by Ana

Um espaço para partilhar as "tolices" de cada dia, de uma forma descontraída, descomprometida e com algum sentido de humor. Only that.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Eugénio

Não sou especialmente fã de poesia. Não tenho nenhum poeta de eleição, nem uma poesia/poema que me toque, de forma arrebatadora, as cordas da alma.
No entanto, há sempre alguém… E, para além de Sebastião da Gama, há um outro senhor nascido no Fundão a 20 de Janeiro de 1923.
Entre muitos outros poemas, este senhor, “rabiscou” estes dois que admiro particularmente.
Ele, o senhor, chamava-se Eugénio de Andrade.


É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer


O sorriso

Creio que foi o sorriso,
sorriso foi quem abriu a porta.
Era um sorriso com muita luz
lá dentro, apetecia
entrar nele, tirar a roupa, ficar
nu dentro daquele sorriso.
Correr, navegar, morrer naquele sorriso.

2 comentários:

  1. Eu amo poesia. E por isso amo, evidentemente, Eugénio de Andrade. Poemas bem escolhidos!
    Bjs

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  2. São lindos, não são, Teresa?
    Bjs

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Olá, então diga lá de sua justiça...