by Ana

Um espaço para partilhar as "tolices" de cada dia, de uma forma descontraída, descomprometida e com algum sentido de humor. Only that.

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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

terça-feira, 12 de julho de 2011

É SEMPRE AQUELE COM QUEM ESTAMOS...



Um dia afirmei, peremptoriamente, que sabia que nunca viria a ser o "love of your live" e que quase tinha a certeza que tu jamais serias o meu "love of my live".
Pensava, então, que a idade que tínhamos (ou temos) nos impedia de tecer todas as cumplicidades que constroem o "amor de uma vida"; ou que o tempo que teríamos pela frente não seria suficiente para nos rirmos de todas as histórias, cantar todas as músicas e ainda construir a nossa história, sem histórias, como tu sempre me pediste.
Um dia, quando tinha quatro anos e umas longas tranças pretas, afirmei, convictamente, que quando crescesse iria ser médica  e descobrir a cura para os ataques do coração.

ILY

segunda-feira, 4 de julho de 2011

E se os "futebóis" pagassem a crise?



Ontem, enquanto me deliciava com uma sardinha assada e uma salada de pimentos, dei por mim a pensar:
Os 85 milhões de euros que a falta de carácter do meu ex muito querido e admirado AVB associada a carteira recheada do Sr. Abramovich do Chelsea largaram nos cofres do FCP, mais uns tantos milhõezitos que o bigboss do Real Madrid pode largar pelo Coentrão, no SLB, já dava para evitar que uns quantos pensionistas levassem o corte anunciado dos 50% no seus subsídios de Natal.
Por esta ordem de ideias, se uma mão cheia de "talentos" futebolísticos vale quase tanto como 20% dessa medida extraordinária, se vendêssemos a Selecção Nacional de Futebol, mesmo em saldos, ao Quatar, ao Bahrain, aos Emirados Árabes Unidos, ou mesmo ao Chelsea (ou ao Real Madrid, quem sabe), com treinador, relações públicas (Eusébio), patrocinadores (Galp e Sagres), e os todos os outros cromos difíceis, será que não conseguíamos o equivalente para pagar a nossa dívida pública?
Aposto que sim!

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Sonho e Alma vendem-se: 15 M€ mais uns trocados


Eram duas da manhã e andava às voltas na cama.
Volta para um lado, volta para o outro... volta para a esquerda, para a direita, para cima, para baixo. E sempre, sempre, o fulaninho na minha cabeça. Há que anos um gajinho não me dava a volta ao juízo desta forma, me tirava o sono desta maneira!!
Mas será que sou só eu que ainda acredito em contos de fadas, em amor incondicional, em sonhos?
Sou uma professorazinha como tantas outras, por este país fora, que viu a carreira ser negociada e (re) negociada pelas sucessivas ministras. Passei do 8ª escalão para o 6ª, num abrir e fechar de olhos. Concretizando, se há cinco anos atrás me faltavam cinco para atingir o topo da carreira, agora faltam-me para aí uns doze, bem medidos. Dito bem e depressa, em meia dúzia de anos trabalhei para perder uma dúzia deles. Perdi autoridade junto dos meus alunos, credibilidade junto da sociedade em geral, poder de compra. Ganhei mais cabelos brancos e muitas e muitas horas de trabalho. Mas não desisti da escola pública, do meu país, da minha escolinha, dos meus meninos, da minha equipa.
Nasci numa família de sportinguistas e, à excepção do meu filho mais velho que aposta ser do contra em tudo e se fez águia, os outros meus filhos seguiram a tradição. Mas eu não! Sou FCP com orgulho, remo contra a maré, aguento firme o elitismo clubistico e quando me  apontam o dedo às "tripeirices" linguísticas, eu devolvo-lhes com os resultados que para mim mais não são do que "tripeirices" de coesão, de trabalho, de espírito de equipa, de amor à camisola.
Apoiei o AVB desd o primeiro segundo. Feelings... senti que iria fazer o meu FCP reviver 89 e os anos de Mourinho. Sentia-o um dos nossos. 
Quando recebi a sms da Vodafone a anunciar a transferência dele para os "bifes" gelei, enregelei. Orfei, de ficar órfã.
Este gajinho, que ainda não se livrou dos cueiros, pode ser um bom treinador, não duvido. Pode saber exercer uma influência magistral sobre a psique de um balneário, concordo. Mas saberá o que é carácter?
Deixa-se uma equipa (a dele, o clube dele, a cadeira de sonho dele), a meia dúzia de dias de começar a preparação da época, por uns bons milhares? Nem que fossem uns muitos bons milhões!!
Epá, AVB, vai pastar caracóis e aprender a ser Homem!!

VENDIDO!
LIBRERO (não de livros, mas de libras!)

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Romantiquices



Há uns bons pares de anos atrás, aprendi, nos livros da Vida, que nunca deveríamos dizer NUNCA.
Pensando melhor, acho que foi num filme do 007, o "Nunca digas nunca".
Bom, lições à parte, fica a Dionne Warwick, com este convite a um slow à luz das velas, como nos tempos das juras dos amores eternos.

P.S.: Tão amarga que eu estou hoje:))

terça-feira, 7 de junho de 2011

FMR



Como disse a Mafalda, tenho a certeza que fizeste "boas viagens"; como desejou o Afonso, estou certa que estás melhor, aliás, onde estás a doença, tal como as malvadas restrições alimentares, são coisas do outro mundo mesmo!
Sei que inveja é coisa feia, mas  enquanto as tuas pernas se tornaram leves que nem asas, eu arrasto as minhas, mesmo com temperaturas perto dos 25ªC; enquanto saboreias as tuas bebincas e os teus pratos de bacalhau, eu olho, pelo canto do olho, as fatias de bolo de chocolate com 800Kcal cada. Aprendi a comer com os olhos. Fecho a boca e mexo, mesmo sem poder, as pernocas, tudo em  nome de mais uns anitos de vida, a aturar ora uns Sócrates, ora uns novatos, com a mesma idade que eu, mas muito menos curriculo. Ah!, não sabes? O PPC ganhou as eleições, é verdade. Foi uma razia à moda antiga! O PP do PP também subiu e o Paulinho ainda inchou mais.A esquerda, ou lá o que isso quer dizer,  quase desapareceu do mapa e o PS vai a votos. Mas o teu favorito não se chegou à frente. Perfilam-se, apenas,  as candidaturas do Seguro e do Assis, por enquanto. O Cavaco está cheio de pressa em dar posse ao Coellhito, já quer que o menino comece o estágio de PM na próxima reunião da CE. Nunca o vi com tanta pressa. Entretanto vai vetando os últimos diplomas da última legislatura.
Não sei onde se meteram os votos dos manifestantes que encheram a Avenida na manif da Geração à Rasca. Ou a tradição já não é o que era, ou os gaiatos acharam que o dia estava bom para o surf e esqueceram-se que o protesto se faz também e, sobretudo, nas urnas.
Hoje não fui. Não estive presente naquele sitio e naquela hora especiais, mas sei que não ficaste zangado. Sei-te, sinto-te presente em todos os momentos e também sei que tu sabes que eu o sei.
Vou dando notícias, embora tu não precises de mim para saberes das novas, verdade? Vê lá se metes umas cunhas aí em cima, ao big boss, aqui pela famelga toda, que isto agora vai ser mesmo a doer...E, como disse um deles, um até logo, até sempre, até já , (até breve).

sexta-feira, 27 de maio de 2011

O meu caso sem Facebook



Foi já há algum tempo, há um bom par de anos atrás ou talvez mais, mas nunca escrevi sobre tal, nem escreveria, pois, como diz a canção, recordar é viver, é há coisas que nem mesmo eu, com todo este ar desempoeirado e esta forma leve e fresca de combater as dores prenhas da vida,  consigo viver duas vezes.
Agora, de um momento para o outro, eis que me entra pela casa adentro, cada vez que ligo o PC, ou a televisão ou abro um jornal (ainda tenho o hábito de os ler em papel, vá-se lá saber pq...), uma execrável  história de um filme colocado no facebook, sobre uma cena de violência sobre uma adolescente.
Há dois/três anos atrás, uma amiga minha convidou-me para tomar o pequeno almoço. 
Enquanto se encaminhava para o meu café preferido, disse-me que tinha uma coisa a contar-me sobre os meus filhos mais novos. Com muita calma, pé-ante-pé, depois de parar o carro, contou-me que um grupo de rapazes de cor mais duas raparigas tinham feito uma espera aos meus filhos e dado-lhes uma sova, dois dias antes. Que tudo tinha acontecido à saída da escola, perto da mesma, cerca das sete da tarde (no Inverno). Que tudo se tratava de ciumes por causa de um rapaz que andava atrás da minha filha e a suposta namorada havia tratado de arranjar maneira de a afastar dele. Que a rixa começara quando as  duas raparigas esperaram a minha filha numa ombreira dum prédio, a puxaram pelo o cabelo e a começaram a agredir. Que o irmão, que a acompanhava de volta a casa, intercedeu a favor de irmã, quando o grupo de rapazes de cor, apareceu e começou a agredi-lo, também. Que a isto só parou porque chegou alguém (um adulto) e perguntou o que se passava, o grupo "contratado" fugiu e os meus filhos foram conduzidos até à porta de casa por esse "alguém".
Não queria acreditar no que estava a ouvir. Recusava-me acreditar no que acabara de ouvir. Não podia ser! Os meus filhos? Não, não pode ser!
Pedi à minha amiga que me levasse até à escola deles. Interrompi-lhes as aulas. Agarrei-me a eles a chorar, mal os vi. Depois, olhei-os de alto a baixo, trouxe-os para casa, quis ouvir da boca deles o que se tinha passado. Aliás, queria ouvir que tudo o que a minha amiga dissera era um engano. Mas não. Tudo tinha sido assim, era verdade. O pai sabia e o corpo deles mostrava que sim.
Não consigo descrever o que senti, porque não há palavras para descrever tamanha revolta, tamanha indignação, tamanha impotência. Todos os meus problemas se relativizaram; todos os problemas do mundo se amesquinharam; aquela agressão bárbara não me saía da cabeça noite e dia. Apresentei queixa na polícia, mas não sabia nomes dos rapazes, ...não chegou ao DIAP.
Quanto às raparigas, alunas da mesma escola, apresentei queixa na escola e também na PSP, mas eram menores e em ambas as situações não havia testemunhas. 
Agora, quando vi esta gravação que colocaram no facebook a abrir telejornais... .Dói, mas dói mesmo.
Nem quero imaginar a dor daqueles pais. Eu só vejo se me apanharem distraída.
Disse.




quinta-feira, 5 de maio de 2011

O amarelo fica-me bem...


Ao passar junto do Estádio de Alvalade, começo a ouvir um barulho semelhante a um bombardeiro.
Será que o SCP contratou o André Vilas- Boas?
Será que a Al-Qaeda retaliou?
Será que tenho um Concorde a cair em cima de mim?
Nã... é tão somente um pneu furado, coisa pouca, na segunda circular e a hora de ponta!
Manual de instruções:
- pega-se no telemóvel e telefona-se para a primeira figura masculina que vem à cabeça (o papá)
- saí-se do carro, procura-se o triângulo e o colete no meio da confusão do porta-bagagens
- veste-se o colete
- coloca-se o triângulo a 10m de distância
- encostamo-nos ao carro, com o nosso melhor sorriso e espera-se que algum cavalheiro se ofereça para acudir, enquanto se forma uma monumental fila na 2ª circular
- 2 minutos depois,... voilá



Só que para azar dos távoras, o pneu suplente estava também furado.
Seguindo o plano B do manual de instruções:
- Telefona-se novamente ao papá
- Chama-se o reboque
- e espera-se.

Entretanto, aprecia-se a confusão que um pneu furado consegue criar na dita artéria de circulação da capital,
acena-se para as câmaras de vigilância e controle do trânsito, falamos com as sucessivas brigadas da autoridade que vão chegando, avaliamos o parque automóvel (em altura de crise), que vai desfilando à nossa frente,  e testa-se o efeito que uma lady vestida com um colete amarelo fluorescente causa no transeuntes.
Ah! depois de tudo, deixei o triângulo esquecido no meio da 2ª circular.

domingo, 17 de abril de 2011

A Fraude


"Bem...bom... não foi bem assim... vamos lá ver... estava longe... não foi isso que quis dizer...
Nunca quis cargos de destaque, de protagonismo.
... Tudo não passa de um mal entendido... não gostei... tudo não passa de uma celeuma desnecessária
Só quero servir Portugal!"

quarta-feira, 13 de abril de 2011

E o realejo diz...





Ai ontem tirei barriga de misérias...
Vesti as minhas piores calças de ganga, calcei uns todo-o-terreno velhinhos, coloquei  ao pescoço uma echarpe montes de colorida e já bem esgaçada pelo tempo e ´bora lá que se faz tarde, rumo às Portas de St Antão para ver  e ouvir a Simone.
Lá chegada, pelas nove e tal da noite, sozinha, mas  em boa companhia, no meio da multidão, perguntei:

"Olhe, se faz favor, o Coliseu é para cima ou para baixo?"
"É para cima, minha senhora, logo depois da cruz verde"
Então se é para cima, subamos!

E foi sempre a subir, a subir, a cantar e cantar, a pular e pular, .... porque é a Vida e ela é bonita, é bonita e é bonita e o o porque o realejo diz que eu serei Feliz!
Obrigada a quem me ofereceu o bilhete e obrigada a ti, Simone. És mesmo uma Dragoa!

sexta-feira, 8 de abril de 2011

BLUES FÚNEBRE



Nunca me dei bem com calor excessivo (entenda-se mais do que 25º), com sol em exagero (isto é, nem uma nuvenzita a pintar o céu). 
Como se isto não chegasse ligo a TV e só ouço nomes começados por "Fs". Ele é FEED, ele é FMI, ele é Fitch, ele é ... é Funeral.
Foi exactamente isso que me veio à memória, de tantas vezes ouvir aquele som do F.
Numa destas noites em que o sono não chegava, atormentado por tantos Fs que me ...fraquejam  a alma(o que é que pensavam que eu ia escrever, hem?), pus-me a ver "Quatro casamento e um funeral".
Às duas por três, surge este poema:



BLUES FÚNEBRE

Parem todos os relógios, desliguem o telefone,
Impeçam o cão de latir com um osso enorme,
Silenciem os pianos e ao som abafado dos tambores
Tragam o caixão, deixem as carpideiras carpir suas dores.

Deixem os aviões aos círculos a gemer no céu
Rabiscando no ar a mensagem Ele Morreu,
Ponham laços crepe nas pombas brancas da nação,
Deixem os sinaleiros usar luvas pretas de algodão.

Ele era o meu Norte, meu Sul, meu Este e Oeste,
Minha semana de trabalho, meu Domingo de festa
Meu meio-dia, meia-noite, minha conversa, minha canção;
Pensei que o amor ia durar para sempre: foi ilusão.

As estrelas já não são precisas: levem-nas uma a uma;
Desmantelem o sol e empacotem a lua;
Despejem o oceano e varram a floresta;
Porque agora já nada de bom me resta.

W. H. Auden

Escusado será dizer que o filme acabou e eu esqueci os malditos Fs, mas fiquei a matutar noite dentro...sem sono, sem vontade de dormir.
Por que será que só damos o real valor a uma pessoa quando a perdemos? Por que temos que perder para aprender o valor real de algo ou de alguém?
Olho para a minha mais assídua companheira destes últimos tempos, a Julieta, uma gata de três patas, já com 15 anos, marrequinha, chatinha, mimadinha, mas má como as cobras. Farto-me de reclamar as dentadas que ela me dá, do pêlo que ela larga, das madrugadas que ela me rouba com o seu miar de bebé mimado a reclamar por colinho...
Mas quando ela se for...quando ele se for "Parem todos os relógios, desliguem o telefone..."

terça-feira, 5 de abril de 2011

Forty 7 or Seventy 4????


Pois é, pois é, estão cheios de razão! Já reclamaram que o meu SHE anda votado ao abandono. 
Nada disse sobre o meu aniversário; não me manifestei sobre a vitória do meu FCP na escuridão da Luz; não comento a desgraça engraçada a que o meu segundo clube (SCP) chegou, nem a malfadada história que se repete do nosso destino inglorioso enquanto Nação que outros mundos deu ao mundo...
Pois não... é verdade.
Gozo os meus últimos dias de férias, reflicto (mas não sobre o acordo ortográfico) e perspectivo o meu retorno (para breve) ao trabalho, após mais de um ano de ausência.
Vagueio entre o mar e os poetas, entre o antes, o agora e o depois.
E querem saber o resultado? No dia em que festejei o meu aniversário, alguns dos presentes interrogavam-se se as velas estariam na posição correcta, isto é: 47 ou 74?
Estou mesmo bem conservada!

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

"Geração à rasca"


Sinto-me filha de ninguém.
Cria de geração sem nome, sem referência, sem causa, sem mote.
Por alturas de Maio de 68 ainda não sabia ler nem escrever, muito menos que coisas se passavam em França ou mesmo que existiria algo para além de Badajoz da Espanha, donde o meu triciclo tinha vindo.
Um ano depois, em 69, o Homem foi à lua. Foi no dia do casamento da minha prima Lurdes. Mas o que me ficou na memória , nesse dia, foi a conversa sobre uma novidade que as senhoras usavam e, pelos vistos, lhes facilitava a vida. Usavam collants, pela primeira vez, e comentavam a facilidade daquela peça de vestuário.
Como a lua para mim era uma coisa da noite e das histórias da adormecer e as minhas tias diziam que aquilo do Homem pisar a lua era tudo invenção, decidi voltar costas à televisão e ao grupo dos homens e ficar a ouvir as facilidades do uso das collants vs chatice do uso de meias com cinto ligas.
Uns anos mais tarde veio a Revolução dos Cravos, estava eu na 4ª classe e para mim foi dia de festa. Não houve aulas, o meu pai estendeu um porco morto no meio da cozinha da minha avó e, lá em casa da minha avó, juntou-se a família toda, agarradinha à televisão. Perguntavam pelo Spínola, pelo Soares. Eu preferia indagar as entranhas do porco, pois do que se estava a passar nada entendia e nada me explicavam.
Não posso, portanto, dizer que seja da geração que fez ou festejou a revolução de Abril.
Não sou daqueles que levaram com as passagens administrativas pela cara, os anos propedêuticos, os serviços cívicos. Não, nada disso.
Sou daqueles que fizeram o percurso do "certinho e bonitinho", depois da confusão ter acalmado e das experiências da revolução e tentativas de contra-revolução terem serenado. Sou do unificado, do 12º ano e dos números clasus.
Não tendo sido perdida nem achada para essa causa, lembro-me de um dia 12 de Junho de 1985 e do  Portugal na CEE.
A partir deste dia foi ver os milhões (não sei de que moeda) entrarem todos os dias no nosso país e o alcatrão cobrir montes e vales, as mega - barragens pintarem de azul o que antes era verde,
O litoral a "litoralizar" e o interior a "interiorizar"; o Alentejo ora litoralizava ora"coutizava",...
Foi ver um país democrático, laico e republicano, onde a classe média e alta quase não se distinguiam, onde todos os seus  filhos tinham carrinho, casa, emprego, cursos financiados, férias em Cabo Verde, telemóveis, computadores, plasmas, Ipod,... tudo com fartura e sempre na crista da onda.
Há dois dias, perguntei ao meu filho mais velho, que tem 20 anos, quando é que ele pensava arranjar emprego.Ele respondeu-me:
"Oh mãe, tu não vês as notícias?Não há empregos mãe. E os que há são formas de exploração dos jovens. Eu sou da geração à rasca!" 
Calei-me.
Acho que já tenho uma definição para a minha geração:
A geração que teve de tudo, mas gerou a Geração à rasca.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Parabéns AI !!

A menina AI completa hoje a linda e bonita soma de 47 pardacentas luminosas primaveras!
Parabéns à dona da pensão Catita, onde se come bem , cabem generais, gatas e toda a bicharada co(h)abita!
 PARABÉNS AI!
FICASTE TÃO BEM NESTA FOTO!!
MIL BEIJOS

domingo, 21 de fevereiro de 2010

E fez-se Sol!

Contra todas as previsões meteorológicas, hoje está um dia de sol, pelo menos por estas bandas.
Ao domingo, o desafio é mais pesado...Carcavelos - Paço de Arcos.
Confesso que cá bem no fundinho até desejava uma forte tempestade. É que é obra, mais de uma horita e a passete bem largo (ma non troppo)!!

Gosto de ver o mal revolto, sentir as gotas de água salgada tocarem o meu rosto, fazer uma foto aqui ou ali.
Alguém só que dialoga com a imensidão do oceano; outro alguém,que busca no rebentar das ondas a resposta que não parece querer rebentar dentro de si.
Ou simplesmente água e rochas. A força da água mole que vai moldando a seu bel prazer, e de jeito indelével, consistência magmática da rocha dura.Prazeres, momentos...mas também muuuiitoss quilómetros.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

"Boa sorte!"


Quando estamos “incapacitados”, por força das circunstâncias, sobra-nos sempre tempo para pensar, reflectir, dar e vender. Como se o tempo fosse coisa que se desse ou vendesse!

Que seria do mundo, de nós, se pudéssemos comprar o tempo ou recebê-lo de alguém como, por exemplo, presente de aniversário? Não podemos mesmo e como tal resta-nos relembrá-lo e tirar as nossas conclusões…

Tenho dado por mim a pensar na sensação que tive quando fui anestesiada.

Senti que uma paz me invadia, apoderando-se do meu corpo e da minha consciência. Experimentei a sensação do tempo a apagar-se, lentamente, da minha memória e com ele a minha percepção do mundo a esvair-se, como um punhado de areia que "escorre"por entre os dedos.

Tinha consciência de que tudo poderia ficar para trás, bastaria um erro, um cálculo mal feito, um arritmia, uma sincope, um prolapso, enfim… bastaria que tivesse sido essa a vontade de Deus.

Mas eu sabia que não era. Aliás, estava absolutamente confiante de que não era esse o meu destino. Por isso, deixei, tranquilamente, a minha consciência abandonar o meu corpo, desejei “boa sorte” à equipa médica e de enfermagem que me rodeava e, serenamente, fechei os olhos.


domingo, 31 de janeiro de 2010

One thousand and...




Hoje é dia de festa na minha pobre alma de pretensa escritora.
Quando vim ver as novidades do mundo cibernético, reparei que os visitantes do meu blog já tinham passado os 1000!!
Comecei no dia 1 de Dezembro de 2009, portanto há cerca de dois meses.
Tive vontade de parar, muito recentemente, porque reconheço que o que escrevo não são mais que umas tantas passagens retiradas, na hora, do meu diário de bordo, sem qualquer interesse para quem anda por esta bandas à procura de informação, de fontes de conhecimento.
Não sei pois como justificar os mil e tantos…
Resta-me agradecer e pedir que continuem.

P.S.: Visitem os também blogues que eu assinalei. Vale a pena.

Beijos
Ana

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Um momento



Pensei participar na iniciativa de blogagem colectiva da Fábrica das Letras, sob o tema “Beleza”. Reflecti, pensei , puxei pela a minha já desfalecida memória e fraca imaginação em busca de “Beleza”. Beleza estética, beleza de sentimentos, beleza de um momento, beleza…
Pensei, claro, no nascimento de cada um dos meus filhos; na primeira vez que amamentei cada um deles; nas primeiras palavras que pronunciaram ou quando deram os primeiros passos.
Nada de mais belo e único, é verdade. Por muitas e muitas vezes que voltasse a ser mãe, viveria cada um destes momentos desfrutando do seu encanto único, como se fosse sempre a primeira vez.
Porém, acho que ainda não estou suficientemente “madura” nestas lides, para me aventurar numa blogagem colectiva; também, por outro lado, a beleza destes momentos é inenarrável, através das palavras que constam nos dicionários.
Lembrei-me de um outro momento, que julgo fazer parte da memória colectiva de muitas mulheres e igualmente imbuído da sua particular beleza: o casamento. Não é para integrar a blogagem colectiva, mas para partilhar um momento…

Era sábado, um sábado quente de Setembro, da década de oitenta.
Levantei-me cedíssimo, cumpri todos os preparativos e demandas que o dia exigia.
Cabeleireira, manicure, maquilhagem e o cerimonial de vestir aquele longo vestido que obrigava ainda a uma armação de aço por baixo, de forma a dar-lhe o efeito pretendido.
Veio o fotógrafo e foi foto de perfil, de frente, de costas, sentada ao piano, sentada na cama, no jardim, a entrar para o carro, com um pé dentro, outro fora, já devidamente acomodada, acompanhada pela madrinha, etc…;
Retrato com os primos direitos e os canhotos também; com os amigos, com os tios, os irmãos; com com o bouquet e sem o dito, enfim … horas.
Sempre fui pontual, até neste dia decidi que o iria ser. Avisei o noivo que estava pronta e sairia de casa 10 minutos após o telefonema. Se assim o disse, melhor o fiz.
Tratei de despachar todo o cortejo, estilo comitiva de abertura de festas, à frente do carro que me conduzia até ao Santuário da Nossa Senhora da Atalaia, onde se realizaria a cerimónia.
De braço dado com o meu pai, com um nervoso miudinho e ao mesmo tempo uma alegria esfuziante, própria dos 23 aninhos, eis que ao entrar na capela me deparo com ela vazia!!
Nem noivo,nem sinais dele. Nada de convidados da outra parte, ou de futuros sogros. Nada de futuros primos ou cunhados. Nada, apenas as flores que já esperavam de véspera, e nada mais.
Lembro-me da expressão aflitiva do meu pai, coitado, vestido a rigor, com um calor imenso, pensando que a sua primogénita teria sido abandonada, não no altar, mas à porta da igreja. Eu, sempre confiante, tentava desdramatizar a situação. Talvez um furo…, talvez uma súbita indisposição física, talvez se tivessem perdido no caminho (5 km em linha recta!), talvez qualquer coisa, desde que servisse para acalmar o meu pai.
Telemóveis era coisa que ainda não existia, pelo que só me restava esperar.
Determinada, decidi que os meus convidados entrariam, ocupariam um dos lados da capela e eu e o meu pai ficaríamos “resguardados” do calor e dos olhares piedosos dos convidados e da populaça que ocorre sempre aos casórios no Santuário, debaixo de uma varanda de um prédio das redondezas.
Ao fim de um bom pedaço, já não me lembro quem, veio avisar-nos de que o noivo e respectiva comitiva haviam chegado. Se estava impávida e serena, imperturbada continuei… o meu pai, esse mudava de cor de instante para instante. Ora estava vermelho, ora branco que nem cal, mas já podíamos entrar na capela.
Subi o Santuário, degrau a degrau, como estivesse a desfilar numa passerelle plana, sem esforço, sem cansaço, sem calor, sem o peso de um vestido imenso e respectiva armação, sempre feliz da vida. Já o meu pai transpirava com aqueles casacos e jaquetas e sei lá mais o quê.
Entrei ao som da marcha nupcial, tocada no órgão pela minha irmã.
A cada passo, sorria para um lado e para o outro da capela, saudava os convidados do noivo e ainda me lembro de ter pedido ao meu pai o último beijo, enquanto solteira.
Com toda a solenidade, fui entregue ao noivo, em pleno altar, prontinha para cumprir todo o ritual até ao SIM final.
Mas qualquer coisa faltava. Sem ninguém perceber o porquê, o rito não começava.
A minha irmã tocava e voltava a tocar a marcha nupcial, ora a de Mendelssohn, ora a de Wagner. Eu ajeitava o véu, arranjava o vestido dum lado e doutro, os convidados começavam a sussurrar, até que alguém se aventurou a perguntar:
“Então e o Sr. Padre?”
Bom, não sei que vos conte, mais de vinte anos depois… Só me lembro do meu pai, todo enfarpelado, morto de calor e já de algum embaraço, dizer “Eu vou buscar o Padre”.
Rodeada de convidados e flores, com o noivo ao lado e o fotógrafo que não se cansava de disparar a máquina de todos os ângulos, lá fiquei eu, sem Padre e sem pai.
Mal o meu pai saiu pela porta principal, eis que o Sr. Padre entra pela porta da sacristia. Pediu imensas desculpas, mas havia-se esquecido do casamento no Santuário…
“Vamos então dar início à cerimónia.”
“Não!! Agora quem não inicia nada sou eu! Enquanto o meu pai não chegar, não há início de coisa alguma!!”
Quase duas horas depois da hora marcada, e depois do meu pai correr todas as igrejas e capelas das redondezas em busca do Sr. Padre, deu-se, finalmente, início à cerimónia.
Foi um momento que teve a beleza sonhada por todas as noivas, mas com alguns percalços que ajudaram a fazer dele um momento ainda mais único, inesquecível e diferente.