by Ana

Um espaço para partilhar as "tolices" de cada dia, de uma forma descontraída, descomprometida e com algum sentido de humor. Only that.

domingo, 31 de janeiro de 2010

One thousand and...




Hoje é dia de festa na minha pobre alma de pretensa escritora.
Quando vim ver as novidades do mundo cibernético, reparei que os visitantes do meu blog já tinham passado os 1000!!
Comecei no dia 1 de Dezembro de 2009, portanto há cerca de dois meses.
Tive vontade de parar, muito recentemente, porque reconheço que o que escrevo não são mais que umas tantas passagens retiradas, na hora, do meu diário de bordo, sem qualquer interesse para quem anda por esta bandas à procura de informação, de fontes de conhecimento.
Não sei pois como justificar os mil e tantos…
Resta-me agradecer e pedir que continuem.

P.S.: Visitem os também blogues que eu assinalei. Vale a pena.

Beijos
Ana

sábado, 30 de janeiro de 2010

Serviço Público II


Correndo o risco de expor a minha “vida privada”, gostaria de partilhar os sentimentos que me invadiram enquanto estive internada no velhinho Hospital do Montijo.

Confesso que ia algo perplexa, não sabia muito bem o que iria encontrar, em termos de instalações, de pessoal médico, de enfermagem, auxiliar, por aí fora…

Afinal, por muito que não queiramos, acabamos por ser influenciados pela “cultura do dizer mal” dos hospitais públicos, de entrar com os ouvidos cheios dos processos que se abrem por “enganos” cometidos, tipo Avastin e outros…

Bom, determinação foi coisa que nunca me faltou e como o que estava em causa não eram umas férias, mas uma intervenção urgente, pois que assim fosse.

A unidade de cirurgia é pequena, muito pequena, comparativamente com as últimas que tenho “frequentado” (maternidades, leia-se). A unidade das mulheres talvez tenha umas cinco enfermarias, talvez 15 camas.

Três casas de banho comuns a todas as enfermarias, um espaço com mesas e cadeiras plásticas com um papel colado numa das janelas com a inscrição “REFEITÓRIO”, comum às unidades de mulheres e homens.

De facto, não é um hotel, não tem o espaço nem a comodidade de um hospital privado.

Mas tem outra coisa, que me tocou profundamente.

As doentes eram maioritariamente pessoas muito idosas, tão idosas que estranhavam a minha “meninice”, tratando-me, sempre, por menina, apesar de lhes dizer que tenho um filho com quase vinte anos.

Tanto o corpo de enfermagem (que estava em greve), como os ajudantes eram pessoas que estavam ali para cuidar de pessoas, entendem?

Não havia a doente da cama 10. Era a D. Gertrudes, que precisava de um copo de água ou de que a ajudassem a comer.

“Sim, D. Gertrudes, já vamos ter consigo.”

Não era a paciente da 13 que não conseguia tomar banho sozinha. Era a D. Antónia a quem a ajudante, todas as manhãs, se dirigia “Então como foi esta noite, D. Antónia?. Correu tudo bem? Quer tomar banhinho agora ou mais logo? Vá, vamos lá, devagarinho.”

Não havia “a” da cama 8 para dar a medicação. A enfermeira, chegava à cama 8 e perguntava “D. Maria, tem dores? Quer fazer um sorozinho?”.

E as refeições? “Então, D. Ana, chá, iogurte, sumo, o que prefere? Quer que arrefeça o chá? Com açúcar ou sem? Quer uma palhinha. Vá devagarinho, espero o que for preciso. Um trago de cada vez.”

Nunca ouvi, “Sras visitas, terminou a hora, façam o favor de sair”.

Aquela casa é de todos e todos são bem vindos, seja a horas for, desde que não comprometam o serviço, claro.

Situações limite, de amputações de membros, de carcinomas, de ablação de órgãos, a quem já deu todas as suas forças ao País, mas não pode recorrer ao privado, encontram, naquele espaço exíguo, a compreensão, a paciência, a tolerância, a complacência, a benevolência que a escassa pensão de sobrevivência ou o rendimento mínimo não pode “comprar”.

Em suma, encontrei calor humano, vi que havia claramente uma missão, por todos partilhada, sempre com o sorriso, com um gesto afável.

A missão de tornar o mais agradável possível aquela passagem por ali, não a pessoas como eu, que “aterram” por três ou quatro dias, mas aos nossos idosos, por vezes, olvidados por quem de direito, incapacitados pela luta da vida e que encontraram ali uma morada quase tão permanente, quanto o tempo de vida que lhes resta permite o estado de permanência.

Bem hajam e obrigada!

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Serviço Público


Não sei se por herança histórica, se por desalento ou falta de confiança em nós enquanto nação, habituamo-nos a dizer mal de tudo quanto é serviço público.
Tornou-se mais vulgar do que a “Farinha Amparo” falar mal da escola pública (pois as melhores dos rankings até são privadas), dizer “cobras e lagartos” do sistema judicial (os escândalos sucedem-se a uma velocidade vertiginosa e até matéria confidencial já se encontra no You Tube) e, claro, o outro pilar da sociedade não pode escapar à desdita – o da saúde.
Foi a gripe A comentadíssima, pois as vacinas já deveriam estar a ser ministradas e ainda não tinham sido encomendadas; depois, concluiu (quem quis), que tudo não passou de um embuste, destinado a favorecer a indústria farmacêutica.
Correndo o risco de fazer o ingrato papel de “advogado do diabo”, venho enaltecer um serviço público do qual fui muito recentemente utente – o velhinho e quase extinto Hospital do Montijo.
Entrei lá no dia 14 de Outubro, vítima de um acidente em serviço e fui atendida por quem estava ao serviço, um médico cirurgião.
Numa das consultas de acompanhamento do dito acidente, contei, em traços largos, um problema de saúde de que padecia há algum tempo e com o qual já tinha gasto rios de dinheiro, em exames e consultas, no sector privado.
A solução encontrada por quem me seguia no privado foi, desde a primeira hora, a cirurgia, mas a cada consulta mais exames eram pedidos (também para o privado, logo com a indicação do local e especialista a quem deveria recorrer…).
E assim andei, durante um ano e meio, com a “sentença lida”, mas aguardando sempre por mais um exame e depois a consulta e …e…e…
Pois não sei se por sorte, se por termos um “péssimo” serviço de saúde que quer mostrar trabalho, o médico que me atendeu, numa situação de urgência, pediu-me os exames já realizados e na hora, marcou consulta de anestesia, exames pré-operatórios e cirurgia com a indicação de urgente.
Lista de espera? Sim, certamente existem. No meu caso, após a consulta de anestesia, foram nove dias de imperceptível espera.
Depois de tudo ter passado, interrogo-me: terá sido pelos” meus lindos olhos”? Terá sido por estarmos na “província” ? Ou será que o sistema nacional de saúde afinal até funciona?
Hum…. Estou certa que foi o meu olhar piedoso, senão as seguradoras, com os seus fabulosos e igualmente inacessíveis seguros de saúde e os hospitais privados já teriam ido à falência. Certo?

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Echarpes



Ora bem, cá estou eu de volta às escritas “palérmicas”.
Hoje, apetece-me escrever sobre um assunto trivial – moda-, mais concretamente acessórios de pronto a vestir.
Quem me conhece sabe que tenho uma especial atracção por echarpes.
Seja verão, seja inverno, faça sol ou faça chuva, raramente dispenso uma echarpe.
Pode ser mais trabalhada, mais simples, de algodão, viscose ou lã. Pode ser toda lisa ou emanar uma profusão de cores que combine com a camisola, com as calças, sei lá…
Depende da ocasião, do estado de espírito desse dia e do “mais ou menos leão ou mais ou menos gato” que vejo reflectido no espelho do meu quarto, enquanto me arranjo.
No entanto, e como reciclar é palavra de ordem, resolvi adoptar este modelo, 100% fibra de algodão esterilizada revestida a plástico, igualmente esterilizado e biodegradável.
Durante uns tempinhos vai ser a minha echarpe preferida, até porque é autocolante, não se desloca 1mm do local exacto onde deve estar.
Espero que gostem… mas aviso que não dou informações sobre o estilista ou a loja onde adquirir. Modelo exclusivo!!

domingo, 24 de janeiro de 2010

Escrito na pedra

Elegância é a arte de não se fazer notar, aliada ao cuidado subtil de se deixar distinguir.

Paul Valéry
(1871-1945)

In Jornal Público, Edição impressa de 23 de Janeiro de 2010

sábado, 23 de janeiro de 2010

FIM

quando criei este blog era para dar asas ao gosto de escrever que sempre tive nao pretendi ser um saramago um pessoa ou mesmo um rodrigues dos santos no entanto a cada post que publicava surgiam as criticas á virgula que separava sujeito de predicado á acentuação das palavras que nao respeitava a sua fonética aos deteminantes ás subordinadas e ás subordinantes aos adverbios de modo tempo e lugar ao espaço a mais entre duas palavras ás aspas colocadas um milimetro após o final do texto a tudo o que era texto decidi por isso deixar de escrever afinal a escrita é uma arte como tal so reservada a alguns eruditos.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Telepatia


Ontem fui almoçar com uma colega e grande amiga.
Embora a veja todos os dias, claro que quando duas professoras se juntam, o assunto é sempre, invariavelmente, escola.
Lá falámos sobre o novo diploma, os próximos concursos, isto e aquilo.
No entanto, como provavelmente se passará entre todas as pessoas que são verdadeiramente amigas, ela notou que alguma coisa me incomodava, tal como em tempos idos, quando tínhamos que tomar uma decisão “de equipa”, bastava olharmos uma para a outra para ficar a perceber o que cada uma de nós pensava. Na altura, pensávamos que era por trabalharmos muito tempo lado a lado, mas o que é certo é que essa espécie de telepatia se manteve, apesar das distâncias físicas terem aumentado.
Lá falámos, recordámos tempos passados, altos e baixos, alegrias e tristezas próprias da vida. Relembrámos alturas em que uma “dava a mão à outra” quando era preciso ajudar a caminhar…
No final do almoço, trocámos as prendas de Natal(!). Recebi um livro com o seguinte título: “ A mulher que viveu por um sonho”.
Ainda não o li, obviamente, mas tenho a certeza que a heroína deste livro deve ter pago muito valor muito alto para “Viver por um sonho”.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Eugénio

Não sou especialmente fã de poesia. Não tenho nenhum poeta de eleição, nem uma poesia/poema que me toque, de forma arrebatadora, as cordas da alma.
No entanto, há sempre alguém… E, para além de Sebastião da Gama, há um outro senhor nascido no Fundão a 20 de Janeiro de 1923.
Entre muitos outros poemas, este senhor, “rabiscou” estes dois que admiro particularmente.
Ele, o senhor, chamava-se Eugénio de Andrade.


É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer


O sorriso

Creio que foi o sorriso,
sorriso foi quem abriu a porta.
Era um sorriso com muita luz
lá dentro, apetecia
entrar nele, tirar a roupa, ficar
nu dentro daquele sorriso.
Correr, navegar, morrer naquele sorriso.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Uma Aventura II


Quando se começa alguma coisa, devemos acabá-la. É uma questão de auto-disciplina.
Ultimamente, tenho escrito sobre variadíssimas coisas, mas há uma que está pendente e que quero terminar. A viagem à Finlândia.
Lá percebi, entre outras coisitas, que a empregada do hotel não era tão burra como eu pensava, pois dirigia-se a mim, com o jarro do café na mão e dizia ”Finnish coffee?” e eu pensava” se o café acabou pq me oferece café?”. Finalmente entendi que o café não tinha acabado, somente era café finlandês, o que me oferecia…
Bom, depois de me habituar às diferenças daquelas paragens e ao modo de estar tão radicalmente oposto ao nosso daquelas gentes, decidi que “em Roma sê romano”.
Então, lá metemos mãos à obra à procura de uma qualquer estância de desportos de inverno, onde se pudesse passar um domingo diferente. Depois de andar quilometros e quilómetros, descobrimos Kuopio, uma localidade com uma estância de desportos de inverno, todos aqueles que possamos imaginar. A cabecita do meu filho mais novo parecia um moinho de papel ao vento, rodopiava sem sem parar, olhando para os que praticavam snow bord, invejando os que desciam as encostas de esqui, mas a grande atracção para ele eram, de facto, as motos de neve.
Mais por curiosodade do que por convicção, entrei numa dessas “lojas” onde se aluga tudo para a neve, desde as famosas motas, às luvas…. Tudo. O rapaz não parava, parecia ter entrado numa outra dimensão.
“Mãe, vamos andar de mota de neve… mãe, por favor…”
“Estás doido, filho, isto é perigoso. Eu nunca andei numa mota de estrada quanto mais agora numa de neve”.
“Mas estas são mais seguras, têm 4 rodas!! Por favor, mãe. Até alugam os fatos.”
Continuando a satisfazer a minha curiosidade, mas começando também a ceder ao coração de manteiga próprio das mães, entabulei conversa com o dono da loja… preços, condições, facilidade de uso do equipamento (leia-se motas…).
“Ok, it’s easy and cheap”.
Fatos à disposição, para todos os gostos, tamanhos e necessidades. Depósito de combustível cheio. Mapas dos traçados, referências assinaladas, tudo.
“Mas ele só tem 15 anos!!” .
“No problem, it’s ok. I teach him.” E continuava no seu inglês meio “russo” a falar, disposto a ensinar o míudo a manusear aquela máquina.
Não me perguntem onde estava com a cabeça. Éramos um grupo de 7. Eu, os dois míudos e mais quatro colegas. Alugámos 4 motos.
O meu filho estava em êxtase. Mal começou a ver que o frágil coração de mãe cedia, correu para trás do balcão e prontificou-se a ajudar o proprietário da loja nas contas… não fosse a mãe ter tempo suficiente para assentar os pé na terra…
E lá fomos nós. Claro que foi o menino que levou a mota e a mãe (eu) como pendura!
“Vai mais devagar!!”
“Oh mãe, cala-te e aprecia a paisagem!”
E a aventura continuou, por florestas brancas e lagos gelados.
Não me vou deter em explicações detalhadas, mas às tantas, e dado o grupo ter-se separado, ficou uma mota: a do meu filho, comigo e com o irmão.
Perdidos. Tinhamos partido por volta das 14horas, para um passeio de 1 hora, pelos lagos gelados e com uma temperatura de 13º negativos.
Eram 16 horas, lagos nem vê-los, apenas floresta e floresta, a noite começava a cair, os telemóveis congelados não realizavam chamadas…, o traçado do mapa não correspondia ao traçado do terreno…
Tal como na história de Hansel e Gretel, vi uma casinha que deitava fumo pela chaminé, aí a uns 100m de nós. Farta de motas que deixaram de querer funcionar, meti pés ao caminho, ou melhor, à neve, e dispus-me ir a corta mato, pedir auxílio. Um passo, apenas um passo para me fazer recordar que aquilo era neve a sério. Fiquei com neve quase até à cintura e sair de lá…??
Lá fomos, a pé, por caminhos não de neve, mas de gelo.
Truz , Truz!!
Bloa onn gum… uma linguagem que não consegui entender e lá apareceu um homenzarrão, com quase dois metros de altura, à porta. De lá de dentro vinha o quentinho mais delicioso de que consigo ter memória.
“ English?”
“oo”, parecia um Não, na linguagem do Pai Natal.
“Français?” aãã, nem deviam compreender aquela palavra.
“Russian”, disse por fim o tal homem.
“Pois, russian, no”.
E agora? Bem, peguei no telemóvel e tentei explicar que estava perdida e pretendia telefonar, mas o telemóvel não funcionava.
A única coisa que o homem percebeu, parece ter sido a marca do telemóvel. Nokia, a imagem de marca dos finlandeses. Certamente pensou que eu o queria vender…
E à porta continuavamos, cheios de frio e eu desesperada. Claro que os míudos estavam encantados!!
Pensei… uma palavra universal… TAXI.
“TAXI” e apontava para o telefone.
Fez-se luz! O homem das neves lá me convidou a entrar, ligou para os táxis e passou-me a chamada. Alguém que falava inglês. “Onde estão?”…
“Não sei. Vou passar ao dono da casa e pergunte-lhe.”
E lá se entenderam os dois, na linguagem do Pai Natal.
Desligada a chamada, fomos amavelmente convidados a sair para a rua (povo hospitaleiro, este!!! ) e esperar pelo taxi, cerca de 30 min, com as temperaturas a caírem para os 20º negativos e a noite a aproximar-se.
Reconheço que só a boa disposição do meu filho mais novo conseguiu manter as nossas temperaturas corporais. Fazia-nos rir, escavava na neve à procura de água gelada ou de terra. Ora dizia, que já estávamos na Sibéria, ora afirmava que a loja das motas era já ali.Cada vez que passava um carro, de 10 em 10 min, mandava o carro parar, pegava no mapa, apontava para o mesmo e dizia para o condutor “Here (batendo com o pé no chão), where? (apontando para o mapa)”
Resposta, sempre “ooo. Russian” .
Lá chegou o táxi. Mas ainda tinhamos a mota para devolver…
Eu e o irmão entrámos no táxi e ele veio atrás de nós, de mota de neve, por estradas de gelo, com camiões a circularem, a mota a fazer faíscas e a resvalar no gelo, o “pó” da neve a tapar-lhe por completo o campo de visão e eu com o coração mais pequeno que uma cabeça de alfinete.
Perguntava ao taxista: “How far way is it from…?”.
Resposta: “Ok.”
“Please, go slowier”.
“Ok.”
“How much time remais to arrive there?”
“Ok”
Às tantas, “STOP!!”
“0k”. E parou. Saí do táxi, disse ao míudo que deixasse a moto à beira da estrada e que viesse connosco no táxi. Não aguentava mais ver os riscos que ele corria.
Foi o sangue frio que ele revelou, apenas com 15 anos de idade, desde a altura em que se apercebeu que estavamos perdidos e sob o risco de hipotermia, ao fazer-nos rir, mexer, correr, andar enquanto esperávamos o táxi, até à momento em que arriscou a vida na condução da mota, à noite, que me fez admirar a coragem e o sentido de responsabilidade, quase sempre ocultos, daquele meu filho.
Já deitados, no quarto de hotel, perguntei-lhes “Vocês têm a noção do risco que corremos? Se o vosso pai sonha com isto, nunca mais vos deixa sair do país comigo!“
“Oh mãe, não dramatizes. Foi uma aventura e tanto.”
Dias depois, já “salvo” a bordo de um Airbus da TAP, com destino a Lisboa, ele começou a chorar.
“Que se passa, filho? Que tens?”
“Nada, mãe. Esta foi a viagem da minha vida.Nunca mais viverei uma aventura como esta. Obrigada.”

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Margem sul


O deserto, como alguém lhe chamou.... a província, como os urbanos da "capital" gostam de lhe chamar. O "jamais" que se tornou, ao que parece, o "certement"...

A minha margem sul, a nossa "linha" que se tornou mais apetecível após a inauguração da Ponte Vasco da Gama, em 1998 e onde o tempo parece teimar correr a uma velocidade bem mais prazenteira do que do outro lado da muralha do Rossio de Alcochete.
Aqui, as pessoas tratam-se pelo nome próprio; o dia não começa com caos das segundas circulares, CRELS, CRILS, dos eixos Norte-Sul. O empregado do café sabe exactamente como gostamos da bica; as pessoas permanecem confiantes no seu vizinho, o qual pode ficar com o bébé até a reunião acabar, ou na senhora padeira que guarda o pão até à hora da saída do emprego.

E sabem, a capital está à distância de um olhar. A "cultura", o "banho de civilização" a correria, os encontrões, as buzinadelas, são já ali, mesmo antes do virar da esquina,... mesmo em frente.

Mas não. Prefiro a província, à capital; o cheiro a Tejo ao odor a Atlântico; a mentalidade de aldeia à forma de estar da cidade; o bom dia do empregado do café ao gesto mecanizado da operadora de caixa do hipermercado. Em suma, o deserto (de stress) ao oásis de civilização. Pelo menos para viver...