by Ana

Um espaço para partilhar as "tolices" de cada dia, de uma forma descontraída, descomprometida e com algum sentido de humor. Only that.

domingo, 4 de novembro de 2012

A culpa é da crise




Imagem daqui
 


Sou fraca na escolha de palavras possantes e tão branda na imposição de limites quanto apaixonada pela conjugação na primeira pessoa do singular  do presente do indicativo do verbo  "Dar".
Eles, por outro lado, nasceram doutos na capacidade argumentativa e hábeis conjugação dito verbo na segunda pessoa do imperativo, com absoluta indiferenciação entre o singular e o plural.

Por isso,

"Um dia, isto tinha de acontecer"

Existe uma geração à rasca?
Existe mais do que uma! Certamente!
Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa
abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhes
as agruras da vida.
Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar
com frustrações.
A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também
estão) à rasca são os que mais tiveram tudo.
Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância
e na sua adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus
jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos.

Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a
minha geração e as seguintes (actualmente entre os 30 e os 50 anos)
vingaram-se das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós
1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor.
Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram
nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles
a geração mais qualificada de sempre (já lá vamos...), mas também lhes
deram uma vida desafogada, mimos e mordomias, entradas nos locais de
diversão, cartas de condução e 1º automóvel, depósitos de combustível
cheios, dinheiro no bolso para que nada lhes faltasse. Mesmo quando as
expectativas de primeiro emprego saíram goradas, a família continuou
presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada.
Durante anos, acreditaram estes pais e estas mães estar a fazer o
melhor; o dinheiro ia chegando para comprar (quase) tudo, quantas
vezes em substituição de princípios e de uma educação para a qual não
havia tempo, já que ele era todo para o trabalho, garante do ordenado
com que se compra (quase) tudo. E éramos (quase) todos felizes.

Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desemprego, ... A
vaquinha emagreceu, feneceu, secou.
Foi então que os pais ficaram à rasca.
Os pais à rasca não vão a um concerto, mas os seus rebentos enchem
Pavilhões Atlânticos e festivais de música e bares e discotecas onde
não se entra à borla nem se consome fiado.
Os pais à rasca deixaram de ir ao restaurante, para poderem continuar
a pagar restaurante aos filhos, num país onde uma festa de
aniversário de adolescente que se preza é no restaurante e vedada a
pais.
São pais que contam os cêntimos para pagar à rasca as contas da água e
da luz e do resto, e que abdicam dos seus pequenos prazeres para que
os filhos não prescindam da internet de banda larga a alta velocidade,
nem dos qualquercoisaphones ou pads, sempre de última geração.

São estes pais mesmo à rasca, que já não aguentam, que começam a ter
de dizer "não". É um "não" que nunca ensinaram os filhos a ouvir, e
que por isso eles não suportam, nem compreendem, porque eles têm
direitos, porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas,
porque lhes disseram que eles são muito bons e eles querem, e querem,
querem o que já ninguém lhes pode dar!
A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo
menos duas décadas.

Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados.
Eis agora uma geração jovem altamente qualificada, que andou muito por
escolas e universidades mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na
proporção do que estudou. Uma geração que colecciona diplomas com que
o país lhes alimenta o ego insuflado, mas que são uma ilusão, pois
correspondem a pouco conhecimento teórico e a duvidosa capacidade
operacional.
Eis uma geração que vai a toda a parte, mas que não sabe estar em
sítio nenhum. Uma geração que tem acesso a informação sem que isso
signifique que é informada; uma geração dotada de trôpegas
competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere.
Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por
não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso. Uma geração
que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que
queimou etapas de crescimento. Uma geração que distingue mal a
diferença entre emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que
este, num tempo em que nem um nem outro abundam.
Eis uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo
como mandou nos pais e que agora quer ditar regras à sociedade como as
foi ditando à escola, alarvemente e sem maneiras.
Eis uma geração tão habituada ao muito e ao supérfluo que o pouco não
lhe chega e o acessório se lhe tornou indispensável.
Eis uma geração consumista, insaciável e completamente desorientada.

Eis uma geração preparadinha para ser arrastada, para servir de
montada a quem é exímio na arte de cavalgar demagogicamente sobre o
desespero alheio.

Há talento e cultura e capacidade e competência e solidariedade e
inteligência nesta geração?
Claro que há. Conheço uns bons e valentes punhados de exemplos!
Os jovens que detêm estas capacidades-características não encaixam no
retrato colectivo, pouco se identificam com os seus contemporâneos, e
nem são esses que se queixam assim (embora estejam à rasca, como
todos nós).
Chego a ter a impressão de que, se alguns jovens mais inflamados
pudessem, atirariam ao tapete os seus contemporâneos que trabalham
bem, os que são empreendedores, os que conseguem bons resultados
académicos, porque, que inveja!, que chatice!, são betinhos, cromos
que só estorvam os outros (como se viu no último Prós e Contras) e,
oh, injustiça!, já estão a ser capazes de abarbatar bons ordenados e a
subir na vida.

E nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à entrada dos
nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados lugares
a que alguns acham ter direito e que pelos vistos - e a acreditar no
que ultimamente ouvimos de algumas almas - ocupamos injusta, imerecida
e indevidamente?!!!

Novos e velhos, todos estamos à rasca.
Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens.
Tudo o que atrás escrevi serve apenas para demonstrar a minha firme
convicção de que a culpa não é deles.
A culpa de tudo isto é nossa, que não soubemos formar nem educar, nem
fazer melhor, mas é uma culpa que morre solteira, porque é de todos, e
a sociedade não consegue, não quer, não pode assumi-la.
Curiosamente, não é desta culpa maior que os jovens agora nos acusam.
Haverá mais triste prova do nosso falhanço? "


 
Mia Couto ou talvez não

 

domingo, 14 de outubro de 2012

La pirogue



Terminou, hoje, a 13ªfesta do cinema francês.
Todos os filmes que vi (LE FILS DE L’AUTRE, JE ME SUIS FAIT TOUT PETIT, JE ME SUIS FAIT TOUT PETIT,DE BON MATIN, PARLEZ-MOI DE VOUS, POULET AUX PRUNES  e LA PIROGUE ), valeram bem as enchentes do S. Jorge, os intermináveis minutos de publicidade que antecediam a projeção de cada filme, as voltas e voltinhas à procura de estacionamento.
"La Pirogue", para mim o último,  fechou com a chave que se impõe num grande festival como este.
Um belíssimo filme, extremamente emocionante, que retrata o drama dos milhares de senegaleses que decidem atravessar o oceano em "canoas" enormes sem conforto e, às vezes, sem o real conhecimento do mar, pagando esta passagem para o "paraíso" a preços de ouro.
A não perder, mas assegurar, antecipadamente, o stock de Kleenexs!
 

domingo, 7 de outubro de 2012

Brum, brum!!

 
Estava a ver a reportagem sobre o conselho de ministros extraordinário (a um domingo, coitados) e pensei: bastava um carrinho daqueles, onde S. Exª se fazem transportar, para pagar a dívida da minha modesta casinha ao banco.
Alguém é especialista em ligações diretas?

sábado, 6 de outubro de 2012

Fogueira moderna

Depois de muito pensar, refletir, analisar, ponderar, fazer contas à vida, decidi que o melhor mesmo é ouvir e calar. Vou-me deixar de manifs, vou parar de partilhar protestos, vou fazer vida de avestruz.
Berrámos porque era ilegal, por via da desigualdade e outras, o corte dos subsídios e eis que surge surge uma TSU que dá com uma mão, mas tira com duas.
Saímos para a rua para protestar a dita e, em resposta, voilá o agravamento do IRS, mais sobretaxas de não sei do quê, mais agravamentos do IMI, mas tudo com a igualdade de bem e do direito.
Já não sei se estaremos a lidar com gatunos de casaca ou com uma espécie da inquisitores dos tempos modernos.
O que é certo é que fogo, para mim, só o do Dragão...

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

"Telepatia"




Em 1981, quando soaram os primeiros compassos desta "telepatia", vivia dividida entre a obrigação de continuar a ser uma menina bonita, exemplar e aplicadinha nos estudos (estava no final do ensino secundário) e a vontade de mandar os livros, os apontamentos, os trabalhos e os cadernos às urtigas e correr atrás das emoções dum grande amor que despertava pela mesma altura.
Recordo-me, perfeitamente, de ter os esquemas do desenvolvimento/reprodução das angiospérmicas à minha frente, prontinho para ser devorado, e começar a ouvir, vindo não sei muito bem donde, a Lara com a sua telepatia. E logo as plantas paravam de se desenvolver, ficavam estéreis, ao mesmo tempo que eu perdia o meu olhar no infinito, esforçando-me telepatizar com ele.
Hoje, cada vez que ouço a "Telepatia", recordo-me das angiospérmicas que, apesar de tudo, continuam o seu ciclo de reprodução, e desse grande amor que foi resistindo a muitas coisas, algumas delas bem mais difíceis do que entender o ciclo de desenvolvimento das angiospérmicas...

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Hope





"Se você me esperar, voltarei
Mas espere-me com muita força
Quando a chuva trouxer a tristeza
Espere que a neve se dissipe
Espere quando o verão triunfar
Espere quando esquecer o passado”


Poeta Simonoff (Les uns et les autres)

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Profs de férias!

Os professores já estão de férias.
Acabaram as aulinhas e agora é vê-los encherem as esplanadas, os centros comerciais, as agências de viagens, as praias...
Bom, nem todos, nem todos...
Alguns ainda optam pelo facebook, ou pelos blogs, é conforme.
Eu cá optei por redigir relatórios, mas ouvi falar de uns quantos que preferiram classificar exames nacionais, às resmas e em tempo record. Dizem que o MEC paga bem!!
Isto é como em tudo, ... excentricidades...


quinta-feira, 14 de junho de 2012

Um "tema de assunto"

Não me tem apetecido escrever. Não por não ter montes de "assunto de tema" ou "tema de assunto", mas simplesmente porque não. Não flui, não tenho sentido necessidade de.
Hoje, recebi por e-mail esta reflexão sobre a língua portuguesa, em jeito de redação, escrita por um aluno do 8ºano.
Ora aqui ficam as palavras do João, como se fossem as minhas.

Declaração de Amor à Língua Portuguesa

Vou chumbar a Língua Portuguesa, quase toda a turma vai chumbar, mas a gente
está tão farta que já nem se importa. As aulas de português são um massacre.
A professora? Coitada, até é simpática, o que a mandam ensinar é que não se
aguenta. Por exemplo, isto: No ano passado, quando se dizia “ele está em
casa”, ”em casa” era o complemento circunstancial de lugar. Agora é o
predicativo do sujeito.”O Quim está na retrete” : “na retrete” é o
predicativo do sujeito, tal e qual como se disséssemos “ela é bonita”.
Bonita é uma característica dela, mas “na retrete” é característica dele?
Meu Deus, a setôra também acha que não, mas passou a predicativo do sujeito,
e agora o Quim que se dane, com a retrete colada ao rabo.
No ano passado havia complementos circunstanciais de tempo, modo, lugar
etc., conforme se precisava. Mas agora desapareceram e só há o desgraçado de
um “complemento oblíquo”. Julgávamos que era o simplex a funcionar: Pronto,
é tudo “complemento oblíquo”, já está. Simples, não é? Mas qual, não há
simplex nenhum,o que há é um complicómetro a complicar tudo de uma ponta a
outra: há por exemplo verbos transitivos directos e indirectos, ou directos
e indirectos ao mesmo tempo, há verbos de estado e verbos de evento,e os
verbos de evento podem ser instantâneos ou prolongados, almoçar por exemplo
é um verbo de evento prolongado (um bom almoço deve ter aperitivos, vários
pratos e muitas sobremesas). E há verbos epistémicos, perceptivos,
psicológicos e outros, há o tema e o rema, e deve haver coerência e
relevância do tema com o rema; há o determinante e o modificador, o
determinante possessivo pode ocorrer no modificador apositivo e as locuções
coordenativas podem ocorrer em locuções contínuas correlativas. Estão a ver?
E isto é só o princípio. Se eu disser: Algumas árvores secaram, ”algumas” é
um quantificativo existencial, e a progressão temática de um texto pode
ocorrer pela conversão do rema em tema do enunciado seguinte e assim
sucessivamente.
No ano passado se disséssemos “O Zé não foi ao Porto”, era uma frase
declarativa negativa. Agora a predicação apresenta um elemento de
polaridade, e o enunciado é de polaridade negativa.
No ano passado, se disséssemos “A rapariga entrou em casa. Abriu a janela”,
o sujeito de “abriu a janela” era ela,subentendido. Agora o sujeito é nulo.
Porquê, se sabemos que continua a ser ela? Que aconteceu à pobre da
rapariga? Evaporou-se no espaço?
A professora também anda aflita. Pelo vistos no ano passado ensinou coisas
erradas, mas não foi culpa dela se agora mudaram tudo, embora a autora da
gramática deste ano seja a mesma que fez a gramática do ano passado. Mas
quem faz as gramáticas pode dizer ou desdizer o que quiser
,
quem chumba nos
exames somos nós. É uma chatice. Ainda só estou no sétimo ano, sou bom aluno
em tudo excepto em português,que odeio, vou ser cientista e astronauta, e
tenho de gramar até ao 12º estas coisas que me recuso a aprender, porque as
acho demasiado parvas. Por exemplo, o que acham de adjectivalização deverbal
e deadjectival, pronomes com valor anafórico, catafórico ou deítico, classes
e subclasses do modificador, signo linguístico, hiperonímia, hiponímia,
holonímia, meronímia, modalidade epistémica, apreciativa e deôntica,
discurso e interdiscurso, texto, cotexto, intertexto, hipotexto,
metatatexto, prototexto, macroestruturas e microestruturas textuais,
implicação e implicaturas conversacionais? Pois vou ter de decorar um
dicionário inteirinho de palavrões assim. Palavrões por palavrões, eu sei
dos bons, dos que ajudam a cuspir a raiva. Mas estes palavrões só são para
esquecer, dão um trabalhão e depois não servem para nada, é sempre a mesma
tralha, para não dizer outra palavra (a começar por t, com 6 letras e a

acabar em “ampa”, isso mesmo, claro.)
Mas eu estou farto. Farto até de dar erros, porque me põem na frente frases
cheias deles, excepto uma, para eu escolher a que está certa. Mesmo sem
querer, às vezes memorizo com os olhos o que está errado, por exemplo:
haviam duas flores no jardim. Ou : a gente vamos à rua. Puseram-me erros
desses na frente tantas vezes que já quase me parecem certos. Deve ser por
isso que os ministros também os dizem na televisão. E também já não suporto
respostas de cruzinhas, parece o totoloto. Embora às vezes até se acerte ao
calhas. Livros não se lê nenhum, só nos dão notícias de jornais e
reportagens,ou pedaços de novelas. Estou careca de saber o que é o lead,
parem de nos chatear. Nascemos curiosos e inteligentes, mas conseguem
pôr-nos a detestar ler, detestar livros, detestar tudo. As redacções também
são sempre sobre temas chatos, com um certo formato e um número certo de
palavras. Só agora é que estou a escrever o que me apetece, porque já sei
que de qualquer maneira vou ter zero.
E pronto, que se lixe, acabei a redacção - agora parece que se escreve
redação.O meu pai diz que é um disparate, e que o Brasil não tem culpa
nenhuma, não nos quer impôr a sua norma nem tem sentimentos de superioridade
em relação a nós, só porque é grande e nós somos pequenos. A culpa é toda
nossa, diz o meu pai, somos muito burros e julgamos que se escrevermos ação
e redação nos tornamos logo do tamanho do Brasil, como se nos puséssemos em
cima de sapatos altos. Mas, como os sapatos não são nossos nem nos servem,
andamos por aí aos trambolhões, a entortar os pés e a manquejar. E é bem
feita, para não sermos burros.
E agora é mesmo o fim. Vou deitar a gramática na retrete, e quando a setôra
me pe.rguntar: Ó João, onde está a tua gramática? Respondo: Está nula e
subentendida na retrete, setôra, enfiei-a no predicativo do sujeito.

João Abelhudo, 8º ano, setôra, sem ofensa para si, que até é simpática

(enviado por e-mail)

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Cantigas de sempre



Esta é uma daquelas que ouvimos e ouvimos e cantamos e cantarolamos e encantamos e desencatamos e entranhamos e respiramos e transpiramos e sussuramos e sonhamos. Sempre. 

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Serviço público I


Perante esta notícia do Sol, pensei que, finalmente, se teria feito luz, algures nalguns gabinetes do ministério da economia, nomeadamente, naqueles onde trabalham uns senhores que, volta não volta, vestem uns coletes pretos, ostentando umas letras garrafais nas costas - ASAE- e limpam a pente de caça piolhos todos os cochichos, vãos de escada, feiras francas ou desonestas, do norte ao sul, incluindo as Desertas onde o Zé da colmeia vende o mel da abelha Maia, a Maria do Céu comercializa as couves da consoada, a Chica vende os ovos de galinha Pita.
E é razia. Ah pois! A bem da saúde pública e no estrito cumprimento das normas comunitárias aprovadas pelas respetivas decisões, com a redação conferida através das diretivas e ratificadas pelos conselhos dos 27. E isto não é pera doce, não se pense... É muito papel, muita lei, muito número, ...
O Zé não pode vender o mel da colmeia da Maia, pois não apresentou o certificado da vacina da bichinha, contra o vírus da estirpe Abhelhidium, logo está a saúde pública em risco;
Em análise macroscópica, provam e comprovam que as couves da Maria foram fertilizadas com o estrume da mula. Não pode, não pode.... A norma CE xyz /abc/CE com a última redacção que lhe foi dada pela decisão XPTO/CE, assim o dita. Consoada de Natal, ou com o cumprimento da norma de Bruxelas ou então, coma-se couve de bruxelas.
E os ovos da Pita? Esses terão de ser confiscados. A Chica estava a defraudar o consumidor. Os zigotos, que nem S poderiam ser,  estavam misturados outros L e, muito de quando em vez, um XL, com mais de 73g, apregoando a Chica ovos de duas gemas. Dois crimes se configuram neste cenário. Um crime económico e um crime alimentar, pois a Pita não tem vacinas, come os restos da Chica e foi  desparasitada quando o cão do vizinho lhe ferrou uma dentada,  dois dias antes de pôr os ovos!
Agora ASAE, agora que podias prestar um verdadeiro serviço público, de qualidade,  à nação, que fazes?
Mudas de palácio!
Oh ASAE!!!!!








sábado, 12 de maio de 2012

Crise artificial e/ou psicológica


Tenho vivido angustiada, enquanto mãe, perante a imaturidade e a passividade do meu filho Carlos, de 20 anos, face à situação que o país atravessa e que ele teima rotular de "psicológica".
Volta não volta, quando o assunto é dinheiro para mais uma folia, e a pergunta, em jeito de resposta, que sai da algibeira é a única possível: "Ó filho já ouviste falar da crise?", lá vem a resposta: "Ó mãe, a crise é psicológica!"
E mais uma crise (de angústia) para mim, pois, além de não conseguir satisfazer as "necessidades" do menino, aflige-me o facto do meu petiz não conseguir perceber que, realmente, a crise, não se resolve com Prozac.
Há pouco, abri o meu facebook e deparei-me com os feeds que davam conta das declarações de um boy, que só soube o que era trabalhar aos quarenta anos de idade, depois de se licenciar aos trinta e sete (mais ou menos o caminho que o meu filho se prepara para tomar) e que  rezavam assim:

"Acho que o país está um bocadinho cansado das crises artificiais e desta tentativa de distorcer e de aproveitar qualquer coisa para querer fazer uma tensão enorme no país. Sei bem o que disse e mantenho o que disse”, afirmou Pedro Passos Coelho, em declarações aos jornalistas.

Pronto, já sei onde o meu filho anda à catequesse!!
Já posso dormir descansada, afinal ele não é parvo de todo. Está a preparar o caminho para primeiro-ministro.


quinta-feira, 8 de março de 2012

O avental da Meryl

Sabem o que é que a televisão tem de melhor?
Não?
É isto:
Uma comentadora de cinema comentou a atribuição do Oscar para melhor atriz a Meryl Streep, da seguinte formal:
- A Meryl Streep vive de costas voltadas para Hollywood. Foi receber o Oscar vestida com um avental!

Ora toma lá o avental! Tumbas, vai bugiar pra feira de Carcavelos!!

quarta-feira, 7 de março de 2012

DECLARAÇÃO DE GUERRA



Ir ao cinema é um dos poucos prazeres que vou ainda vou cultivando, pese o facto do barulho das pipocas me irritar solenemente, de saber de antemão que nesta altura do ano certas salas de cinema são autênticos meios de cultura de vírus da gripe, do IVA ter encarecido os bilhetes, de me sujeitar, vezes sem conta, aos comentários dos vizinhos do lado, ou aos pontapés do perna longa que se sentou na fila de trás.

Vou ao cinema desde muito miúda, com o meu pai, ver os grandes clássicos como Música no Coração, Os Dez Mandamentos, no Tivoli ou no S. Jorge, ou, à socapa, muitos antes dos 18 anos que a lei obrigava, no velhinho Joaquim de Almeida, para ver O Caçador, La Luna ou outros que fizeram história.

Sou do tempo dos filmes indianos, dos da televisão, mas também daqueles do cinema, nos quais a rapariga da casta superior apaixonava-se sempre pelo rapaz errado, da casta mais que inferior, e lá vinha tragédia, música e dança. E, no fim de muita lágrima própria dos 15 anos e de uma tarde de sábado no cinema da avenida, tudo acabava bem, mesmo lá nas Índias que já não eram nem portuguesas nem inglesas, mas onde o amor era a arma que ainda vencia tudo aquilo que o dinheiro e a cultura separavam.

Gosto de cinema a sério e ainda no outro dia comentava para com os botões da fronha da minha almofada, o que seria que se teria passado com o Spielberg para começar a fazer filmes para galináceos a afins.

Um dos últimos filmes que vi foi "Declaração de Guerra". Não o vi numa tarde de sábado, num cinema da avenida. Vi-o num domingo à noite, num cinema de bairro.

Por incrível que possa parecer, o filme tinha tudo para ser normalzinho. O filme tinha legendas, a sala estava quase vazia, não havia pipocas, nem vizinhos pernudos.O filme era francês e a duas dimensões.

Mas daquele ecrã emanavam, continuamente, emoções. Emoções fortes, daquelas que se sentem como murros na boca do estômago e que fazem saltar água com sal dos olhos. E turvam a vista e fazem-nos confundir a Tempestade de Chopin com as variações de Goldberg de Bach e provocam-nos rewinds a 64 rotações seguidos de forward a 0,2,  à velocidade da luz... and cry and tears et douleur et cinéma.

Não era um filme indiano, nem a rapariga era imensamente mais rica do que o rapaz, mas nunca casaram, tiveram um filho e o amor acabou.

É por ver filmes destes, que me turvam as vistas e encolhem as entranhas, que continuo a gostar, imensamente de cinema.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Ainda o prazer da taquicardia



Continuando o desafio da Teresa, e porque não há amor, amor (com taquicardia) que não tenha uma música, deixo-vos com o Freddy.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

O prazer da taquicardia

O que a minha amiga Teresa do blog "Os meus óculos do mundo" se haveria de lembrar...,  a quinzena do amor.
Bom, querida Teresa, como comentei lá nos teus "Óculos", para mim ainda níngúem conseguiu definir tão bem esse contentamento desconcertante quanto este, com estas palavras:

Amor é fogo que arde sem se ver;

É ferida que dói e não se sente;

É um contentamento descontente;

É dor que desatina sem doer;



É um não querer mais que bem querer;

É solitário andar por entre a gente;

É nunca contentar-se de contente;

É cuidar que se ganha em se perder;



É querer estar preso por vontade;

É servir a quem vence, o vencedor;

É ter com quem nos mata lealdade.



Mas como causar pode seu favor

Nos corações humanos amizade,

Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Luís Vaz de Camões



terça-feira, 24 de janeiro de 2012

O meu amigo novo

Embora não pareça sou uma pessoa pouco dada a novas amizades. Gosto de rir, de brincar, mas isto de amizades, amizades a sério, daquelas que entranham o nosso coração e dominam o nosso pensamento, tem muito que se lhe diga. Poucas, mas boas e escolhidas a dedo.Sobretudo discretas, nada de espalhafatos, de encrencas, de talk-shows, de big brothers,...
Mas reconheço que até aqui a idade tem os seus truques e faz das suas partidinhas.
Ontem, foi dia se Santo Ordenado, dia de pôr as contas em dia, pois, mesmo não sendo eu PR, o meu salário é do tipo "ejaculação precoce": ainda agora entrou e já acabou. Dia santo, cumpri a solene tradição e lá me dirigi à caixa MB do Fórum, munida das papeladas das contas mensais para colocar em dia e zás. Uma, duas... à terceira foi a vez do carregamento do telemóvel.
Digitava 91 quando o meu amigo novo começou a matraquear-me uns números 63, 86, ... Às tantas, mensagem da ATM: referência inválida (valha-nos a Vodafone ser honesta!)
Ok, second round, recomeço, insiro cartão, pin do cartão,  91 e começa outra vez o meu amigo, agora em sequências de 3 algarismos, enquanto eu digitava, ele buzinava-me 663, 839, e a ATM: referência inválida!
Ai a chatice! Olho para trás, disfarço um sorriso e entre dentes explico, para a fila,  que se trata de um problema com o número do telemóvel. Eis que o terceiro cavalheiro, já grisalho, que deveria querer ser meu amigo também, propõe logo a solução: "a Srª telefone aqui para o meu topo de gama da quinta geração que acusa o seu nº e ficamos todos com o problema resolvido" (e ele com o meu nº para poder ser meu amigo, ora bem...)
Lá lhe explico que o meu plano de carregamento é daquelas coisas extraordinariamente mirabolantes para roubar dinheiro legalmente e à descarada e que, embora seja das poucas coisas na minha conta corrente que tenha um saldo largamente positivo ao fim do mês, quando chega ao dia do Santo, ou carrego ou a Vodafone corta-lhe o pio. Finish. No parla più.
Assim, puxo do dito, percorro a agenda nos A, à procura de uma Ana que me soasse a EU, mas Anas há muitas, nenhuma era EU. Tv em E de EU, mas nada, rien de rien. Lembrei-me então de V, de Vodafone. Rapidamente dei um pulo ao fim da lista, mas nos V, só um Veneno Branco, também 91 e que, diga-se de passagem, com este nome não pode interessar a ninguém!
E a fila crescia, crescia, mas eu sem telemóvel, não podia ficar. E o meu amigo continuava... é 91 663, não, 9163389...
Pego na minha moleskyne, onde tenho as passwords da escola para a direção de turma - justificação de faltas-, para a direção de turma - níveis-, para os níveis de professora, sem ser diretora de turma, para as impressões e fotocópias, para os sumários, os nibs das contas bancárias dos meus três filhos - para as transferências urgentes às três da madrugada- , as datas de nascimento dos meus namoricos todos, pois não quero esquecer estas coisas, e procuro, avidamente, um EU  Vodafone. NADA!
Às duas por três, olho para os olhos dos outros que já não queriam ser meus amigos, para as mãos nas ancas das senhoras que nunca pensaram ser minhas amigas e fui à Vodafone.
Lá chegada, viro-me para o meu amigo novo e disse-lhe:
"Oh Alzheimer, diz lá agora qual é o nº do meu telemóvel que a ATM não aceita"

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

O acordo tripartido e o meu avô João

O meu avô nasceu nos princípios de 1897, chamou-se João e, definitivamente, não era cobarde.
O meu avô João contava-me histórias, passadas em dois séculos diferentes, desde que eu tenho memória de mim. 
Contou-me a história da Aldegalega (que hoje se chama Montijo), mas também a história da vida dele, dos tempos em que ainda quase não havia carros e por isso ele tornou-se um carroceiro de renome. E a conduzir a sua carroça o conheci, toda a vida. Não porque as Novas Oportunidades da altura não lhe tivessem validado os seus conhecimentos de código da estrada e controle de freio, mas por que ele assim o entendeu.
O meu avô João tinha 20 anos quando teve a coragem de desertar das fileiras do Corpo Expedicionário Português e assim, talvez, escapar à fileira da morte na batalha de La Lys.
Ao que ele não conseguiu escapar foi ao que se seguiu nos vinte anos seguintes e, diga-se de passagem, constituiu o melhor repertório de histórias que eu alguma vez já ouvi.
A sua condição de desertor, à época, obrigou-o a viver até aos 40 anos nesta minúscula Aldegalega de uma forma que em tudo se assemelhava ao modo como eu ouvia os meus professores de história descreverem a época feudal e as relações entre o senhores feudais e o seus servos.
Não falando da vida privada, pois é aqui que entra uma Elvira que até o Corpo Expedicionário era capaz de empurrar com a barriga, as relações laborais durante aqueles vinte anos resumiam-se ao que o patrão queria, quando queria, como queria.
"E quando fui apanhado a roubar um morango do morangueiro, para comer, descontou-me a semanada."
"Oh avô, e o que é que tu fazias?"
"Viviamos numa ditadura, Tininha e eu era um desertor. Nada podia fazer."
Ontem, ao ler as gordas do acordo tripartido, lembrei-me do meu avô que se chamou João, nasceu em 1897 e não era cobarde, da ditadura e dos desertores.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

A evitar

Há  coisas que não podemos evitar...
Não podemos evitar pertencer à família em que nascemos;
Não podemos evitar gramar o governo e o pr que a maioria de entre a minoria dos tugas que foram às urnas escolheu por bem votar;
Não podemos evitar conviver para o resto da nossa vida com a cicatriz daquela borbulha chata que ficou como marca da passagem pela adolescência;
Não podemos evitar sentirmo-nos gregos, embora tenham sido os romanos, os franceses, os ingleses que por cá andaram;
Não podemos evitar o desdém de estimação por aquela equipa treinada por um que se diz Jesus, quando a nossa religião é o budismo;
Não podemos evitar  sentir simpatia por o Real Madrid, pois o que é português é bom e o CR7 mais o Mourinho são a nossa imagem de marca, apesar do pertuguês de um e da arrogância do outro;
Não podemos evitar a pandemia do facebook, num pack multusos dois em um de cusquice + auto promoção;
E, como dizia o outro, não podemos evitar que os pássaros voem por cima das nossas cabeças. Mas podemos evitar que façam ninhos no nosso cabelo. Bastará penteá-los, com afinco. (isto digo eu, claro).