by Ana

Um espaço para partilhar as "tolices" de cada dia, de uma forma descontraída, descomprometida e com algum sentido de humor. Only that.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

VOLTEI!

Olá!
Regressei às lides após uma brevíssima passagem pelo MONTIJO SPA and RESORT HOTELS.
Mas deixem-me contar-lhes... vim-me abaixo! Quando entrei no quarto, três meses após de lá ter saído...impossível conter as lagrimazitas. Também só se fosse de ferro!! Já sabia o que me esperava...
Depois é como a AC disse, passar de um 7* para um 5*. Mas que 5*!! Meu querido SPA, que coisa. Mas deixem que vos conte...
A AI, que me acompanhou no check in, tentou dar-me alento, deu-me um abracinho acompanhado daquelas palavas de circunstância:"não vai ser nada, blá, blá,..". Ora, por estas alturas, uma das senhoras minhas companheiras de quarto, comovida pelo retrato humano que presenciava e querendo secundar e demostrar todo o seu apoio à AI, de imediato disse "Claro, nós estamos aqui para nos pormos boas" e virando-se para a AI continuou, "É sua fiha?".
E pronto, lá se foram as lágrimas e lá irrompeu a gargalhada no meio da mal disfarçada "admiração" da AI que só tem mais mais 1 mês e 18 dias que eu!!
Eu bem disse, AI... esse cabelinho white and black..
Concluindo e resumindo: A BORBOLETA FOI-SE. OBRIGADA A TODOS PELO VOSSO APOIO, PELAS VISITAS, PELAS MENSAGENS, PELOS TELEFONEMAS, PELAS GARGALHADAS, PELOS SORRISOS

terça-feira, 27 de abril de 2010

HASTA LA VISTA

Lá vou eu.
De armas e bagagens para outro SPA.
Desta a estada vai ser curta. É só para tirar o resto da minha borboleta.
Beijos e ... hasta la vista!!

segunda-feira, 26 de abril de 2010

CUIDADO COM O MONSTRO!!!

Há coisas que se não fossem proferidas por tão doutas personalidades eram hilariantes e, certamente, serviriam para criar um daqueles mails anedóticos que percorrem o mundo!!Sendo ditas por ilustres personagens do meio académico universitário, deixam-nos que pensar, reflectir, meio apreensivos sobre a formação de parte da camada universitária portuguesa.
Hoje, dei com um artigo de opinião, na última página de um jornal diário de grande tiragem, do qual deixo alguns excertos, dispensando comentários.

Construção de um monstro

por JOÃO CÉSAR DAS NEVES

As coisas à distância surgem alteradas. (…). Por isso, por muito que surpreenda, é provável que José Sócrates fique na história de forma distinta daquela como o vemos, como o monstro que vandalizou a família e a cultura portuguesas.

Em breve desaparecerão as questões que hoje dominam a política nacional. Défices, escândalos, obras, reformas parecerão detalhes ínfimos aos nossos descendentes. Aquilo que chocará o futuro são sem dúvida as tentativas radicais e atabalhoadas na legislação da família.

Em lugar destacado está a lei do aborto de 2007, responsável pelo morticínio de milhares. (…)O aborto é apenas um aspecto, de longe o mais sangrento, da vasta investida recente contra a vida. A "lei da procriação medicamente assistida" de 2006 assumiu um regime laxista e irresponsável na protecção ao embrião humano, ultrapassando o pior do mundo. As leis do divórcio de 2008 e uniões de facto de 2009 constituem enormes atentados à instituição familiar, só comparáveis à campanha de 2010 pelo casamento do mesmo sexo. Mais influente, o Estado sob a capa de educação sexual impõe às crianças e jovens a sua ideologia frouxa e lasciva. A tolice atinge o paroxismo em detalhes ridículos, como as praias de nudistas onde se anuncia regulamentação.(…)

O futuro não compreenderá que o Governo não só não o note mas se encarnice em agravá-lo. As gerações vindouras só o entenderão atribuindo-o a um magno plano malévolo, como fazemos a Nero, Napoleão ou Hitler. A teoria vácua da "modernidade" invocada em discursos, será vista como capa para propósitos sinistros, cultos sexuais, taras pessoais, desequilíbrios doentios.

QUE CAMPOS LEXICAIS E TEORIAS VÁCUAS ANDAM A ENSINAR PARA AQUELES LADOS?

Nota da bloguista: a leitura do post não dispensa a leitura na integra do artigo publicado no Diário de Notícias, do dia 26 de Abril, pg 54 ou em

http://dn.sapo.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=1553229&seccao=Jo%E3o%20C%E9sar%20das%20Neves&tag=Opini%E3o%20-%20Em%20Foco, a fim do leitor melhor perceber o enquadramento e a gravidade da situação!

Goodbye SPA

Depois do almoço, entrei na capela pela última vez. Já não me lembro de como estava o dia pela 1ª vez que ali fui. Era um domingo do princípio de Março. Parece que foi há tanto tempo e no entanto...,mas hoje estava sol. Um sol de primavera com um calor insuportável de verão.
E é essa primavera de esperança que sinto nesse espaço que me ficará gravado para sempre de tão querido e de tão importante que foi. Senti nele paz , serenidade e muito que não consigo explicar, cada vez que estou sentada naqueles bancos, olho para a clarabóia e alcanço o céu.
Despedi-me com um sorriso simpático de todos eles, dos quinze (faz-me lembrar a CEE quando nós entrámos, o grupo dos 15). Mas para a I. e para o J. o sorriso, além de simpático, foi meigo e doce. Mais dois amigos, a juntar à V., a irreverente V., e ao P. Com o J., ficou a promessa do lanche na Guia e do jantar nos Arcos, assim que os dois estivermos em condições de...
E sinto que o sorriso não foi nenhuma máscara. Veio de dentro. Era calmo, tranquilo. Estava segura. Parti tranquilamente para outro SPA.
A ansiedade da última semana, o aperto no peito, o nó na garganta sumiram.
A conversa de ontem com o Enfant Terrible fez-me bem. E este sítio é sempre um bálsamo. Ainda hoje deixei escapar umas boas gargalhadas no seio do grupo dos 15. Ora são as gargalhadas, ora as opiniões que "opino" e que poucos contestam. Como aquela parte de mim permanece igual a mim própria, my Lord!! Como continuo a adorar o meu público! Seja pelo vulcão, seja pela visita do Papa, opinar é a palavra chave! Só espero que não me cortem o pio, quando cortarem a borboleta!!!!!
Não sei calar! Mas entre o opinar e o opinar, folga o coração... e vá de opinar!
E volta o disco ao princípio.
O farewell. O J. chorou. Aquele colosso de homem, com 1,80m chorou mesmo. Não só chorou, como me tratou por tu, pela primeira vez, enquanto dizia "não vais mesmo quebrar o contacto comigo".
Eu, meio atrapalhada por ver um gentleman naqueles "assados", aproveitei a deixa e respondi: " Acho que está mesmo na altura de ir embora, pois isto de se tratar uma lady por tu, não é coisa que me agrade". Coloquei o meu melhor sorriso, agora com máscara, os óculos de sol para disfarçar as lágrimas que queriam acompanhar as do J. e fui.

sábado, 24 de abril de 2010

Olhar do avô

"João, acorda, depressa, levanta-te, há um golpe de estado! Acorda a menina."
Não foi preciso acordar a menina, naquela madrugada de há 36 anos atrás. A menina acordou, sobressaltada com a aflição da avó, aquela mulher que ela se habituara a ver como um pilar de força, de resistência, de coragem, de energia, de firmeza.
E depois, que palavras eram aquelas" Golpe de Estado"? A menina nunca ouvira aquelas duas palavras conjugadas!
Sabia o que era um golpe. Golpe, para a menina, que tinha dez anos, em 1974, era uma ferida. Ainda não sabia que poderia aplicar-se a palavra "golpe" a sentimentos, como sinónimo de "facada" pelas costas, a actos de cobardia. E Estado, era Estado de Nação ou estado do verbo estar. Que confusão! A Nação tinha uma ferida? Quem tinha feito uma ferida à Nação? Onde era a ferida da Nação?
Avó, o que se está a passar? Avô, o que aconteceu?
Era de madrugada. Sim, a avó levantava-se cedo, muito cedo, ainda o sol estava a nascer lá para as bandas da democracia ou do comunismo por isso ela sabia tanto, trazia sempre as notícias muito frescas, tal como as frutas e as hortaliças que vendia no seu "lugar" na Av. dos Pescadores, nº 95, onde a menina cresceu, desde os seus quatro dias de idade.
Mas aquele dia foi diferente. Se foi...
A avó fez tudo direitinho, mas estava nervosa, muito nervosa. Telefonava para o pai da menina, que apareceu pouco tempo depois. Ninguém sabia muito bem o que fazer. A menina foi para a escola, mas a professora mandou todos para casa. E a menina continuava sem saber quem tinha feito uma ferida na Nação! Que coisa, ninguém explicava nada.
Na loja da avó, todos queriam comprar tudo, mas a avó, o avô e o pai , também queriam guardar muita coisa para casa. O pai da menina, foi a uma das malhadas e matou um porco que trouxe para casa da avó e colocou o animal morto, esventrado no chão, no meio da cozinha. Até o armazenamento de pilhas não foi deixado ao acaso, pois a electricidade podia faltar, porque "nunca se sabe no que pode dar o golpe de estado". A casa da avó parecia que era uma espécie de Natal, mas sem presentes, decorações e com alguma apreensão. A menina nada entendia. A família reuniu-se toda lá. Depois começaram a perguntar por umas pessoas que ela nunca ouvira falar antes. "Onde se meteu o Spinola?", entre outros. Tudo estava colado à televisão. O avó preferia ter o transístor, como ele chamava, colado ao ouvido. A menina não percebeu muito bem porque os olhos do avô, na altura com 77 anos, brilhavam tanto com a ferida que tinham feito à Nação.
E, durante algum tempo, ninguém explicou à menina o que era "Golpe de Estado", mas o brilho que era vira nos olhos do avô chegou para a tranquilizar.
Mas depressa aprendeu o que era, ou o que tinha sido um Golpe de Estado. Ouviu da boca do seu avô o testemunho de uma Nação que ela não conhecia e compreendeu o porquê do brilho do seu olhar naquele dia. Percebeu a "felizarda" que tinha sido por ter chegado aos 10 anos de idade sem saber o significado da expressão "Golpe de Estado". A eles, seus avós, o agradece.

Poully

Ufa! Se ontem estava complicado, hoje ainda está pior!
Decidi fazer limpezas. É uma óptima terapia... Mas levantei-me à uma da tarde. "Empastela" aqui, atrasa acolá, atende telefone depois, responde a mensagem a seguir, vê os mails logo após. E se mais desculpas houvesse, mais tarde me levantava da cama. Mas ainda há uma desculpa. O blog. Que escrever hoje? Não me apetece nada de "pesadote". O filme de ontem (o que passou na tela), Green Zone, até foi interessante, mas não apetece falar. Todos já sabem que nunca houve armas químicas no Iraque, tal como todos já perceberam que a conversa da gripe A foi mais uma de alguns "estrelados" dos States para meterem uns milhões aos bolsos. Brrr.... Que coisa! Ainda bem que há fenómenos naturais como o vulcão, coisas em possamos confiar! E o meu bicharoco também.
O Vulcão não é invenção de nenhum "estrelado" dos States, mas deu muita dor de cabeça a muita gente. O meu bicharoco também não é invenção de nenhuma cabeça, mas está a dar alguma dor de cabeça a algumas pessoas. Mas a mim não. Já estou habituada a lidar com bicharocos.
Aí está um bom assunto para um post. Lembrei-me do bicharoco de que mais gostei, o meu Poully. Foi numa fase muito difícil da minha vida que entendi que tinha de ter um caozinho para me fazer companhia. Fui escolhê-lo ao canil municipal. Entendi fazer misericórdia. Sim, também é possível fazer misericórdia com os animais. Em vez de pagar uma fortuna por um animal, salvei um de uma morte certa. Foi amor à primeira vista. Aquela coisinha abanava a cauda, corria na minha direcção, atirava-se às minhas pernas, ladrava sem parar.
Na altura, estava indecisa entre este e um bem maior. O Carlos queria o outro, à Pat, tanto fazia. Eu escolhi aquele, que não me largava. Como os miúdos só opinavam através de telefone, foi fácil enganar o Carlos.
Segui-se o veterinário. Diagnosticou-lhe uma otite, uma ferida no pescoço. Registou-o devidamente. 4 meses. Primeiro chamei-lhe Lizt. Depois, houve Conselho Familiar, com a madrinha, a PS, que entendeu dar-lhe um nome de um químico célebre e ficou Poully, de sua graça.
O Poully era outro Enfant Terrible. Roia tudo. Paredes, rodapés, fios de electricidade. Fazia as necessidades onde bem entendia, desde que fosse dentro de casa. Acordava-me, impiedosamente, às seis da matina, para ir vadiar, sem rumo e sem qualquer objectivo sanitário. Adorava dormir agarradinho a mim, ou seja, enroscadinho em mim.
Fugiu uma vez e eu desesperei. Coloquei anúncios em todos os cafés e veterinários. Por sorte, lá recebi um telefonema de um simpático senhor, que tinha encontrado o Poully, achado imeeennsaaaa piada, ido com ele ao veterinário, registado-o, (agora chamava-se qq coisa como Pantufa) e blá, blá, blá, são só 100 € de gastos por perdas e danos com o "seu" Poully.
Uma noite, enquanto o meu enfermeiro dormia a sono solto, eu caí, bati com a cabeça na parede e devo ter desmaido. Só me lembro de ter acordado com as lambidelas do Poully e o sangue a escorrer-me pelas narinas. Claro que o enfermeiro Carlos continuava a dormir o seu sono.
Até que um dia o Poully se fartou de ser cão, enfant terrible, enfermeiro nas horas vagas, aio de companhia nas horas de serviço e, sem eu saber como, foi procurar outro emprego onde lhe dessem o seu devido valor. Nunca mais o vi. Não houve cartaz que me valesse. Nunca mais me esqueci dele e, embora já tenham passado alguns anos, ainda tenho as fotos dele espalhadas pela casa, como se tivesse sido um membro da família...
E, com esta conversa toda, são quase três da tarde e nem no pano do pó peguei!!...
P.S.: O meu Poully está aí ao lado.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Amarga e doce

Uma página em branco para começar a escrever tudo de novo, poderia começar assim.
Mas ontem foi o dia da terra e eu, prof. de Ciências, nem tugi nem mugi. Que vergonha!! Talvez hoje pudesse dizer qualquer coisa...
Também ontem, dois alunos de uma escola onde uma amiga minha é professora e uma digna representante de um mui digno órgão de administração escolar faleceram e a comunicação social conseguirá maneira de arranjar uma pontinha de culpa para imputar à “porcaria” da escola.
Para já, são as saídas da escola que não são devidamente controladas e os técnicos da da escola que se recusaram(!) ir prestar apoio a casa dos familiares dos alunos falecidos!
Deveria vir em defesa da instituição. Afinal sei o que é gerir uma escola. E também sei o que são os ataques da dita comunicação social…Enfim, tempos idos. Uma palavra não ficava mal, mas não. Issa dá pano para mangas, não estou para aí virada.
Também deixo de lado as alterações legais e as demais que são produzidas a metro ou ao kilo pelas equipas que pisam as alcatifas do nº 107 das traseiras da antiga Feira Popular de Lisboa. Essas, não carecem dos meus comentários, pois canso-me de comentar o que vaticinei há tanto, quando era apontada como a “velha do contra”.
Volto-me para o amargo e doce.
Ontem, antes de adormecer, tomei consciência de mim, do tempo e do espaço. Peguei no “Clandestino” (pois já passava das 21h e no SPA, depois das 21h, não há telemóveis… ) e mandei uma mensagem que dizia assim:
“Sabes no que estou a pensar? Q esta é a minha última noite aqui. Nostalgia por um lado, mas sensação de liberdade pelo outro”.
Algumas horas mais tarde (só vi hoje de manhã), a resposta chegava:
“ É mais do q natural essa sensação amarga e doce…Espero que já estejas a dormir. Bjs
Mês e meio de SPA terminou hoje. Segunda ainda volto para as despedidas formais, papelada, para o último “banho”. Depois é fazer as malas para o outro SPA. Desta vez, as águas termais vão ser substíuidas por outros processos terapêuticos bem mais aguçados e incisivos. Coisas bem mais afiadinhas.
Feito o balanço, foi um tempo que deixa saudade. Um tempo de reestruturação do corpo e reorganização do pensamento. Um tempo feito de regras e de novas amizades. Um tempo que cicatrizou as feridas que levava e que me preparou para abrir aquelas que ainda estavam escondidas. Um tempo que me ensinou uma palavra que eu teimava em não conhecer – Esperança.
Afinal podia ter começado pela primeira frase, não podia? Sou mesmo parva!!!

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Dá-me música

Ah, não há nada como o tempo para assentar a poeira, reparar os estragos (menos os que ele próprio provoca, aqueles... os do PDI), sarar as feridas (todas e mais algumas) e sobretudo, dar-me razão!!
E deixo-me de falsas modéstias. COMO EU GOSTO DE TER RAZÃO!!
Quem se lembra de cerca 120 000 anjinhos felizes e contentes, há cerca de uns meses atrás, pela altura do Natal? Cantarolavam cantigos de Natal, misturados com as Janeiras antecipadas, hinos de vitória "Somos 120 000 conseguimos" e o famoso "Adeus, Lurdinhas, vais partir". Lembram-se?
Mas eu, que sempre adorei ser do contra e, só esse facto poderá justificar o meu amor desmedido pelo FCP e o desgosto do papá, avisava "Atrás de mim virá quem de bom de mim fará...".
Oh Ana! Por favor, não vês?? Pelo menos negoceia!!"
Sim, sim, charme, muito charme, de sorrisos, de gesticular de mãos, de arte de muito falar sem nada dizer. Como eu, lá no meu blog, o SHE!!
Hoje, lembrei-me dessas conversas, quando hoje vi o post da Helena.
http://inverno-em-lisboa.blogspot.com/

Para quem não se lembra do meu post, em Dezembro,
http://shetelinha.blogspot.com/2009/12/musica.html

Agora digam lá quem tinha razão!!!
Foi só para recordar os mais esquecidos: ex-titulares, ex-quase titulares, ex-só professores.
Bj.
P.S.:Aqui no SPA somos todos só UTENTES (do quê? pois da EPAL. Não há SPA sem água, certo?)

quarta-feira, 21 de abril de 2010

INVERNO EM LISBOA: SERVE, ANA?

A Helena do blog Inverno em Lisboa, fez-me esta surpresa.
Depois de eu reclamar com as notícias ácidas que ela publicava à laia de sobremesa, "dedicou-me" este post, ameaçando de vez dar conta dessa barra verde aí de cima. Já a informei que a minha sobremesa favorita são Crepes Mikado.
mas é uma "Krida", não é?
Obrigada, Helena!
INVERNO EM LISBOA: SERVE, ANA?

Alucinações

Aqui no SPA divido o quarto com uma outra Ana, também mãe de uma adolescente de 17 anos.
Hoje, depois da sessão do movimento sem relaxamento, que arrasou fisicamente com as duas "jovens" mães e do almoço estavamos ambas no quarto, quando alguém bateu à porta e disse: D. Ana, a sua filha.
Como a minha colega Ana se manteve impávida e serena, eu desviei o olhar em direcção à porta. Contra a luz, vi um vulto. Uma miúda algo alta, esguia, cabelos longos.
Pat! Não pode ser! Que aconteceu?!
Um turbilhão de pensamentos, um ciclone de emoções tomaram literalmente conta de mim! As pernas pesavam. A voz prendia.
A minha colega da cama do lado continuava sentada, calma e serena, esperando que a visita entrasse no quarto. Eu, a muito custo, combatendo desesperadamente toda aquela descarga de emoções, tentava dizer "Filha, Paaatt, Paatttrrí", mas nada conseguia dizer. A visita, como que em câmara lenta, movia-se lentamente, em nossa direcção.
Graças a Deus, a minha voz empastelou mesmo. Ainda bem que as pernas prenderam e eu não corri direito à porta.
É que assim não fiz figura de "generala" com alucinações.
É que não era a minha filha, a Pat. Era a filha da Ana, minha colega de quarto.
E a Ana achou a sua visita uma coisa tão natural "como a sua sede", que nem sequer se levantou da sua cama para a ir receber à porta. A garota entrou, cumprimentou a mãe, disse-me boa tarde e ficaram as duas a falar.
Eu saí. Não é bonito ficar a ouvir conversas de mãe e filha.
Depois de tanta alucinação, até que fiquei satisfeita. Afinal não morreu ninguém lá para as minhas bandas!!

Sanum per friends

Hoje é quarta feira. É o célebre dia da sessão de movimento e de relaxamento. Aquele dia difíciilll!!
Se juntarem a isto, o countdown, o apetite por doces (agora descobri uma nova variedade - Brownies- que ameaça impiedosamente aquela barrinha aí de cima disparar na direcção contrária) e o célebre dia vigésimo oitavo do calendário feminino, está tudo dito. Se bem que neste mês, este dia, tem uma particularidade. Pelas minha contas, que raramente falham, este dia, vai coincidir no exacto momento em que eu estiver a fazer o difícil transbordo da maca para a mesa de operações. Com alguma perícia, aquela operação tão delicada de "mova o rabito para a direita, agora mais para baixo, agora puxe para cima", vai ser o suficiente, para contrair algum musculuzito mais atrevidote e zaz, paz, traz, ei-lo, em todo e seu esplendor. Dor que não sinto, pois estarei anestesiada e, mais sangue, menos sangue, irá tudo parar ao mesmo, certo? Já estou por tudo. Mais decadência, menos decadência, é preciso é espírito de "descontra" e, por vezes, muito, mas muito hamor, desculpem, enganei-me, queria dizer humor.
Mas isto tudo para dizer que hoje, a generala, sem querer, mudou as regras. Não houve relaxamento. Quando chegou àquela parte chata dos colchões no chão, da música do mar, dos olhos fechados e de transportar o pensamento para um sítio tranquilo, olhei para a terapeuta e disse que ia fazer pesos, dos bens pesados, mais pesados do que a alma. Os meus colegas do SPA colocaram-se a meu lado. De repente, ninguém queria fazer a actividade preferida. Estava tudo cheio de "pica". "Vamos continuar com o movimento. Vamos dançar. " Pensei: pior a emenda que o soneto. Dançar. Adoro dançar, mas há quantos anos não danço?" E o imenso ginásio transformou-se numa enorme pista de dança. Duas filas. Música brasileira, mesmo pimba, de Carnaval, como não ouvia séculos. Muito dancei eu. Até senti vergonha. Juro que senti. A imagem de generala deve ter ficado um pouco amachucada. Os generais nunca dançam, tal como os Homens nunca choram. Mas eu dancei, os meus colegas não relaxaram, dançaram comigo e por mim. E, afinal de contas, as calorias que perdi, já deram para mais um Brownie, só não sei é quando...

terça-feira, 20 de abril de 2010

COUNTDOWN




Aos poucos e poucos parece que tudo vai tomando forma, adquirindo contornos de realidade, de inevitabilidade, quase que de gente.
Não, não é a a festança das águias lá para os lados das minhas Antas, nada disso, se bem que até possa coincidir no tempo.
É mesmo o resto da minha borboleta que vai ao "ar". E com ela uma série de estruturas "dispensáveis" as quais vão tornar o meu pescocinho ainda mais esbelto.
No meio de isto tudo, a data, já marcada, é que é chata.
Sei que o meu FCP não vai facilitar a vida ao SLB e eu não vou conseguir gritar a vitória do dragão, e o adiar do sonho das águias. Mas pronto... que se há-de fazer????
Pelo menos, venha o jantar na Bica do Sapato, após a minha recuperação!!
O meu filho fez hoje exame de condução. Aquele enfant terrible, que conseguiu fazer exame de código à primeira, sem nunca olhar para o livro de código, chumbou na condução. Vocês acreditam nisto?
Pensando bem, foi um alívio para mim. Já imaginava o meu coração de manteiga e mel de mãe, perdido e derretido de encantos por aquele olhar meigo, a emprestar-lhe o meu carro à sexta à noite. Há males que vêem por bem. Graças a Deus, ainda bem que ele chumbou!! Baixou-lhe a crista e deixa-me respirar fundo, antes da Knaifada, depois, logo se verá.
Eu nunca apoiei mesmo esta loucura do menino tirar a cartinha de condução...


sábado, 17 de abril de 2010

Help- dêem-me a vossa opinião!!

Sou uma mulher precavida. Gosto de tratar as coisas com tempo. Não gosto de surpresas de última hora. Todos os que me conhecem, sabem que gosto muito, demasiado, de tomar as minhas decisões. Sou decidida e determinada. À medida que a idade vai avançando, vou valorizando a opinião dos amigos, dos que me estão próximo, daqueles que vou conhecendo.
Esta não é uma fase fácil da minha vida, como já se aperceberam. Trato de deixar tudo mais ou menos em ordem, antes da "Knifada".
Depois da dita, virei para casa, em condições miserabilistas (já sei, pois há três meses sei como foi...) e apenas os olhos posso mexer. Portanto, quem vai o para o mar... em terra, isso mesmo!
Ora ai está o ponto a que queria chegar.
Pensei, pensei, pensei.
Não gosto de pesar a ninguém. Isto de filhos adolescentes, papás quase nos setenta, amigas com resmas de turmas e paletes de filhos, não dá.
Portanto, o melhor mesmo, é juntar o útil ao agradável e arranjar assim uma "companhia" de serviço.
Fiz umas pesquisas na net e eis o que veio à rede.

Primeira alternativa

Vantagens:
-Não fazem greve
- Facilmente programáveis
- Não reclamam
- Não sujam a tampa da sanita
- Não deixam o lavatório sujo com creme da barba ou pasta de dentes
- Não fumam
-Não chegam atrasados
- Não têm mau hálito
- Não ressonam
- Não têm mãe a quem prestar contas

Desvantagens:
- Não sabem iludir com mentiras romântica
- Fazem barulho ao movimentarem-se
- Não têm sentido de humor


Segunda Alternativa




ou



Desvantagens:
- Têm vida própria
- Pensam por si próprios
- Não são programáveis
- Muito concorridos
- Sujam a tampa da sanita, o lavatório
- Fumam e bebem
- Têm mau hálito
- Ressonam
- Chegam atrasados
- São humanos, como tal, erram
- Adquirem manias, vícios
- Trazem sogra atrás


Vantagens:
- Têm poderes mágicos de cura
- Transportam-nos de uma forma mais "cómoda"
- Podem ter sentido de humor
- Conseguem fazer-nos sentir "pricipescas"
- São uns "adoráveis " aldrabões.


Bom, como vêem, é um assunto de extrema importância. Peço-vos, encarecidamente, que deixem a vossa opinião.

Brrrr!!!


Este texto insere-se no desafio do blogGincana para o mês de Abril - Safadezas do Blogger -


Brrrrr!!
Nem tarde nem cedo! É já! Antes que o xanax produza efeito!
Como é possível?? Ligo o PC. Verifico, no e-mail, os comentários ao post de ontem. Publico-os directamente a partir do e-mail. Vou ao blog para os comentar. Não estão lá. Evaporaram-de em menos de 5 segundos. Volto atrás. Tento ludibriar a informática e seguir outros caminhos. Vou pela moderação de comentários. "Não existem comentários para moderação".
Estarei louca?? Não precisam de responder!!!I Know, I know, I Know!
É que eu já não sou propriamente uma debutante nestas coisas!
Lembro-me, a princípio, muito a medo, as minhas tentativas de construir um blog. O layout que mudava todos os dias. Depois os posts que apareciam todos certinhos no rascunho e no post final dasalinhados, os parágrafos com metros de intervalo. Quando queria inserir um banner... aí. Aí, chamava a AI, que não estava nem aí e vá de clicar em todos os botões. Mas a melhor de todas foi a publicação de um vídeo do Carlos, o do fado. Muitas horas demorou aquela coisa a carregar. Carregando, carregando e eu desesperando, deseperando. Desesperando e ele carrgando e a minha paciência enchendo... Nem pelo Carlos... Chega ao fim e diz video carregado. Eu, vitoriosamente, carrego PUBLICAR. Aparece post publicado, ou coisa asim. Clico ver post. Queria, desejava, ansiava por ver a minha homenagem à voz que mais aprecio. Quando carrego no play, aparece um quadrado, mais negro do que a minha triste vida, dizendo uma palavrão qualquer em inglês (buffering) e uma espécie de ampulheta mas em forma de círculo, às voltas, às voltas e mais voltas e do meu Carlos, que tinha demorado horas infinitas a carregar a sua voz límpida, nada.
Hoje, foram os comentários que desapareceram... assustaram-se com o canhão.
E como isso tudo não chegasse, ainda vejo selos ostensivamente publicados em blogs que sigo, a dizer "blogs certinhos"!!!!!! Brrrrrrrrrrrr!!!!!!!!!

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Un, deux, trois – FIRE



Esta vai ser difícil. Penosa. Dolorosa.
Esta vai marcar o início “oficial” de uma caminhada. Estou farta de “sururus”. Não gosto de enviar mails para se lerem nas entrelinhas, nem “fazer caixinha” com assuntos reais, demasiada e dolorosamente concretos. Entendi que já chega de tabu. (Não do perfume que fez história, mas desse também já chega!).
Hoje saí do meu SPA, que afinal quer dizer “Sanum per Acqua” (a informação é à borla) e vim direita para a consulta de cirurgia do Hospital do Montijo. Again.
A última vez que lá estive foi no dia 1 de Abril, quando me foi comunicado o resultado da Anatomia Patológica da porção que me extraíram da tiróide ( à qual eu carinhosamente chamo de borboleta).
Nesse dia, entre trocas de cumprimentos, formalidades médico-legais, comentários sobre o tempo e sobre o fim de semana da Páscoa, lembrei-me de perguntar pelo resultado do exame da parte extraída da minha borboleta.
“Ah! Ainda não o li! Ora vamos lá ler os dois.” E como o Sr. Dr. até sabe que eu tenho uns conhecimentoszitos lá perdidos e muito vagos na matéria, desviou, amavelmente, o processo na minha direcção, de modo a facultar-me a leitura.
Os meus olhos, de lince, como alguém já lhe chamou, pela facilidade de captar o essencial, focalizaram-se de imediato naquela expressão que se repetia, por duas vezes: “Carcinoma papilar com ruptura da cápsula.”
O Sr. Dr. deveria ter o papel dentro do processo há cerca de uns dois meses, mas ainda não o tinha lido, confessava. Eu é que sou muito curiosa e perguntei pelo resultado da análise de parte da borboleta que tinham amputado, ia para quase dois meses. E agora? E agora, Dr? Tenho um câncro?!
Só me lembro de ter saído, ligado para um número e entre soluços e lágrimas dizer: “Papá, eram dois! Tinha dois câncros. Não sei o que deixaram. Vou ter de ser operada novamente e depois sujeita às quimioterapias e outras coisas tais. Os que tiraram já estavam fora das cápsulas.”
Os meus gestos mecanizaram-se. Entrei no carro de uma forma mecânica. Mandei uma sms para uma amiga que me devolveu perguntando se era a piada do 1 de Abril. E o resto não me lembro. Entorpeci. Desacreditei e voltei a acreditar. Apeteceu-me calar e gritar.Queria fugir e ficar. Chorar e rir. Fiz votos contraditórios. Promessas loucas, sem sentido, vãs.
Recebi as tristes notícias do falecimento de duas colegas, vencidas pelo mesmo bichinho e acho que foi aqui que comecei a reagir.
Valeram-me as amigas, as quais dispenso nomear. Valeu-me este espaço. Valeu-me cada um de vós e os vossos comentários às maluquices que ia publicando, ora dizendo que me calaria para sempre, ora dizendo que só publicaria ao fim de semana, ora falando num ciclo de vida que se fechava.
Valeu-me o meu SPA, pois cada vez que uma lágrima teimava em sair, lá estava todo o batalhão pronto para animar a “generala”.
E os meus filhos? L’ Enfant Terrible? Esse é o que mais me preocupa. Para já… um dia de cada vez.
Mas hoje, hoje decidi que a Ana é a “velha” Ana! A dragoa. Não é uma Leoa que se vê ao espelho todos os dias. É mesmo uma dragoa!
Deixo-me de lutas veladas e, como boa aldeã, enfrento o touro pelos c…… (Não digo palavrões, pois os EE…). Comecei, discretamente, uma luta, em nome de uma colega, ao colocar “a foto” do bichinho no blog com o título “Luta contra este bichinho”. Depois a imagem de uma cintigrafia da borboleta sã.
Hoje, fui direita a “Deus” em vez de passar pelo “Santo”. Fui falar com o chefe de serviço da cirurgia e tratar de acertar tudo para a nova “Knifada”.
Bem ou mal, tenho sido uma mulher de grandes decisões. “Dona e senhora” do meu destino; Capitã da minha alma. (a poesia inglesa está na moda). Tenho lutado pelo aquilo que quero e que acredito.
Sou a Ana, que ainda há uns dias atrás fazia a V., de 17 anos, rir até às lágrimas no SPA, apenas com a minha descontracção natural (ou humor nato, sei lá); ou que fez uma gaita algarvia de 51 anos repensar a sua vida até ao tutano, porque sou uma romântica incurável. Sou a mesma Ana, que teve força para conduzir os destinos de uma escola durante 11 anos. Sou a Ana que gosta de uma boa conversa, que adora uma boa gargalhada, que não teme um desafio.
Sou a Ana que de cada limão arranja sempre jeito de fazer uma limonada (quem se lembra desta?).
Ele pode vencer. Ele pode levar o meu corpo. Mas juro-vos, leva o pacote completo: O corpo, a persistência, a perseverança, a firmeza, a teimosia, a paixão, o sonho, o humor e o sorriso. Tudo junto et ensemble.



Leituras


"Quando estavam juntos, as coisas saíam-lhes espontâneas e em pleno: o riso e as lágrimas, a revelação e a cumplicidade, o desejo e a ternura, o respeito e o atrevimento, a sedução e o prazer. Enfim, tudo. Havia tanta doçura entre eles, tanta compreensão, que às vezes parecia que eram um casal com muitos anos de coexistência. Era fantástico conversar com ela à desgarrada. As ideias fluíam sempre, sempre, sem entupimentos nem embaraços. E fluíam lá no âmago ou muito perto dele. (...).Sofria a falta do seu espírito, da sua voz e do seu riso. Não queria sequer imaginar a desolação da sua vida sem ela. Mas, ao mesmo tempo que se alegrava com o reatar da relação, teve, pela primeira vez, a nítida percepção de que Elvira significava uma de mistura indizível prazer e de recorrente dor. Muitos diziam que essas duas vertentes estavam inevitavelmente ligadas num amor a sério. Estaria ele suficientemente preparado para lidar com a vertigem e as exigências emocionais daquele amor?"
João Pedro Marques, in Os dias da Febre

quinta-feira, 15 de abril de 2010

IRS



Olá!
Hoje estou bem mais “recomposta”.
Recebi o meu IRS!!! Dá para fazer um cruzeiro desses bem ao jeito do daquela série de TV, como é que se chamava? O Barco do Amor! Era isso!! O Barco do Amor, mas na versão 2010, mais luxuoso, com uns brutos SPAs (sim, depois deste..) e nada de tripulação loura de olhos azuis, musculada, com pronúncia nasal e na casa dos trinta. Aprecio muito a raça latina, pronúncia romana (italiana, francesa, quiça sul americana…) e a faixa dos “entas”.
Quero uma coisa em grande. O meu baptismo oceânico. Já escolhi a rota.
Da infindável lista de destinos de sonho, comecei por riscar a Veneza da Teresa, por ser o mais perto de todos.
Tenho uma teoria. Enquanto for jovem, bela e com forças, devo visitar os locais mais remotos, peregrinos, reservando para depois os destinos mais próximos, por muito belos e aconselháveis que eles o sejam.
Pela mesma ordem de razão, apaguei da lista, os Fiordes da Noruega, as Capitais do Báltico e S. Petersburg.
Das redondezas, restava aqui o Norte de África, o Egipto, a Grécia e outros sítios sinónimos de calor, pedras, buracos, calhaus, pó, mosquitos, insectos. Desculpem, mas esses, nem agora, nem depois. NEVER. Recuso-me. A minha pele, demasiado sensível, demasiado caucasiana, os meus olhos e a cicatriz da minha borboleta não permitem tais afrontos.
Bom, lá cheguei a um destino: Patagónia e Antárctida.
Hemisfério sul e a sua estrela - o cruzeiro do sul - o frio, os pinguins, os leões marinhos. O Chile, a Argentina, o Brasil. O Pacífico.
Imagino-me, tal como Kate Winslet, na proa do deck superior do meu Love Boat, no final da tarde, cruzando a linha do equador, algures ao largo das Galápagos, dizendo adeus às tartarugas gigantes de Darwin.Vestida a rigor, de branco, para ser recebida pelo Deus dos Mares, Neptuno e pela Estrela do Sul. Cabelos negros ao vento, sorriso espelhado no rosto, uma echarpe esvoaçante para compor o cenário e proteger a “costurazeca” da minha borboleta , e um copo para brindar ao sr.FT dos Santos e ao PEC. Alguem quer quer vir?

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Pedofilia e Homossexualidade




Definitivamente. Estes dias são mesmo para me sacudir, para me libertar deste estado de semi letargia em que por vezes pareço mergulhar.
Hoje só vi os jornais perto da hora do almoço. De manhã tive a famosa sessão semanal de movimento e relaxamento. Escusado será dizer que para mim a parte do movimento é o verdadeiro espaço de relaxamento e que a hora de relaxamento, quando a terapeuta coloca aquela música com sons do mar, nos manda deitar nos colchões, fechar os olhos e transportar a nossa mente para um sítio aprazível, sozinhos ou acompanhados, então aí, … aí começa o verdadeiro movimento dos meus neurónios, a viajar de sítio para sítio, tentando encontrar um local onde se sintam verdadeiramente bem.
Hoje foi terrível. Hoje, relaxamento, não deu. A única coisa que relaxou, que seguiu a lei da gravidade, foram as duas lagrimazitas que teimaram em sair dos sacos lacrimais, quando a terapeuta mandou contrair os olhos com muita força, muita força, muita força e depois relaxá-los.
Bom, voltando aos jornais diários.
Parece que o Cardeal italiano TB, braço direito de Bento XVI, homem forte do Vaticano, uma espécie de 1º Ministro de lá do sítio, veio a público relacionar a pedofilia com a homossexualidade, excluindo o celibato. Diz ainda o mesmo cardeal que estudos (!) levados a cabo por muitos sociólogos, muitos psiquiatras, “não há uma relação entre celibato e pedofilia, mas muitos (!) outros demonstraram, e disseram-mo (!!) recentemente, que há uma relação entre homossexualidade e pedofilia.”
Não tenho palavras para expressar a minha estupefacção perante esta notícia. Não se trata de uma sermão qualquer, de um padre qualquer, de uma paróquia qualquer, perdida num monte qualquer, de uma província qualquer, de um país qualquer! Trata-se de uma afirmação do número dois da hierarquia da Igreja, apoiada em estudos científicos(?) cujas fontes ficam por revelar.(!!)
Após as desculpas apresentadas pelos dois últimos Papas à Humanidade pelos crimes cometidos pela Santa Inquisição e pela perseguição ao povo Judeu, será que estamos prestes a assistir a uma nova perseguição, por parte da Santa Madre Igreja?
Será que ainda vamos assistir a um casamento de conveniência, vindo da catolicíssima Espanha de Zapatero (tal como em 1448, o casamento de D. Manuel I e com ele compromisso de expulsar os judeus de Portugal), com o compromisso de expulsar a comunidade gay do nosso país?
É assim que a Igreja Católica pretende continuar a acompanhar a evolução e as reais necessidades dos seus fiéis em particular e da sociedade em geral? Ou prefere continuar abrir pequenos nichos para as Igrejas de Multibanco no Altar, as quais a todos recebem, a todos acolhem, a todos entendem e a todos “ajudam”?
Para terminar, congratulo o nosso meio científico por classificar de “intelectualmente desonesto” e “desprovido de sentido científico” as informações transmitidas por esse senhor Cardeal TB, nº 2 da hierarquia da Igreja Católica, responsável pelas Finanças da Santa Sé e Líder do Colégio dos Cardeais (que irá escolher o futuro Papa após a morte de Bento XVI). Haverá alguém com mais poder dentro daquele Estado?

P. S.. Doutoras da História, se cometi alguma argolada, desculpem….
P.S.2. Arrisco-me a ir para a fogueira (no minimo). Qual era a prisão da Inquisição aqui por estas bandas? Caxias? Essa era do Estado Novo. Mas mal por mal, sempre ficava perto do mar. Aljube? Bugio. Prefiro Bugio
.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Pena de Morte



Há coisas que me inquietam profundamente, me fazem quebrar votos impostos de silêncio, me levam a retomar a escrita, uma das minhas formas preferidas de serenar a alma e a acalmar a cólera.
Hoje, enquanto lia os jornais diários que chegam ao já conhecido SPA, dei com um artigo sobre a pena e o corredor da morte.
Dados estatísticos, países onde a pena capital ainda está em vigor, formas de a executar, países onde foi abolida, datas em que foi abolida (o nosso foi dos primeiros) e mais outros dados.
Depois, uma curiosa entrevista sobre uns 139 condenados que escaparam “por um fio” ao chamado corredor da morte, como eu costumo dizer, “salvos no último minuto”. Valeram-lhes provas de ADN ou outras provas permitidas por ultra-tecnologia de ponta, ainda não conhecida ou utilizada no meio forense por altura dos julgamentos respectivos, que os condenaram injustamente, à pena capital. Todos eles nos famosos “States”.
Eram 139 inocentes condenados à morte, pelo facto de um punhado de jurados e um colectivo de juízes terem analisado meia dúzia de provas e ouvido o verborrear sapiente, escorreito, demonstrativo e ufano com que a acusação demonstrava a conduta e o passado do acusado.
O artigo não pormenorizava qualquer julgamento, mas imediatamente imaginei um qualquer tribunal da Carolina do Sul, o jurados sentados à direita, o colectivo em frente, julgando um Mr. S., cidadão, pai e homem de carreira, por um crime que ele jurava não ter cometido.
O advogado de acusação, acusa-o de alcoólico, pessoa sem carácter, violento e depressivo. Condições necessárias e suficientes para ter cometido o crime. O seu passado fala por si.
Chama o dono de um qualquer bar de Chinatown, que confirma que Mr. S. apanhou duas ou três bebedeiras no seu bar, há uns meses largos atrás.
A seguir, o mesmo advogado, adianta q Mr. S. não é um homem que se preocupe com o estado do planeta, não interage com a natureza, não se preocupa com o aquecimento global. Chama o seu vizinho a depor. O mesmo vizinho afirma a pés juntos que um dia viu Mr. S. mandar uma lata de Coca-Cola pela janela do carro, em vez de a colocar no ponto de reciclagem.
E ainda há mais. Mr. S., sendo um homem de sucesso na sua profissão, é humanamente desprezível. Tratava a sua sogra abaixo de cão. Eis a senhora para o testemunhar. Chega a senhora não sua sogra, mas sua ex sogra, a um tribunal federal de Carolina de Sul, uma senhora branca, de cabelo branco, de sombrinha de sol, num dia escaldante de verão, para testemunhar contra aquele mestiço que foi seu ex-genro. E fala do dia de Acção de Graças de há 15 anos atrás. Da forma ignóbil como o Mr. S. a recebeu e também tratou a sua filha Mellanie. Ficou tão consternada, a pobre senhora, que nunca mais voltou a casa da sua filha.
A lista de testemunhas continua com os “amigos porreiraços”, capazes de provar as imensas teias de intrigas que Mr. S. teceu para chegar ao topo da sua editora. Um homem sem carácter. Um fulano que teve uma depressão, que foi seguido por um psiquiatra anos a fio, que fez uma cura de desintoxicação de substâncias aditivas num centro especializado, mas camuflado, no Canadá. Que mais provas precisa o colectivo, meus senhores? Foi ele. Foi ele que cometeu o crime.
O passado de Mr. S. constituiu a prova que ditou o seu futuro, a morte. Até a ciência evoluir e fazer a contra prova que o ilibou. Mr. S. escapou da pena de morte. Mas só pelo facto de o TEMPO e a CIÊNCIA o terem permitido, não pelo os seus semelhantes terem acreditado nele. E se não houvesse tempo nem ciência?
Mas nós, portugueses, de aquém e além mar, somos um povo que aprende com a História. A Nossa enquanto Nação e a nossa enquanto pessoas. Aprendemos a evitar os erros. E, orgulhosamente, gabamo-nos de sermos um povo de brandos costumes, certo?Ah!, como me sinto feliz e protegida por ter nascido neste cantinho. Ufa!!

sábado, 10 de abril de 2010

Fica em paz

Sei que anunciei uma paragem, há meia dúzia de dias atrás. Não seria suposto "regressar" para já. Também não vou explicar as razões que me permitem voltar a escrever tão cedo.
Infelizmente, quis Deus que este "post" não fosse um post leve, como aqueles que eu mais gosto de escrever, que me divertem, que me dão gozo escrever e depois ler os vossos comentários. Hoje recebi um mail que me deixou triste, muito triste. Uma colega minha faleceu com uma doença que eu não gosto de escrever o nome, muito menos pronunciar.
Era nova, era professora e era mãe. Foi um instante. Creio que menos de 5 meses, desde o primeiro alerta até ao fim. Creio que não houve desleixo por parte dela relativamente à sua saúde, não houve incúria médica, não teve falta de apoio por parte da família e dos amigos, não lhe faltaram as forças para vencer a batalha, não regateou os esforços para acompanhar a vida dos dois filhos pequenos que deixa.
Mas o seu corpo rebelou-se contra ele próprio e, silenciosamente, dia após dia, célula após célula, foi ganhando espaço, tempo, força. As sua células doentes apoderaram-se das células sãs e venceram. Venceram a minha colega, venceram o apoio da sua família e dos amigos, venceram o amor que ela tinha pelos seus filhos, venceram a força que a agarrava à vida. Venceram-nos. É quase sempre assim, cada vez que essa doença cujo nome eu não gosto aparece.
Fica em paz.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Paragem

Por motivos imprevistos, mas de força maior e só agora comunicados, vou parar a minha actividade nética por uns tempos. Uns tempinhos apenas...
Mudanças ao nível do SPA, este já não está a corresponder às minhas expectativas e necessidades.
Regressarei assim que possível e prometo comentar os vossos comentários. Não se esqueçam de mim!
Ah! Iniciei hoje um novo blog, o Caçadora de Borboletas. Vai ter que esperar! O meu sentido de oportunidade parece que continua o máximo!!
Beijos para todos e hasta la vista!!
Ana

O Românico do Vale do Sousa

O nosso Portugal tem preciosidades arquitectónicas (e não só) que por vezes nós próprios teimamos em deixar para trás. Esta é uma delas. A chamada Rota do Românico do Vale do Sousa (RRVS).
Abrange cerca de vinte e um momumentos já classificados e outros em vias de classificação, espalhados entre os concelhos de Paredes, Paços de Ferreira, Penafiel, Castelo de Paiva, Lousada e Felgueiras.
Mosteiros, Igrejas, Torres, Memoriais (ou marmoirais), pontes, Ermidas… e a paisagem natural. Os miradouros. O verde das serras. O azul dos rios. A gastronomia. O povo e sua pronúncia,... a pronúncia do norte.
Deixo-vos um cheirinho .

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terça-feira, 6 de abril de 2010

Leituras II

"Sou leal e constante nessa minha paixão por viajar, embora nem sempre tenha sido leal e constante nas minhas outras paixões."
"Eu desapareço na pessoa que amo. Eu sou a membrana permeável. "
"Todos parecemos ficar com a ideia de que, para sermos sagrados, temos de fazer mudanças drásticas de carácter, ou seja, temos de renunciar à nossa individualidade. Isto é um exemplo clássico daquilo a que no oriente chamam de pensamento erróneo. Swamiji costumava dizer que aqueles que renunciam encontram todos os dias algo de novo para renunciar, mas que normalmente tudo o que conseguem alcançar é a depressão, e não a paz. Para encontrar Deus, só necessitamos de renunciar a uma coisa - ao nosso sentido de divisão de Deus. Fora isso, basta continuarmos como sempre fomos, respeitando o nosso carácter natural.(...). Não quer dizer que não possa melhorar como ser humano, aperfeiçoando as minhas virtudes e trabalhando diariamente para minimizar os meus vícios. Por exemplo, nunca irei ser um bicho do mato, mas isso não quer dizer que não possa fazer uma análise séria do meu hábito de falar pelos cotovelos e alterar alguns aspectos para melhor - trabalhando no âmbito da minha personalidade"
Elizabeth Gilbert in Comer, Orar e Amar

Reset

Ora vamos lá ver se nos entendemos todos, se pacíficamos as amizades, se não ferimos susceptibilidades e, se possível, reforçamos os laços existentes.
Parece que provoquei uma verdadeira hecatombe entre as minhas seguidoras mais próximas. O assunto também era escaldante: religião.
Mas posso explicar.
Neste meu SPA dedico algum do meu tempo aos tratamentos de beleza exterior, mas sobra algum tempo para os tratamentos de beleza interior.
Preciso de fazer um "reset" ao sistema. Talvez por isso a Maré Alta pense que esteja a preparar-me para entrar numa Ordem Religiosa... Mas não. Tenho lido. Desde os jornais diários, aos blogs, aos livros que há tanto esperavam na estante, sei lá.
Ironia do destino, Maré, estou a ler um livro que tu me ofereceste, há algum tempo atrás: Comer, Orar e Amar.
Achei-o imensamente adequado aos tempos que vivo aqui neste meu retiro físico: Como (do verbo comer), que nem uma princesa; oro (do verbo orar) que nem uma freira e amo (do verbo amar) que nem uma perdida.
Do livro já li a parte do Comer (e viajar) da qual destaquei três ou quatro frases que ainda hoje quero publicar.
Acabei de ler a parte do orar, da qual já publiquei parte e ainda vou publicar algo mais.
Amanhã iniciarei o capítulo do Amar. Até tremo. Se o Orar deu pano para mangas, creio que o Amar vai dar pano para o vestido de noiva por completo.
Talvez a Maré Alta aí pense que eu me encontro à beira de dar o nó...
Mas não.
Tudo faz parte do "reset" ao sistema interno, tal como os tratamentos do SPA e o conjunto de banho que a Angels me ofereceu fazem parte da reciclagem da carroçaria.
Aproveito para agradecer a versão simplex dos exercícios de "reset yourself" que a AC me enviou.
Deu para entender?
Bj

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Leituras

" Os devotos deste mundo efectuam os seus rituais sem a garantia de que deles advenha algo de bom. É claro que há muitas escrituras e muitos padres que fazem promessas relativamente á recompensa das boas acções, mas o simples acreditar em tudo isso é um acto de fé porque ninguém entre nós vê o xeque-mate. Devoção é iniciativa sem certeza. A fé é uma forma de dizer : Sim, aceito previamente as condições do universo e adopto antecipadamente aquilo que sou incapaz de compreender presentemente. (...) Fé é caminhar de cara levantada e a toda a velocidade em direcção à escuridão.
(...) Só quero Deus . Quero Deus dentro de mim. Quero que Deus brinque na minha corrente sanguínea da mesma forma que a luz do sol se diverte na água."

Elizabeth Gilbert, in Comer, Orar e Amar

domingo, 4 de abril de 2010

Num momento


Esta postagem insere na blogagem colectiva da Fábrica de Letras, mês de Abril, subordinada ao tema ABISMOS


Foi da noite para o dia.
Foi um passo.
Foi um clique.
Foi um lampejo.
Foi uma centelha solta de uma qualquer estrela (de)cadente envelhecida deste universo.
Foi um sopro do além.
Foi uma poeira perdida da lâmpada apagada de Aladino.
Foi a maçã pervertida de Eva.
Foi o veneno incontido de qualquer célula.
Foi a porta de Sésamo que se fechou.
Foi um parto cruel de mim

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Ciclos




A natureza é perfeita. Obra de algo infinita, absoluta e poderosamente omnisciente. Determinante mas indeterminável.
Nascemos, crescemos, florescemos.
Carregamos o peso da beleza da nossa própria flôr.
Encerramos o segredo da vida em minusculas partículas que espalhamos ao vento.
Semeamos.
Desfloramos.
Vergamos perante o peso da vida.
Cedemos.
Caimos.
Partimos.
Fomos.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Friends

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Ontem, aqui no meu SPA de eleição, antes da ceia, um grupo bastante alargado de jovens de diferentes gerações falava sobre a evolução da sociedade, o impacto dessa mesma evolução no desenvolvimento dos jovens, o facto destes constituírem família cada vez mais tarde, mas por outro lado, de se quererem auto afirmar cada vez mais cedo.
Um dos meus amigos menos jovens dizia que no tempo dele uma geração eram 26 anos. Eu contrapunha dizendo que o que a sociedade de outrora evoluía em 26 anos, agora talvez evoluísse em 6, mas as novas gerações faziam o percurso inverso. Há 50 anos atrás, um rapazinho com 26 anos era um homem feito. Hoje, um moço com 26 anos não passa de um rapazote, cheio de ideias e ideais, com um esboço de um projecto de vida assente nos rendimentos do papá e da mamã, nas noitadas e, com alguma sorte, nas surfadas, passando por alguns concertos. E com as raparigas, estou certa, o mesmo se passa, versão feminina.
É difícil encontrar algum ponto comum entre gerações, entre avós e netos.
A conversa prolongou-se, discussão acesa. De um lado a geração dos vintes (escandalosamente vintes!) , do outros a dos avançados “entas” (60) e eu no meio.
De repente, ouve-se algo que faz parar a conversa. De um momento para o outro, a discussão pára. Escuta-se o silêncio. Os olhares entretrocam-se. Esboçam-se sorrisos. Dão-se as mãos. Afinam-se as vozes. E, em coro, juntamo-nos àquela voz que passava na 2. A do Freddy. Essa.
É intemporal. Como que a provar que há sempre algo que supera o tempo, os conflitos intra ou inter geracionais e os outros também.
Obrigada Freddy por sossegares o meu grupo de amigos do SPA, por nos fazeres ver que afinal ainda existe algo..., ainda há uma ponte. Obrigada pela tua mensagem de esperança (e, já agora, obrigada à família de verdadeiros amigos que adiou a ida para Coimbra, por causa da consulta no Montijo).


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