuperado Cine Teatro Joaquim de Almeida, esse ícone da cidade de Montijo, terá lugar um concerto pela Orquestra Académica Metropolitana, cujo repertório nos deixa embalar pelos acordes de Haydn, e o seu “classicismo vienense", e os sons de Wagner e Shumman, dois expoentes do romantismo.
Não querendo desmerecer os outros compositores, Wagner foi compositor, maestro, teórico musical, ensaista e poeta, tendo escrito o libreto de todas as suas óperas.
Por outro lado, Franz Joseph Haydn , Wolfgang Amadeus Mozart e Ludwig van Beethoven, compositores clássicos, ficaram conhecidos para a posteridade como "Trindade Vienense"
A não peder, CTJA, dia 18 de Dezembro.
Preço do bilhete: 5€

Prazeres


Eu, dorminhoca, me confesso


Um dos poucos prazeres que tenho na vida e que ainda não me foram negados, por ordens médicas, é dormir.

Desde sempre… adoro dormir. Quem se atreve a importunar as minhas 8/9 horas de sono por noite, bem pode aturar a minha irascibilidade no dia seguinte. Dizem, tenho um péssimo acordar (pudera, despertar-me de um dos poucos prazeres…). Não se trata de um capricho destinado a manter a beleza inata da minha pele sardenta; nada tem a ver com o repor de baterias, tão pouco com um comportamento depressivo, e não, não se trata de uma alentejanisse, pois embora adore e admire aquela província (ainda existem províncias?), o meu gosto por dormir é muito meu, vem de mim e de tempos imemoriais.

Confesso que em muitas ocasiões me senti constrangida e obrigada a desculpar-me com isto ou aquilo. Era o funcionamento renal ou uma noite mal dormida; era o cansaço acumulado ou uma gripe iminente; era tudo o que justificasse uns minutos extra-norma dentro dos lençóis, pois sentia-me encabulada pelo facto de gostar tanto de dormir.

Mas que coisa!!! Teremos nós de justificar todos os nossos pequenos prazeres, mortais ou imortais? Será sempre necessário dar uma explicação para todo e qualquer desvio à regra? São os quiilinhos a mais, é o colesterol que dispara, é a ruguinha malvada que aparece, é o cabelo branco que surge num mar de cabelos azeviche, é a roupa mais leve que usamos ou os sapatos mais altos que gostamos, é,… é, somos!! Somos nós e as nossas circunstâncias, não é?

Mas para os que ainda não tiveram oportunidade de ler as boas novas, embora durmam pouco, aqui ficam os resultados de um recente estudo (não de nenhuma faculdade alentejana): "...Dormir diminui os riscos de doença cardíaca e de acidentes de trabalho, aumenta a produtividade e está de acordo com a mãe-natureza…”

Parece mesmo que só as formigas é que não dormem, mas também não pensam…Portanto, mais do que um prazer, para mim dormir é uma necessidade absoluta e da qual não abdico. Aliás, já dizia o poeta : “ O sonho comanda a vida” ...e quem não dorme não sonha, não é?


P.S.: Creio que o estudo foi publicado por uma conceituada Universidade Andaluza.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Hypatia

Salvo raríssimas e honrosas excepções, habituámo-nos ou fomos habituados a ouvir História no masculino.

A minha formação não é em História, Humanidades ou Literaturas. Sou, como se costuma dizer, uma mulher da Ciência (não que as Humanidades não sejam uma Ciência), mas pertenço ao ramo da ciência pura e dura, dos algarismos e das fórmulas químicas, das leis e dos axiomas, das sínteses e destilações.

No entanto, sempre fui uma apaixonada pela História. Deslumbra-me “viver" cada segundo que outros já vivenciaram; entender o que somos, porque o somos e o que nos fez chegar até aqui. Conhecer o passado para entender o presente, no fundo, é tão somente isso.

Hoje fui ver um filme, recentemente estreado: “Ágora”.

Recriando o Egipto do séc. IV, sob o poder do Império Romano, Ágora retrata, em simultâneo, a vida de Alexandria, com a sua mítica biblioteca e a toda a sabedoria do antigo mundo, os conflitos sociais de uma época na fronteira entre Paganismo e o Cristianismo e, ao mesmo tempo, dá-nos a conhecer uma personagem que eu desconhecia por completo: Hypatia.

E quem foi Hypatia? Hypatia foi uma mulher dotada de uma forte paixão pela busca do conhecimento e da verdade. Uma filósofa, como se chamava na altura (afinal, a mãe de todas as ciências). Se, por um lado, Hypatia devorava a matemática, a astronomia e a filosofia, em relação à religião teve o cuidado de não permitir que o fanatismo se sobrepusesse à razão e à busca do conhecimento.

Tal atitude não passou despercebida aos que festejavam a vitória de uma religião triunfante, o Cristianismo, com todos os ingredientes próprios dos que pretendiam encerrar o conhecimento nas celas da religião. Tal como viria a acontecer séculos mais tarde a todos aqueles (sobretudo aquelas) que defendiam que o Universo e o Homem se regiam por outros padrões ou paradigmas diferentes daqueles que as Escrituras ditavam, Hypatia foi considerada herética e morta às mãos dos cristãos... E quem diz que a história não se repete?

E aqui está um pouco de história contada no feminino.

Mas Ágora, o filme, é muito mais do que isto. Vale a pena!!


Há cerca de 2000 anos, emergiu uma civilização científica esplêndida na nossa história, e a base era em Alexandria. Apesar das grandes chances de florescer, ela decaiu. A última cientista foi uma mulher, considerada pagã. O nome era Hipácia. Com uma sociedade conservadora a respeito do trabalho da mulher e do papel, com o aumento progressivo do poder da Igreja, formadora de opiniões e conservadora quanto à ciência, e devido a Alexandria estar sob domínio romano, após o assassinato de Hipácia, em 415, essa biblioteca foi destruída. Milhares dos preciosos documentos dessa biblioteca foram em grande parte queimados e perdidos para sempre, e com ela todo o progresso científico e filosófico da época."

Carl Sagan, in Cosmos



sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

YES, I CAN!!!


Sempre fui uma acérrima defensora da igualdade entre sexos, ou por outra, entre géneros.
Não particularmente adepta dos movimentos femininistas, sobretudo os da segunda onda, que tiveram como auge o concurso Miss América e a famosa queima de sutiãs, mas sempre sustentei a promoção da igualdade dos direitos entre homens e mulheres, passando por campos tão vastos como o direito ao sufrágio, a igualdade tratamento no local de trabalho, entre outros.
No entanto, e contradizendo um pouco aquilo que teoricamente defendo, na prática sempre considerei existirem tarefas (mesmo as mais comezinhas e triviais) que deviam ser específicas de um ou de outro género.
Não falo, certamente, daquelas que são adstritas às diferenças ao nível fisiologia humana, evidentemente. Nesse campo, continuo a entender que somos diferentes e que o Homem não pode ter a veleidade de tentar, sequer, alterar a natureza intrínseca das coisas.
Falo de tarefas como lavar o carro, mudar um pneu ou verificar a pressão dos mesmos. Refiro-me a banalidades como carregar com as compras do supermercado ou colocar um candeeiro no tecto.
Não sei se por considerar que a compleição do género masculino é mais adequada a certas tarefas, se por achar que os homens tem uma inclinação ou uma disposição inata para este tipo de encargos.
Bom, seja como for, há coisas que nunca fiz na vida e que, até ao momento, julguei ser incapaz de as realizar.
Mas hoje ultrapassei essa barreira, que verifiquei ser não mais do que um obstáculo mental pré-concebido, perfeitamente ultrapassável, como tantos outros certamente o serão.
Hoje, levei o meu carro à inspecção!!!
Claro que foi uma aventura (muito diferente daquelas aventuras publicadas em livros juvenis…), mas mesmo assim, aventurei-me.
“Onde está o triângulo?” Pois, algures entre a confusão de embrulhos, sacos e livros que enchem o porta bagagem do carro.
“O colete?” Qual colete? Aquele de um verde alface? Ah? Esse?! Pois, certamente que o tenho. É só questão de procurar. E lá o achei!!!
Seguiu-se a fase mais técnica. “Ligue os médios, os máximos, desligue, ligue os faróis de nevoeiro…”
Faróis de nevoeiro??? Onde será o botão?? Quando está nevoeiro ligo os médios!
Ok, lá descobri um botaozinho que se premia num sentido ou noutro, consoante se pretendesse ligar os faróis de trás ou os da frente. E agora? Qual o sentido para acender o farol de nevoeiro traseiro? Enfim, …. Nada como experimentar as duas posições.
Continuando, “Ligue o limpa pára brisas”. Liguei, sem custo, mas água era coisa que não existia no depósito, por isso, não limpou…. (chumbo???).
Bom, segui-se um “Abra o capôt”. Mas o capôt está aberto, é só carregar na mola. “ Não, minha senhora, isso é o porta bagagem. O capôt tem um manípulo por baixo do volante.” Ai tem? Então se tem vou descobrir, com certeza. E descobri, claro está.
Por último, uma pergunta “A Srª anda muito com o carro na cidade, às voltinhas, não?” Sim, de facto ando. Mas porquê? “ Nota-se, está pouco puxado”. Pensei para comigo, “ Puxar carros? Isso é coisa de homens!!”
Et voilá!! Acabou a inspecção.
Resultado? APROVADO, mas para a próxima tem de trazer água no depósito do limpa pára-brisas! Combinado, vou ver se consigo descobrir o dito depósito.
Como a Teresa dizia no outro dia no seu “Osmeusóculosdomundo”, - O melhor é olhar para o espelho e procurar o leão que há dentro de cada um de nós.-
Façam isso todos os dias. Recomendo!!

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

She




Hoje foi mais um daqueles dias…
Aulas, testes, a par de uma correria durante os (curtos) intervalos para imprimir isto ou aquilo e preparar as audições que tinha agendadas para o final da tarde, após o terminus das aulas.
Sinto que perdi a vontade de escrever, pelo prazer de escrever; não consigo desligar a minha mente daquela linguagem formatada de “aos costumes disse nada” ou “inquirido sobre a matéria dos autos” … Salvou-me o dia entrar no carro, ligar a ignição e ouvir uma das músicas que mais gosto: She.




She, que foi imortalizada por Elvis Costello na banda sonora do filme Notting Hill, é na verdade a francesa Tous les visages de l'amour, lançada em 1974 pelo cantor e compositor Charles Aznavour.
Aqui fica um dos meus “bálsamos” melódicos preferidos, para partilhar convosco.



terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Gordinhos e ... FELIZES


A propósito da Cimeira de Copenhaga e, penso, com o intuito de nos dar a conhecer melhor aquele país e aquela cidade, os canais televisivos têm-nos mostrado alguns aspectos da sociedade dinamarquesa. Inserido nesta leva de informação, surge a conclusão de um dos muitos estudos sociológicos que se fazem, por essa Europa fora, sobre todo e qualquer assunto.
Desta feita o tema era “ A Felicidade na Europa”.
Não seria difícil imaginar que os povos latinos, com o seu sangue quente, o “salero” e a sua boémia forma de ser e estar, estariam no topo. Assim, Espanha, Itália , Grécia e Portugal, seriam os países com os povos mais felizes. Países abençoados com um clima temperado, muito sol, temperaturas amenas; longe dos infindáveis e rigorosos Invernos; afastados da penumbra que a sua situação geográfica mergulha, durante grande parte do ano, os países da Europa do Norte.
É caso para se dizer que tínhamos tudo para sermos felizes, certo?
Pois bem, seguindo este raciocínio lógico, fiquei pasmada quando, segundo o estudo denominado “No Man is a Island”, realizado pela Universidade de Cambridge e divulgado esta semana, os escandinavos (dinamarqueses , finlandeses), a par dos holandeses e luxemburgueses, eram os povos mais felizes da Europa, enquanto que os portugueses e os gregos, apesar do seu clima de fazer inveja (a alguns…), estavam entre os mais tristes.
Pensando bem, não me surpreendo assim tanto.Eu própria gostaria de viver num destes países. Não só pelas condições sócio-económicas, mas por que gosto mesmo de um bom e rigoroso inverno, com as temperaturas negativas, a neve e todos os demais ingredientes de um clima invernoso.
Mas creio, pelas entrevistas que vi, que o clima não será principal factor que conduz estes países ao topo deste estudo. O próprio estudo revelou “…que os países onde as pessoas passam mais tempo com os amigos e a família e mais confiam no governo e nas instituições públicas tinham maiores chances de terem cidadãos felizes do que os que se encontram em locais mais ensolarados...”
No entanto, outro factor despertou-me a atenção: todos os entrevistados, que admitiam ser pessoas felizes e confiantes no seu futuro, eram pessoas gordinhas!!! Aliás, as imagens captadas pelas câmaras mostravam praças e ruas cheias de pessoas, todas elas muito longe da relação e da ralação ditada pelo IMC.
Na verdade, nunca olhei para o índice de massa corporal com bons olhos! Acho que somos todos diferentes e essa forma de estereotipar tudo deixa muito a desejar. Gostava mais se pautássemos a nossa vida e as nossas dietas pelo o ISC (Índice de Serotonina Corporal). Sempre achei que os gordinhos eram mais felizes….e o chocolate faz-nos pessoas mais doces!!
Será este o segredo dos escandinavos?

domingo, 6 de dezembro de 2009

Paixão


Na minha apresentação, não vos confessei um dos meus muuiitoos pecados. Um pecado/paixão partilhado por muitos portuguesas e portugueses de aquém e além mar. Paixão muito própria deste nosso povo, que lhe deu voz e alma, tornando-a embaixadora do nome de Portugal, e em particular de duas cidades: Coimbra e Lisboa.
Apresento-vos, caros leitores, O Fado.
A canção de Lisboa acompanhada à viola e à guitarra portuguesa (com certeza!), cantada e sentida em cada esquina dos bairros da nossa Lisboa, canção vadia cujas origens parecem estar ligadas aos cânticos dos Mouros, que permaneceram no bairro da Mouraria após a reconquista cristã.
No entanto, visto não existirem registos do fado até ao início do século XIX, nem o mesmo ser conhecido no Algarve, último reduto dos árabes em Portugal, ou na Andaluzia onde os árabes permaneceram até aos finais do século XV, esta teoria é não é totalmente aceite.
Portanto, gosto de acreditar “na letra da cantiga” : “Talvez a mãe, fosse rameira de bordel, talvez o pai, um decadente aristocrata, talvez lhe dessem á nascença amor e fel, talvez crescesse aos tropeções na vida ingrata…”
Seja por que via for, há uma voz para mim incontornável, única, ímpar. A voz que deu voz e alma a poemas de Ary dos Santos, Manuel Alegre, Vasco Graça Moura, Frederico de Brito, Martinho da Vila, entre outros. A voz das cantigas como Os Putos, Um Homem na Cidade, Canoas do Tejo, Lisboa Menina e Moça, Duas Lágrimas de Orvalho, Bairro Alto, Flor de Verde Pinho entre outras.
Há um bom par de anos atrás, tive o imenso privilégio de assistir ao concerto dos 40 anos de carreira desse grande senhor da “Cantiga Portuguesa”, Carlos do Carmo.
Não consigo descrever o ambiente daquela imensa plateia do Coliseu dos Recreios. Aos primeiros acordes de cada música, era como se tudo ficasse em suspenso aguardando a entrada daquela voz. Em coro, cantei e chorei, tal como canto e me emociono cada vez que ouço Carlos do Carmo.
Na última sexta-feira, realizou-se mais um espectáculo deste grande fadista, mas com a particularidade de homenagear outro grande senhor das letras, Ary dos Santos.
Não fui, por razões que me dispenso de enumerar. Mas vi, ou por outra, não vi, no excerto que passou nos vários canais televisivos, público de faixa etária abaixo do meio século. Por outro lado, o discurso dos entrevistados, centrava-se tanto no Poeta como nas virtudes (indiscutíveis) da Revolução dos Cravos. E a voz? E o fado?


Fado,
Chorar a tristeza bem
Fado adormecer com a dor
Fado só quando a saudade vem
Arrancar do meu passado
Um grande amor


José da Ponte

video

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Professora sem pen drive


Professora sem pen drive
Ah! Que inveja dos professores de outrora, dos meus professores, que conseguiam ensinar, cativar e marcar os seus alunos utilizando, apenas e só, a metodologia do giz e quadro.
Eram professores, foram professores.
Valia-lhes a competência do saber de experiência feito e da autoridade reconhecida dentro e fora da escola. Mas não é só por isto que os invejo e admiro…
Hoje, cheguei à escola e fui chamada ao Gabinete da Direcção (Gabinete da Directora, pois a direcção é um órgão unipessoal). Até aqui tudo bem, nada de mal, nada de mais. Apenas mais uns tantos processos para instaurar, coisa pouca.
Atarefadíssima para cumprir com os prazos previstos na Lei, meto mãos à obra e “saco” da minha pen drive de 2GB, do tamanho do dedo mindinho de uma criança de um ano, introduzo num dos PC do Plano Tecnológico da Educação e eis este me surge a seguinte informação:
Dispositivo não reconhecido. Formatar para continuar
NÃO!!!
Please, not! Isto não me está a acontecer! Eu estou armazenada nesse dispositivo! Não posso formatar-me!!!
São as planificações, de acordo com as competências aprovadas e os programas em vigor; é o Power Point destinado aos alunos com o Plano de Contingência Nacional para a Pandemia de Gripe A; são os testes diagnósticos, mais os que não são diagnósticos, mas dão-nos, efectivamente, o diagnóstico (cinzento, quase sempre); são os critérios de avaliação e as respectivas fichas de autoavaliação; é a legislação actual, a revogada e a repristinada; são os mil e um formulários dos processos disciplinares, mais os quinhentos dos procedimentos de averiguações, são os filmes sobre o “O transporte de nutrientes e oxigénio para as células” e as apresentações sobre a “Divisão de números racionais”, são… é…formatar???
Entendem agora a inveja e a admiração que sinto pelos profissionais que foram meus professores? Eram apenas professores, e a sua pen drive, o giz, o quadro, a voz e o livro de ponto (e por vezes, dizem, uma caneta atrás da orelha).
Ah, esqueci de dizer, não pedi Excelente…

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Adoro crepes


Olá, outra vez!


Escrevo, "deleto" e torno a escrever. Apetece-me escrever, cousas e lousas, acidentes e incidentes do dia-a- dia, sem pretensiosismos, cuidados extremos, receios disto ou daquilo.


Hoje, tive uma péssima notícia: o meu colesterol decidiu dar mostras da sua existência e pular muito para além dos valores analítica e moralmente aconselháveis.


Eu que adoro um bom cozido (repleto de coiratos, como boa montijense, pois claro!), deleito-me com um croissant logo pela manhã, um petit-gateaux depois de um bacalhau com broa ou um toucinho do céu ao para terminar um repasto tipicamente alentejano. E os crepes mikado,já vos falei deles? Bom... nem queiram saber... uma verdadeira tentação.


Bom, e por hoje acho que desabafei as minhas mágoas.




terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Olá

Olá!!

Dia 1 de Dezembro de 2009.
Senti-me tocada pela magnificência dos feitos portugueses, que culminaram hoje com a entrada em vigor de mais um famoso Tratado, (que não o de Tordesilhas), e aqui estou eu.
Apeteceu-me escrever...