by Ana

Um espaço para partilhar as "tolices" de cada dia, de uma forma descontraída, descomprometida e com algum sentido de humor. Only that.

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sexta-feira, 27 de maio de 2011

O meu caso sem Facebook



Foi já há algum tempo, há um bom par de anos atrás ou talvez mais, mas nunca escrevi sobre tal, nem escreveria, pois, como diz a canção, recordar é viver, é há coisas que nem mesmo eu, com todo este ar desempoeirado e esta forma leve e fresca de combater as dores prenhas da vida,  consigo viver duas vezes.
Agora, de um momento para o outro, eis que me entra pela casa adentro, cada vez que ligo o PC, ou a televisão ou abro um jornal (ainda tenho o hábito de os ler em papel, vá-se lá saber pq...), uma execrável  história de um filme colocado no facebook, sobre uma cena de violência sobre uma adolescente.
Há dois/três anos atrás, uma amiga minha convidou-me para tomar o pequeno almoço. 
Enquanto se encaminhava para o meu café preferido, disse-me que tinha uma coisa a contar-me sobre os meus filhos mais novos. Com muita calma, pé-ante-pé, depois de parar o carro, contou-me que um grupo de rapazes de cor mais duas raparigas tinham feito uma espera aos meus filhos e dado-lhes uma sova, dois dias antes. Que tudo tinha acontecido à saída da escola, perto da mesma, cerca das sete da tarde (no Inverno). Que tudo se tratava de ciumes por causa de um rapaz que andava atrás da minha filha e a suposta namorada havia tratado de arranjar maneira de a afastar dele. Que a rixa começara quando as  duas raparigas esperaram a minha filha numa ombreira dum prédio, a puxaram pelo o cabelo e a começaram a agredir. Que o irmão, que a acompanhava de volta a casa, intercedeu a favor de irmã, quando o grupo de rapazes de cor, apareceu e começou a agredi-lo, também. Que a isto só parou porque chegou alguém (um adulto) e perguntou o que se passava, o grupo "contratado" fugiu e os meus filhos foram conduzidos até à porta de casa por esse "alguém".
Não queria acreditar no que estava a ouvir. Recusava-me acreditar no que acabara de ouvir. Não podia ser! Os meus filhos? Não, não pode ser!
Pedi à minha amiga que me levasse até à escola deles. Interrompi-lhes as aulas. Agarrei-me a eles a chorar, mal os vi. Depois, olhei-os de alto a baixo, trouxe-os para casa, quis ouvir da boca deles o que se tinha passado. Aliás, queria ouvir que tudo o que a minha amiga dissera era um engano. Mas não. Tudo tinha sido assim, era verdade. O pai sabia e o corpo deles mostrava que sim.
Não consigo descrever o que senti, porque não há palavras para descrever tamanha revolta, tamanha indignação, tamanha impotência. Todos os meus problemas se relativizaram; todos os problemas do mundo se amesquinharam; aquela agressão bárbara não me saía da cabeça noite e dia. Apresentei queixa na polícia, mas não sabia nomes dos rapazes, ...não chegou ao DIAP.
Quanto às raparigas, alunas da mesma escola, apresentei queixa na escola e também na PSP, mas eram menores e em ambas as situações não havia testemunhas. 
Agora, quando vi esta gravação que colocaram no facebook a abrir telejornais... .Dói, mas dói mesmo.
Nem quero imaginar a dor daqueles pais. Eu só vejo se me apanharem distraída.
Disse.




domingo, 1 de maio de 2011

Just another day...

Dizem que hoje, por ser o primeiro domingo de Maio, foi dia da Mãe.
Foi mesmo?

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Parabéns , filhota!



 Não me lembro que palavras se usam nestas ocasiões...
É a terceira vez, em três anos.  Mas esqueci as palavras e perdi-lhes o rasto.
Ainda ontem era algo que mexia dentro de mim e hoje já é minha menina linda que atinge a maioridade.


Parabéns, filhotinha.

domingo, 10 de abril de 2011

CAMINO



"La vida é bella" fez história. Muitas lágrimas correram nas salas de cinema à medida que aquele pai inventava estórias para esconder do seu "picollo" a dura realidade do campo de concentração. Porque aquele pai desempenhava tão bem a sua função de pai, em situações tão limites,o mundo siderou  e o filme encantou.
Mais recentemente, "Precious", a história verídica de uma jovem 16 anos, chocou. "
Precious" uma jovem iletrada, obesa, violada pelo pai, abusada  física e psicologicamente pela mãe, consegue reunir força e coragem para ultrapassar todos os obstáculos, estudar e criar o seu filho recém nascido. Comoveu, sem dúvida.
Este ano, "Biutiful", é o drama de um homem, e pai, praticamente família única de seus filhos, que de um dia para o outro descobre estar às portas da morte. Os receios, as dúvidas, a angustia de os deixar... Tremendo.

Não sei se por estar blindada por tanta coisa que me tem acontecido, ou por ser mesmo mazinha, coração de pedra, mas o que é certo é que nenhum destes me fez correr alguma lágrima, nem sentir um nozinho na garganta ou um leve aperto no peito.
São coisas...
Hoje fui ver "Camino".
Quando o filme acabou, apenas disse à pessoa que me acompanhava: " Não digas nada".
Nada conseguia dizer perante o que acabava de ver. 
Sentia o tal aperto no peito,  e esse nó na garganta. As lágrimas ameaçavam saltar a todo o momento, bastava uma palavra ser dita ou um suspiro ouvido.

Tal como sei que, felizmente, existem pais como o da "Vida é bella" e  o do "Biutiful"  e, infelizmente, mães e pais como o da "Precious", existem muitos e muitos como o da "Camino".
No entanto há uma diferença. Enquanto que os pais da "Precious" são vistos como pessoas não saudáveis e inaptas para educar, os da Camino (a mãe) são vistos como exemplo da sociedade.
Mães/Pais que fazem acreditar que no sofrimento é que está a redenção,  o exemplo a seguir, que é através do sofrimento que se atinge a perfeição do próprio e dos outros;  adultos que educam crianças nestes princípios, que lhes castram os sonhos da infância e da adolescência, será que diferem muito dos pais de "Precious"?

quarta-feira, 2 de março de 2011

Diálogos


Filha- Mãe quero a carta de condução.
Mãe- Acaba o 12º ano e depois falamos.
Filha- Mas o avô deu-te a carta de condução quando fizeste 18 anos, devias fazer o mesmo comigo. Quando acabasse o 12º ano oferecias-me um carro!
Mãe- A mim ninguém me ofereceu carro algum. Sempre comprei os meus carros.
Filha- Mas os tempos são outros...e já que não vou à viagem de finalistas do 12º ano a Ibiza, podias pagar-me uma viagem a Londres.
Mãe- Sim, filha. E a árvore das patacas é onde?
Filha- Eu nunca peço nada a ninguém. Só estou a dizer...

Personagens:
Mãe- mulher da geração do Portugal na CEE, professora do ensino público, mãe e sonhadora. 
Filha - adolescente de 17 anos da auto denominada geração à rasca, estudante do 12º ano, área de economia. Ambiciona entrar no curso de gestão de empresas de Universidade Nova e seguir carreira política.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

"Geração à rasca"


Sinto-me filha de ninguém.
Cria de geração sem nome, sem referência, sem causa, sem mote.
Por alturas de Maio de 68 ainda não sabia ler nem escrever, muito menos que coisas se passavam em França ou mesmo que existiria algo para além de Badajoz da Espanha, donde o meu triciclo tinha vindo.
Um ano depois, em 69, o Homem foi à lua. Foi no dia do casamento da minha prima Lurdes. Mas o que me ficou na memória , nesse dia, foi a conversa sobre uma novidade que as senhoras usavam e, pelos vistos, lhes facilitava a vida. Usavam collants, pela primeira vez, e comentavam a facilidade daquela peça de vestuário.
Como a lua para mim era uma coisa da noite e das histórias da adormecer e as minhas tias diziam que aquilo do Homem pisar a lua era tudo invenção, decidi voltar costas à televisão e ao grupo dos homens e ficar a ouvir as facilidades do uso das collants vs chatice do uso de meias com cinto ligas.
Uns anos mais tarde veio a Revolução dos Cravos, estava eu na 4ª classe e para mim foi dia de festa. Não houve aulas, o meu pai estendeu um porco morto no meio da cozinha da minha avó e, lá em casa da minha avó, juntou-se a família toda, agarradinha à televisão. Perguntavam pelo Spínola, pelo Soares. Eu preferia indagar as entranhas do porco, pois do que se estava a passar nada entendia e nada me explicavam.
Não posso, portanto, dizer que seja da geração que fez ou festejou a revolução de Abril.
Não sou daqueles que levaram com as passagens administrativas pela cara, os anos propedêuticos, os serviços cívicos. Não, nada disso.
Sou daqueles que fizeram o percurso do "certinho e bonitinho", depois da confusão ter acalmado e das experiências da revolução e tentativas de contra-revolução terem serenado. Sou do unificado, do 12º ano e dos números clasus.
Não tendo sido perdida nem achada para essa causa, lembro-me de um dia 12 de Junho de 1985 e do  Portugal na CEE.
A partir deste dia foi ver os milhões (não sei de que moeda) entrarem todos os dias no nosso país e o alcatrão cobrir montes e vales, as mega - barragens pintarem de azul o que antes era verde,
O litoral a "litoralizar" e o interior a "interiorizar"; o Alentejo ora litoralizava ora"coutizava",...
Foi ver um país democrático, laico e republicano, onde a classe média e alta quase não se distinguiam, onde todos os seus  filhos tinham carrinho, casa, emprego, cursos financiados, férias em Cabo Verde, telemóveis, computadores, plasmas, Ipod,... tudo com fartura e sempre na crista da onda.
Há dois dias, perguntei ao meu filho mais velho, que tem 20 anos, quando é que ele pensava arranjar emprego.Ele respondeu-me:
"Oh mãe, tu não vês as notícias?Não há empregos mãe. E os que há são formas de exploração dos jovens. Eu sou da geração à rasca!" 
Calei-me.
Acho que já tenho uma definição para a minha geração:
A geração que teve de tudo, mas gerou a Geração à rasca.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Amores perfeitos


Hoje dei comigo a pensar que Tempo e Amor conjugam-se da mesma forma, no mesmo tempo e com o mesmo nome.
É aquele Tempo que perdura para além do meu tempo; é aquele Amor que fica como o maior de todos os amores, o meu amor mais que perfeito.
Só esses têm nome, conjugam-se da mesma forma, incondicionalmente, em todos os pretéritos passados, perfeitos, mais que perfeitos, futuro, presente, mas sem condicional. Conjugam-se do conjuntivo e no disjuntivo também, independentemente da conjectura, do Indicativo ao Imperativo.
Eles têm nome, aliás, eles têm nomes.
São nomes que resistem ao Tempo, ao Tempo que tudo apaga, que tudo faz desvanecer, que tudo também cura.
Mas estes amores, que rasgaram o meu ventre e  machucaram o meu coração, que me fizeram escorrer lágrimas, estes amores, pelos quais me ajoelhei e rezei horas a fio, estes amores ainda doem, mas eu não quero que o tempo extinga esta dor.
Eles são a arma que ele, o Tempo, tem contra mim, confesso, mas não me importo.
Ver esses amores crescer é a forma mais amigável que ele, o Tempo, escolheu para me dizer que passou por mim.
Nuno, Carlos, Patrícia, são também a minha vingança contra ele. É aquilo que perdurará para alem de mim.

domingo, 19 de setembro de 2010

Adivinhem quanto gosto de vocês



Acho este vídeo um primorzinho.
A mensagem, o cenário, a simplicidade, tudo, tudo , tudo.
Como é tudo isto que eu quero dizer e como, por muito que me esforçasse nunca o conseguiria dizer/escrever tão bem ( e muito menos ilustar melhor), aqui fica o André a cantar por mim.
Ah! a quem se destina?
Não disse?
Ao Nuno, ao Carlos e à Patrícia. UAUUUU, logo três!!!

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

L'enfant terrible


L' enfant terrible ontem fez 19 anos.
Acordou-me às 8 da manhã, pois perdeu o autocarro para Setúbal. Lá fui eu, meia a dormir meia acordada, depois de cinco horas mal dormidas, levá-lo até à escola.
Tínhamos semi-acordado ir jantar, os dois. 
Fui lanchar com duas amigas minhas, vim para casa cedo, telefonei-lhe e nada. Telemóvel desligado. Esperei, esperei e nada.
Por volta das nove, apareceu, com o seu ar todo descontraído, como se tivesse acabado de sair de uma onda, de uma praia qualquer.
"Jantar a esta hora?  Estou estafada, Carlos. Cheia de sono. Não aguento!"
"Então, se tu não jantas, também não janto!"
"Não sejas parvo! Amanhã jantamos os dois."
E saiu.
Passado cerca de uma hora , aparece-me novamente à porta, desta feita com uns sacos na mão.
"Que é isso?"
"É o nosso jantar. Comida chinesa. Vá, senta-te aqui."
Vocês acreditam que o meu coração, em vez de sorrir,  deu para disparatar. 
Da minha boca começou a sair um discurso, perfeitamente desarticulado, que dizia que a comida chinesa , para além de ser uma porcaria, manchava a mesa da sala de gordura, que eu estava cansada de tanta limpeza, que ele era um irresponsável que não respeitava a trabalheira que eu tinha com a limpeza da casa.
Alguém consegue entender coração de mãe?
Eu não.
Desculpa, filho. 
Tu sabes que te ADORO muito. Tanto, mas tanto que não soube como reagir a essa tua atitude. Não esperava do menino "insensato" um sentimento tão nobre.
Parabéns.


.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

30 de Julho de 1990

Estava o mesmo calor infernal que se fez sentir por estes dias e a contagem de movimentos do bebé ainda não tinha chegado a cinco. 
Era marinheira de primeira maré, mas sabia que deveria chegar aos dez...
A isto, juntava-se a ansiedade do termo, que estava previsto para 31, o dia seguinte. E o calor...e o diagnóstico pré-natal...
"Vamos embora para o hospital"!
E se o disse melhor o fiz! 
Munida com a ecografias que ditavam a "sentença" de uma acondroplasia, mas também com a mala com as mais delicadas e ternas roupinhas que um primeiro princípe varão da melhor casta pode esperar e uma enorme barriga de nove meses menos umas horas, lá me apresentei no dito e famoso Hospital do Barreiro.
Estranhamente, não me fizeram essa coisa de toque. Mandaram-me para o RX.
Confirmaram que o bebé jamais conseguiria nascer através de parto normal, dado a posição em que se encontrava (em z) e a incompatibilidade cefalo-pélvica.
Informaram-me que iria, nessa mesma noite, fazer uma cesariana.
"Olha que bom, assim não vou sofrer nem gritar que nem uma desalmada! Podem chamar o  meu marido para eu falar com ele? E já agora, podem dar-me uma revista para eu ir lendo enquanto fico com o soro?"
Lá chamaram o futuro pai.
Quando ele chegou, de revista numa mão e soro na outra, perna traçada na cama, disse-lhe toda contente:
"Olha, vou fazer cesariana!"
Como se é ingénua à primeira vez... 
E assim foi. Alegre e sorridente entrei na sala de operações. " Então boa sorte a todos e até já!"
Quando acordei daquele até já é que foram " o elas..." Não podia comigo, muito menos com o meu filhote.
"Não se mexa!" Tem o seu filho a seus pés!"
Pés? Mas eu tinha pés? Eu só tinha barriga que era a única coisa que eu sentia ter! "Ponham-me a dormir outra vez! Quero comprimidos para as dores! O bebé está a chorar!"
Sem me aperceber muito bem como, saí do bloco de partos, rumo à enfermaria. Sim, naquele hospital não existem (existiam) cuidados intermédios, nem mordomias dessas...Atar e pôr ao fumeiro!
À porta lá estava o meu marido todo baboso, os meus irmãos (de chinelos acabados de chegar de trás do sol posto, mal souberam que havia bebé), a Madalena, (com um olho pintado e outro por pintar ,disseram-me, porque eu nem os olhos consegui abrir) e o meu papá. 
"É tão lindo! É lourinho! Chora tanto!" 
Os dias que se seguiram foram difíceis, por muitas razões que não quero enumerar.
Mas, olhando para trás, passado vinte anos, entre aquele momento de revista cor-de-rosa na mão e perna traçada e o outro em que a enfermeira me disse "não se mexa ,o seu filho está aos seus pés", passaram-se talvez, seis horas, mas eu amadureci mais de seis décadas.
HOJE O MEU FILHO FAZ VINTE ANOS!
PARABÉNS NUNO!

sexta-feira, 23 de julho de 2010

AGAIN!!!


As mães não têm palavra! Juras de mãe são juras de chinelo. Infelizmente.
Preparava-me eu para ir para férias, isto é, para ir descansar do descanso, desmerecido descanso do imposto tédio, bem sei, e eis que o meu filho se enfaixa contra um poste que há que séculos se encontra naquele mesmíssimo sítio.
Eu sei, eu sei. Mea culpa, mea máxima culpa.
Jurei, a pés juntos, no dia em que ele partiu o farolim do carro, (atenção partiu, não amolgou...), que jamais, jamais!, voltaria a pegar dito. Seja isto deserto, como o outro disse ou não, jamais ele voltaria a pegar no carro!
Mas jura de mãe vale o que vale, ou não vale e pronto. Hoje foi um poste que se atravessou bem ao meio do meu Volvo.
E foi o que lhe e me valeu, o Volvo, tenho a certeza. Se fosse um outro carro qualquer, a esta hora não teria carro nem filho.
Lá se foram as férias,...pelo menos como eu as imaginei,  lá se foi o carro. Ficou o meu filho.
Haja Deus!

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Dúvidas de mãe

Será que o polvo alemão ou o passarito de Singapura conseguem saber QUANDO é que eu tenho paz?
Ó polvo, diz-me lá quando é que o meu filho Carlos decide começar a ser um homenzinho!
E tu, passarinho adivinho das Ásias, sabes dizer-me quando é que a minha filhota deixa de ser tão obcecada com as notas e começa a viver a adolescência de uma forma mais natural?

sábado, 3 de julho de 2010

Mentira ou não??


O meu filhote do meio "tirou a carta"!
Que bom, não é? Já tenho quem me vá lavar o carro, ver a pressão dos pneus, me conduza aqui e ali, etc e tal.  Essas mordomias que uma mãe, apesar de jovem e jovial, vai adquirindo com o passar dos anos...
Pois...
Lá lhe emprestei o meu carro, após ele ter pedido, suplicado, implorado, rastejado e, sobretudo, moído-me a paciência e chagado-me o juízo.
10 minutos, não mais. O rapaz queria "horas de voo" e pronto, lá lhe dei as chaves para a mão.
Ao fim dos 10min, o Carlos entra em casa e diz-me, com aquele ar porreiro, descontraído e galã que o caracteriza:
"Mãe, senta-te. Tenho uma coisa para te dizer.  Bati com o carro!"
Claro que eu não acreditei, ora conhecendo-o como o conheço sei que ele faz tudo para me ver em stress, tem um gostinho especial por tirar-me do sério.
Sentada, olhei para ele, calmamente, e perguntei:
"Amolgaste a carro?"
"Não", respondeu ele, sempre de sorriso nos lábios.
"Pronto", pensei, "lá está ele a ver se me consegue pôr os nervos à flôr da pele. Este miúdo tem mesmo  a quem sair. Vejam lá o que é que ele ganha em estar-me a atazanar o juízo, colocar-me em stress -mãe, bati com o carro-? "
E passou.
À noite, em conversa, a Pat  pergunta-me:
"Mãe, já viste o que o Carlos te fez no carro?"
Bom, aqui mudei mesmo de cor. A Pat não brinca com coisas sérias!!
Fui ver o meu rico carro e deparei-me com o farol e o farolim partidos!! Liguei para o Carlos, pronta para lhe passar o maior dos sermões, pois além de bater, mentira-me! Logo da primeira vez que toca no carro e zás!
Do outro lado da linha, a voz descontraída do meu filho:
"Mãe, mas eu não te menti! Perguntaste se eu tinha amolgado o carro, não perguntaste se eu tinha partido alguma coisa!"
Mais palavras??!!


terça-feira, 15 de junho de 2010

Três letras

Mudei de cara ao blog.
Por falta de assunto, de imaginação, de pachorra para escrevinhar e qq dia, para continuar a giboiar neste meu sofá de penas e linho que, noutros tempos, já foi branco.
Já deu para notar que a noite foi/é longa...Pois...
Que palavrinha preciosa este "pois". Esta tem quatro letras, não três, como a outra, a mais que tudo.
Mas esta serve para desenrascar, empatar, encher, safar uma conversação, lá isso serve. Então agora com estas modas do teclar... é o pois e as "..." e está a conversa feita e o interlocutor despachado e ciente do nosso poder de comunicação. Ah pois é!
Já com a outra palavrinha das três letras a coisa é bem diferente: MÃE.
Ufa!! Quem é que entende uma palavra destas?
Qual quê!!
Mas passa pela cabeça de alguém que uma palavra de três letras tenha a mesma força que o nome Jesus Cristo? Que leve uma bofetada e ainda ofereça a outra face para levar outra? Kruzes Kredo! Isso é coisa da Alta Idade Média onde as mulheres eram seres desprovidos de qualquer pingo de razão, emoção, sentimentos ou inteligência, mães incluídas!
Alguém no pleno uso das suas faculdades mentais consegue perceber que uma mãe sofra dez vezes mais do que aquela criatura de Deus que botou à face da Terra, por que esta em vez de ter o 19 que achava que merecia teve o 18 que o professor achou por bem? Sim, mesmo depois ouvir um redondo "NÃO te ajudo", a mãe continua a sofrer por 1 valor!
1 valor, é o valor pelo qual sofrem essas três letras. Ou 1 décima, ou 1 milésima. Ou o que fosse. Nem que fosse o valor nético de um "pois...".
E a mãe é mesmo uma criatura do tempo da Alta Idade Média, com palas, emoções e inteligência direccionada para...
Portanto, minhas caras e meus caros, para aqueles que já estão fartos de ouvir-me gabar as façanhas da minha filhotinha ou os lamentar os desaires dos meus filhotes, só têm duas soluções:
- Ou voltam costas e eu fico, como já disse, a falar com as paredes cá de casa, como aliás o faço neste momento;
- Ou me mandam para a fogueira, sob acusação de feiticeira, tal como na Alta Idade Média (cá para mim vai, mais uma semana e vai ser esta...)
Ah!! não gosto deste layout do blog e agora não consigo voltar atrás. Que chatice, como diria a mamã, não a mãe!
:):)

terça-feira, 25 de maio de 2010

Teoria da Evolução

Há uns tempos atrás li, já não me lembro muito bem onde, uma frase de um actor de comédia, de cujo nome também já não me lembro, que dizia, se bem me lembro, mais ou menos assim:
" Se há evolução, então as mães deveriam ter mais de duas mãos"
Na minha quase total ausência de memória, para aquilo que realmente considero dispensável, atrever-me-ia a acrescentar à anterior frase, o seguinte:
... e muitos mais corações"
Passando da literatura à ciência, da teoria à prática, creio que "as mães" são um bom exemplo capaz de questionar toda a Teoriada Evolução de C. Darwin.
Afinal continuam a conseguir viver e sobreviver só com duas mãos e um coração...
:(:(

domingo, 2 de maio de 2010

Paixões

"Por que não escreves um post sobre paixões?"
"Por que não gosto de ter que escrever sobre temas pré- definidos. Não me saio bem. E depois Paixões é um terreno pantanoso. Que paixões? As permitidas ou as proibidas?"
Isto foi o que respondi.
O que pensei é que há sempre um jeito de escrever qualquer coisa e hoje é dia grande.
Hoje é dia da mãe.
Sei que é uma banalidade dizermos que os nossos filhos são a nossa maior paixão. Mas são-no , efectivamente.
É uma paixão não correspondida na mesma medida, o que a torna dolorosa. Uma paixão que sufoca, que dói, que não conhece paz, que não acalma com o passar do tempo.
É talvez a única paixão que não é amor à primeira vista, porque antes da "primeira vista" já há amor e já há paixão; já há carinho e já existe ternura; já sentimos dor e já nos aflige a preocupação.
É a única paixão que resiste aos rombos da desilusão erros genéticos ou dos picos hormonais da adolescência; aos feitos prematuramente irreverentes ou à passividade inata do nosso bem mais querido.
Querem que vos conte uma história? Aqui vai, fresquinha:
No dia seguinte ao voo da borboleta, uma das minhas paixões fez 17 anos.
Pensei para com os mil um tubos que tinha à minha volta: "Ana, há dezassete anos atrás, estavas numa cama da célebre instituição Maternidade Alfredo da Costa a olhar para uma coisinha pequenina, a tua bebé, finalmente a uma menina, tão perfeitinha, tão linda. Hoje, essa bebé está uma mulher e tu 17 anos depois estás novamente numa cama só que com mais tubos e mais cabelos brancos..."
Telefonei à minha paixão a dar-lhe os parabéns. Estava no intervalo das aulas. Toda entusiasmada com o seu aniversário, cheia de planos para o SEU dia. Talvez não tivesse tempo para ir ver a mãe. E não foi mesmo.
Acham que deixei de estar apaixonada ou fiquei zangada? Claro que não! É o que eu explicava, estas são mesmo daquelas paixões que a tudo resistem, até às slot machines!

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Alucinações

Aqui no SPA divido o quarto com uma outra Ana, também mãe de uma adolescente de 17 anos.
Hoje, depois da sessão do movimento sem relaxamento, que arrasou fisicamente com as duas "jovens" mães e do almoço estavamos ambas no quarto, quando alguém bateu à porta e disse: D. Ana, a sua filha.
Como a minha colega Ana se manteve impávida e serena, eu desviei o olhar em direcção à porta. Contra a luz, vi um vulto. Uma miúda algo alta, esguia, cabelos longos.
Pat! Não pode ser! Que aconteceu?!
Um turbilhão de pensamentos, um ciclone de emoções tomaram literalmente conta de mim! As pernas pesavam. A voz prendia.
A minha colega da cama do lado continuava sentada, calma e serena, esperando que a visita entrasse no quarto. Eu, a muito custo, combatendo desesperadamente toda aquela descarga de emoções, tentava dizer "Filha, Paaatt, Paatttrrí", mas nada conseguia dizer. A visita, como que em câmara lenta, movia-se lentamente, em nossa direcção.
Graças a Deus, a minha voz empastelou mesmo. Ainda bem que as pernas prenderam e eu não corri direito à porta.
É que assim não fiz figura de "generala" com alucinações.
É que não era a minha filha, a Pat. Era a filha da Ana, minha colega de quarto.
E a Ana achou a sua visita uma coisa tão natural "como a sua sede", que nem sequer se levantou da sua cama para a ir receber à porta. A garota entrou, cumprimentou a mãe, disse-me boa tarde e ficaram as duas a falar.
Eu saí. Não é bonito ficar a ouvir conversas de mãe e filha.
Depois de tanta alucinação, até que fiquei satisfeita. Afinal não morreu ninguém lá para as minhas bandas!!

domingo, 28 de março de 2010

M., de sobrinha

Foto de Ana F.
Depois dos três filhotes e do papá, o meu outro tesourinho. A minha sobrinha que todos os que me seguem neste blog conhecem por M..
M. de Madalena.
A Madalena não tem a determinação da prima; não tem nenhum handicap como o Nuno e, por tal, nenhum obstáculo (visível) que precise de ultrapassar; também não tem é a “eterna” menina como o Carlos.
A Madalena é uma menina dócil, encantadora, obediente, com um sorriso vivo e caloroso, uns olhos muito brilhantes que percorrem o mundo que a rodeia com a mesma suavidade que ela percorreu os quinze anos de vida: bailando graciosamente, em pontas, de modo a causar o minimo barulho possível, de modo a que não dessem por ela.
Mas demos por ela sim. E muito. Eu dei por ela. Os avós deram por ela. A mãe e o tios deram por ela. Os primos, os amigos deram por ela. Impossível não dar por ela.
Não consigo descrever a alegria que aqueles olhinhos e aquele sorriso transmitem assim como a força que aquele abraço transporta, ao mesmo tempo que diz “TIA!!” e eu respondo “SOBRINHA!!” É assim que nós nos tratamos.
Há cerca de um ano atrás, a M. telefonou-me e disse: “Tia, demoras muito a vir para casa?”. Não. Por acaso vou a caminho. Porquê? “Tenho uma coisa para te mostrar”. Ok. Pensei: lá vem bomba, Ana. Mais um teste com uma bruta negativa que tu vais ter de ajudar a tua sobrinha a mostrar ao avô (meu pai).Mas as tias são para isto mesmo…
Cheguei a casa e vi a M., sentada nas escadas, com a mochila nas pernas, encostada ao peito, como se guardasse um tesouro.
“Que foi desta, Madalena?”
“Tia, fazes-me um favor?”
“Faço, mas o que é que se passa? Que nota é que tiveste?”
“Não é nada disso, tia. Podes ficar com esta gatinha?”
E tira de dentro da mochila uma gatinha bebé, linda, linda, com cerca de três semanas.
“Mas eu já tenho um gato com 4 anos, Madalena!!”
Claro que experimentámos, o gato não admitiu a gatinha e tivemos que arranjar outra solução.
Entretanto, andámos a passear pelo Fórum, com a gatinha dentro da mochila e a M. a alimentá-la de fatias de fiambre e de queijo, durante uma tarde, enquanto pensávamos numa estratégia para convencer o avô…Mas conseguimos!! Claro que o meu papá acabou por ceder aos meus apelos e claro que a minha sobrinha ficou toda feliz da vida com a sua gatinha e eu toda feliz com a felicidade da minha sobrinha.
Para além do que já referi, a M. é muito mais do que uma menina que queria uma gatinha.É a outra filha que me visita no hospital ou me faz companhia quando eu estou doente, em casa.
Mas também tem as suas maluquices. É aquilo a que eu chamo de “micoses agudas” Todas as semanas “apanha “ uma diferente. Cada semana tem um problemas diferente nas unhas. Ora pintas roxas, ora bolas cor de laranja. Por vezes são riscas pretas. Às vezes aparecem uns brilhantes ou umas riscas prateadas…
Fica toda vermelha quando eu pergunto”Qual a micose desta semana?”, sobretudo se a pergunta é feita em frente do “papão” (leia-se avô). Encolhe as garras, como o “papão” só reparasse nelas quando eu pergunto…
Uma vez estávamos à mesa, a jantar e ela queixava-se das borbulhas. Eu com a maior das naturalidades e certamente por defeito de formação disse: “Se começares a tomar a pílula, isso passa”. A M. mudou de cor, a seguir engasgou-se, depois olhou para o “papão”, depois disse “TIA!!”. Depois corou, corou, até à raiz do cabelo, a seguir calou-se a olhar para o avô.
O meu pai calou-se. Nada disse. Eu fiquei sem saber o que estava a passar, que praga teria rogado, que blasfémia teria dito para ter sido repreendida por uma garota de 15 anos e merecer um silêncio reprovador de meu pai. Às duas por três, encolhi os ombros e disse: “Mas o que é que se passa aqui? A pílula não é só para evitar a gravidez!” A M. não aguentou mais, depois de ter tido todas as reacções possíveis, de tentar mais uma vez passar em bicos dos pés, sem que ninguém desse pela existência de uma adolescência com borbulhas lá em casa, teve que ceder à irreverência própria da idade e rir de uma forma solta e desinibida com aquilo que para ela ainda é o fruto proibido, uma coisa tão banal como… borbulhas e pílulas.
É a minha M., de sobrinha.
P.S.: A gata chama-se R., de gata (Raquel)

sábado, 6 de março de 2010

Hoje, a Princesa


Hoje calha a vez à Princesa. A ordem foi, naturalmente, do mais velho para o mais novo.
Uma menina foi o que eu desejei, desde sempre. Acho mais piada às meninas do que aos rapazes. Os vestidinhos, os laçarotes, a maneira de se expressarem, enfim… o mundo no feminino.
E à terceira foi de vez!!
Para o mais velho não existem barreiras, para o do meio as barreiras, se existirem, caem por si, sem o mínimo esforço ou empenho da parte dele.
A Princesa em tudo vê um obstáculo, um desafio, mas que é para ultrapassar, com muito esforço, dedicação, trabalho, mérito muito próprio.
Traçou o seu percurso, delineou os seus objectivos e é por eles que luta. Não sendo especialmente inteligente, como o irmão do meio, é tenaz, persistente, lutadora, defensora dos seus direitos, humilde qb, porque reconhece o seu esforço.
Tem o meu temperamento, a minha força de vontade. Por outra, corre-lhe nas veias o sangue da sua bisavó. Revejo os meus 16 anos nela, quando o ensino secundário era a grande barreira, o monstro que era capaz de decidir o nosso futuro. Mas o futuro dela foi ela mesma quem o decidiu, portanto, resta-lhe lutar.
A escola acima de tudo, se bem que volta não volta anda mouro na costa…
Se for necessário, dorme apenas 3 ou 4 horas, antes de um teste importante. Depois, é vê-la receber os prémios de mérito, ser agraciada com os primeiros lugares de um ou outro concurso…
Tem uma capacidade muito própria para as artes manuais (ao contrário da mãe). Pinta.
Mas tal como a mãe, adora escrever, botar para o papel os seus sentimentos, as suas angústias, as suas revoltas.
Dos três, é a mais difícil de “convencer”. É uma autêntica Toura!!
Em casa chamamos-lhe Patrícia, o nome da minha bisavó.
Lembro-me do dia do seu baptizado. Tínhamos escolhido uns padrinhos que não eram do seu agrado. Fez uma birra monumental, da qual ainda hoje se recorda, tal como recorda a sua escolha, a Célia, que é, segundo ela, a sua verdadeira madrinha. E se bem o pensou, melhor o diz e ainda melhor o mostra. É a Patrícia no seu melhor!
Podia dizer muito mais coisas, mas ela ficaria chateada. Apenas digo que é linda…

sexta-feira, 5 de março de 2010

L'Enfant terrible



Tenho três filhos os quais, escusado será dizer, são simultâneamente o maior tesouro e a minha maior preocupação (frase feita, comungada por todas as mães, Ok).
No outro dia falei do mais velho, o Nuno. Aquele jovem que com sangue de Leão e garras de Águia, ultrapassou o impensável. Tal como Jean Cocteau disse, em tempos "Não sabendo que era impossível, foi lá e fez".
Este é o Nuno.
Que dizer do irmão, o Carlos?
Pois, tarefa tão difícil quanto ingrata, a deste menino que veio ao mundo com um propósito muito firme – dar um irmão ao Nuno, o quanto antes, que o pudesse acompanhar, estimular, ajudar…ser “ a bengala” do Nuno.
O Nuno não se lembra de como era a vida sem o Carlos. O Carlos nasceu e cresceu sempre com o seu destino previamente determinado pelos pais, mas traçado por Deus que viu nele mais do que o irmão do Nuno.
Os dois irmãos começaram a gatinhar ao mesmo tempo; a andar ao mesmo tempo; foram para o infantário ao mesmo tempo, para a mesma sala. Tinham, inicialmente os mesmos interesses, mas ao fim de meia dúzia de anos, o Nuno procurava os amigos para jogar à bola (o Petit Roger, era como lhe chamavam, por ser loiro e pequenino como o jogador do seu SLB), e o Carlos ficava em casa, agarrado à televisão. Vá lá alguém perceber uma coisa destas…
No entanto, sempre soube o papel que lhe cabia. Ajudar, amparar, auxiliar o irmão. Era vê-lo, aos seis anitos de idade, carregar a mochila dele e do irmão. Era vê-lo ajudar o irmão a lavar-se, mas partes mais íntimas, a que não chegava. Era vê-lo a crescer, dotar-se da sua própria personalidade, distinta da do Nuno, mas igualmente fantástica.
O Carlos cresceu, o Nuno já não precisa dele (acho que nunca precisou, pelo menos da forma como imaginei). Tornou-se um acérrimo defensor da Natureza, um jovem solidário, um vanguardista, mas ao mesmo tempo um menino que parece não ter crescido. Teve a vida sempre condicionada, eu sei…
Mas também sei que é o meu grande amigo. Também sei que, quando estive doente, bastante doente, o Carlos desesperou. Ficava noites a velar por mim.
Uma vez, num acto tresloucado de desespero, ao ver-me prostrada na cama, começou a pontapear tudo o que via pela frente, incrédulo, revoltado, céptico com o que lhe estava a acontecer. Pegou num bâton e expressou nas paredes do meu quarto, bem em frente da minha cama, a sua indignação. Um código muito próprio dele, que até hoje não consigo entender, mas foi a sua forma de expressão. A mesma frase, pintada na parede, lá continua como que a fazer lembrar -me dele e desse seu momento de desespero.
Mas não cresceu… talvez um dia tenha tempo para pensar em si e crescer. Hoje, é o que se pode chamar de L'Enfant terrible, que acredita piedosamente que tudo lhe vem parar à mão, caindo do céu, sem o mínimo esforço. Dedicou-se ao surf, escolheu fazer uma disciplina por ano(!), e talvez um curso de cozinha aplicada à química ou química aplicada à cozinha, não entendo bem... Passou no exame de código à primeira vez, mas faz questão de chegar atrasado aos testes da única disciplina que está a fazer… isto quando se lembra que tem testes…
Tão depressa mergulha a mão do irmão num copo de água a ferver, enquanto este dorme, como vai limpar praias ou plantar árvores não sei muito bem onde.
Do mesmo jeito que testa o efeito da deslocação do ar sobre duas velas acesas no porta-bagagens do carro, é capaz de se tornar vegetariano, porque ninguém tem o direito de tirar a vida a ninguém, seja porco, vaca ou galinha. Para ele são seres vivos e ponto.
É diferente do Nuno, tal como da Patrícia (fica para a próxima), mas é um ser humano igualmente fantástico e, acima de tudo, é meu filho.