by Ana

Um espaço para partilhar as "tolices" de cada dia, de uma forma descontraída, descomprometida e com algum sentido de humor. Only that.

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quarta-feira, 7 de março de 2012

DECLARAÇÃO DE GUERRA



Ir ao cinema é um dos poucos prazeres que vou ainda vou cultivando, pese o facto do barulho das pipocas me irritar solenemente, de saber de antemão que nesta altura do ano certas salas de cinema são autênticos meios de cultura de vírus da gripe, do IVA ter encarecido os bilhetes, de me sujeitar, vezes sem conta, aos comentários dos vizinhos do lado, ou aos pontapés do perna longa que se sentou na fila de trás.

Vou ao cinema desde muito miúda, com o meu pai, ver os grandes clássicos como Música no Coração, Os Dez Mandamentos, no Tivoli ou no S. Jorge, ou, à socapa, muitos antes dos 18 anos que a lei obrigava, no velhinho Joaquim de Almeida, para ver O Caçador, La Luna ou outros que fizeram história.

Sou do tempo dos filmes indianos, dos da televisão, mas também daqueles do cinema, nos quais a rapariga da casta superior apaixonava-se sempre pelo rapaz errado, da casta mais que inferior, e lá vinha tragédia, música e dança. E, no fim de muita lágrima própria dos 15 anos e de uma tarde de sábado no cinema da avenida, tudo acabava bem, mesmo lá nas Índias que já não eram nem portuguesas nem inglesas, mas onde o amor era a arma que ainda vencia tudo aquilo que o dinheiro e a cultura separavam.

Gosto de cinema a sério e ainda no outro dia comentava para com os botões da fronha da minha almofada, o que seria que se teria passado com o Spielberg para começar a fazer filmes para galináceos a afins.

Um dos últimos filmes que vi foi "Declaração de Guerra". Não o vi numa tarde de sábado, num cinema da avenida. Vi-o num domingo à noite, num cinema de bairro.

Por incrível que possa parecer, o filme tinha tudo para ser normalzinho. O filme tinha legendas, a sala estava quase vazia, não havia pipocas, nem vizinhos pernudos.O filme era francês e a duas dimensões.

Mas daquele ecrã emanavam, continuamente, emoções. Emoções fortes, daquelas que se sentem como murros na boca do estômago e que fazem saltar água com sal dos olhos. E turvam a vista e fazem-nos confundir a Tempestade de Chopin com as variações de Goldberg de Bach e provocam-nos rewinds a 64 rotações seguidos de forward a 0,2,  à velocidade da luz... and cry and tears et douleur et cinéma.

Não era um filme indiano, nem a rapariga era imensamente mais rica do que o rapaz, mas nunca casaram, tiveram um filho e o amor acabou.

É por ver filmes destes, que me turvam as vistas e encolhem as entranhas, que continuo a gostar, imensamente de cinema.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

O meu amigo novo

Embora não pareça sou uma pessoa pouco dada a novas amizades. Gosto de rir, de brincar, mas isto de amizades, amizades a sério, daquelas que entranham o nosso coração e dominam o nosso pensamento, tem muito que se lhe diga. Poucas, mas boas e escolhidas a dedo.Sobretudo discretas, nada de espalhafatos, de encrencas, de talk-shows, de big brothers,...
Mas reconheço que até aqui a idade tem os seus truques e faz das suas partidinhas.
Ontem, foi dia se Santo Ordenado, dia de pôr as contas em dia, pois, mesmo não sendo eu PR, o meu salário é do tipo "ejaculação precoce": ainda agora entrou e já acabou. Dia santo, cumpri a solene tradição e lá me dirigi à caixa MB do Fórum, munida das papeladas das contas mensais para colocar em dia e zás. Uma, duas... à terceira foi a vez do carregamento do telemóvel.
Digitava 91 quando o meu amigo novo começou a matraquear-me uns números 63, 86, ... Às tantas, mensagem da ATM: referência inválida (valha-nos a Vodafone ser honesta!)
Ok, second round, recomeço, insiro cartão, pin do cartão,  91 e começa outra vez o meu amigo, agora em sequências de 3 algarismos, enquanto eu digitava, ele buzinava-me 663, 839, e a ATM: referência inválida!
Ai a chatice! Olho para trás, disfarço um sorriso e entre dentes explico, para a fila,  que se trata de um problema com o número do telemóvel. Eis que o terceiro cavalheiro, já grisalho, que deveria querer ser meu amigo também, propõe logo a solução: "a Srª telefone aqui para o meu topo de gama da quinta geração que acusa o seu nº e ficamos todos com o problema resolvido" (e ele com o meu nº para poder ser meu amigo, ora bem...)
Lá lhe explico que o meu plano de carregamento é daquelas coisas extraordinariamente mirabolantes para roubar dinheiro legalmente e à descarada e que, embora seja das poucas coisas na minha conta corrente que tenha um saldo largamente positivo ao fim do mês, quando chega ao dia do Santo, ou carrego ou a Vodafone corta-lhe o pio. Finish. No parla più.
Assim, puxo do dito, percorro a agenda nos A, à procura de uma Ana que me soasse a EU, mas Anas há muitas, nenhuma era EU. Tv em E de EU, mas nada, rien de rien. Lembrei-me então de V, de Vodafone. Rapidamente dei um pulo ao fim da lista, mas nos V, só um Veneno Branco, também 91 e que, diga-se de passagem, com este nome não pode interessar a ninguém!
E a fila crescia, crescia, mas eu sem telemóvel, não podia ficar. E o meu amigo continuava... é 91 663, não, 9163389...
Pego na minha moleskyne, onde tenho as passwords da escola para a direção de turma - justificação de faltas-, para a direção de turma - níveis-, para os níveis de professora, sem ser diretora de turma, para as impressões e fotocópias, para os sumários, os nibs das contas bancárias dos meus três filhos - para as transferências urgentes às três da madrugada- , as datas de nascimento dos meus namoricos todos, pois não quero esquecer estas coisas, e procuro, avidamente, um EU  Vodafone. NADA!
Às duas por três, olho para os olhos dos outros que já não queriam ser meus amigos, para as mãos nas ancas das senhoras que nunca pensaram ser minhas amigas e fui à Vodafone.
Lá chegada, viro-me para o meu amigo novo e disse-lhe:
"Oh Alzheimer, diz lá agora qual é o nº do meu telemóvel que a ATM não aceita"

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Habemus Papam

Quinhentas mil vezes apetece-nos abdicar, renunciar, "ipirangar" do papel que Deus ou a vida ou seja lá quem ou o que for nos reservou.
A maior parte das vezes a isso chamam "depressão".
A psi deste filme chamava-lhe "deficit parental". Eu vou nessa!


sábado, 12 de novembro de 2011

Latifúndios

Sempre fui de tudo ou nadas. Mais de tudo do que de nadas, confesso.
Nada de quases ou mais ou menos, ou de próximo de.
Do mesmo modo que latifundiava o meu coração, rasgava os meus sorrisos ou gritava os meus queixumes.
Porque não era de entrega por partes, nunca entendi os números racionais aplicados às emoções, ou ao trabalho, ou à vida, ou seja lá aquilo que fosse e que me envolvesse.
Durante anos a fio fiz regadio intensivo da cultura da menina perfeita. Em tudo e sem margens  de manobra para o quase. E ai da estrela que descesse do céu para o desmentir ou do pássaro que pousasse na janela da avó para semear a dúvida. A menina, a neta, a aluna  perfeita. E essa era a a cultura, sem pousios, que havia plantado no meu latinfundio. E era o tudo.
O avô, que era agricultor e homem da luta, olhava para mim com aqueles olhos um terço doces, um terço embevedecidos,  um terço preocupados, como que a querer dizer-me que até os latifúndios precisam de alternância de sementeiras. Mas eu nunca entendi números racionais e o olhar fracionado dele, para mim, mais não era que a multiplicação dos olhares. Era olhar de bisavô, avô, de pai, de amigo, sei lá...Eu, os latinfundios e de tabuadas só a de multiplicar. E depois, como que a dar-me razão, havia a avó, cujo o olhar era como o meu, latifundiava tudo por onde passava!! E zás, páz, tráz, era um tudo por tudo, que nadas ou quases, não eram com ela!
Daqueles olhos verdes magnéticos da minha avó, que não conheciam uma letra do tamanho de um burro, mas sabiam a tabuada de multiplicar toda na ponta da língua e repudiavam tudo o que fosse fracionar, fiz a minha rosa dos ventos e parti para o latifundiamento de mim, com regadio intensivo, sem direito a pousios nem modernices de reformas agrárias. Tudo à maneira da minha avô.
Foram hectares a perder de vista da cultura emocional híbrida Parvo-esperançosa, bem junto à saída da artéria aorta; do outro lado, perto da entrada da aurícula esquerda, mais não sei quantos ares duma outra cultura experimental,  Dodeixandar. 
Junto ao ventrículo direito, à saída para o pulmão, onde se pretende ar fresco, ai aí... aí foi a desgraça total: fui latifundiar, anos e anos a fio, esses preciosos hectares com a cultura pura do Insiste. Ia indo à bancarrota mais cedo que o país, não tivesse sonhado, um deste dias, com o meu avô.
Foi isso que me valeu, sonhar com esse  homem do sec. XIX, agricultor, que viveu duas guerras, duas repúblicas, a revolução dos cravos, a reforma agrária, e viu a Gabriela, cravo e canela. Disse-me ele, no sonho, que a economia evoluiu e a agricultura também. Que agora quem domina o mercado já não é a America e que o velho sonho europeu já era. Que a Merkel qq dia está tão arrumada como o M. Soares.
Disse-me que devemos arranjar várias bengalas, pois corremos o risco de sofrermos de osteoporose precoce e uma só bengala é pouco. Disse-me que o mundo qq dia é dos chineses e por isso devemos aprender com eles e trabalhar como eles. 
Acordei a pensar que vou latinfundiar arrozais.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

SHE

Já tinha dito que está é a música da minha vida?
Ainda não?
Pois, então digo-o agora!
É esta, com esta voz. SHE,... she, ououou, she....!



quinta-feira, 28 de julho de 2011

SHE (I)

Imagem daqui


Os seus braços redondos, próprios dos noventa e muitos quilos de peso, dificultavam a tarefa o suficiente para que aquela agulhinha  espetada naquele pedaço de gordurinha fosse tratada que nem um bebé acabadinho de nascer.
A primeira tentativa de infortúnio e má sorte tinha sido feita na noite anterior, pela enfermeira de serviço mas, obviamente, em vão.
Madrugada cedo, já no bloco operatório, o bracinho de Isabel viria então a merecer honrarias de braço de chefe de estado, dado que só a perícia, ou a paciência, da médica anestesista conseguiram o milagre do achamento da veia, tal terras de Vera Cruz no meio de milhas e milhas de oceano. Sabia-se que estava lá, só não se sabia ao certo onde…

- Não mexa esse braço,  Drª Isabel. Se perdemos essa veia, não encontramos outra!
- Estejam descansados, vou portar-me bem. Mas isto está a doeeeer…! Parece que está a infiltrar!!…
- Ora deixe cá ver? Infiltar???Qual infiltrar qual que!  Que nada! Se estivesse a infiltrar já tinha aqui um papo do tamanho do seu pulso! Isso é impressão, é nervoso miudinho. Aí..., esta senhora doutora. Nem parece que é uma mulher cá dos nossos meios. Quantos filhos tem a Drª?
- Três, fora os ameaços. Se a memória não me falha terão sido outros três.
- Hum… isso é que é o que se chama mulher valente, Drª Isabel - retorquiu a enfermeira. Ia sendo meia dúzia, hã! Casa de ferreiro, espeto de pau e é bem certo!
- Mulher valente…? Pois, não sei, não. Não tinha grandes alternativas, os tempos eram outros. Para o bem e para o menos bem e, seja lá isso o que for, hoje há a chamada Educação Sexual, que parece começar mal os miúdos acordam para a vida.
- Tem razão, mas teve três filhos e está a queixar-se de dores por causa de uma coisinha destas? Nem sequer tem agulha lá dentro, sabe? Isso era antigamente. Agora é praticamente um fiozinho de plástico muito maleável que fica dentro da sua veia.  Relaxe que vai tudo correr bem.

E o vai tudo correr bem continuou com mais uma transferência da mercadoria a retalhar. A terceira no espaço de meia hora e num raio de cinquenta metros. Não seria propriamente a dança da cadeira, mas a dança da marquesa.
Linda, sensual e perfumada com o gel anti-séptico do duche das sete da manhã, que se seguira ao clister,  apenas vestia  uma bata retro vintage seexty “verde – esperança”, feita de uma espécie de papel reciclado das revistas de moda ,   ultra anti séptico e semi transparente, o que aumentava o seu grau de sensualidade, atada ao pescoço e aberta atrás, em todo o seu esplendor.

- Vá, vamos lá, Drª Isabel. Esta é a última mudança. Cuidado com o bracinho.

 Desta feita, seria o último transbordo, o derrame para a pole position de todas as marquesas, para o palco,  para ribalta do retalho, onde os focos de luzes não faltavam,  o proscénio, a um palmo do fosso. A mesa de cirúrgia.

- Agora, Drª, faça exactamente como lhe vamos dizer  (como se a Isabel lhe passasse pela cabeça fazer de maneira diferente)
- Escoste –se toda à esquerda,... vá mais um pouco... Um bocadinho mais. Chegue mais o rabinho para a ponta da marquesa.  Agora passe para a mesa. Calma, devagar. Venha mais para baixo. Isso. Agora endireite o tronco para este lado. Estique o braço esquerdo, cuidado com a agulhinha!!! Agora coloque o braço o direito ao longo do corpo.
- O direito sai da mesa- observou outra enfermeira. A Drª Isabel é gordinha. Temos de arranjar uma espécie de tala para o braço caber na mesa.
- Deve estar a brincar! -  disse Isabel, no meio de uma gargalhada.
- Não, Drª, é que a equipa médica tem de caber toda desse lado e o seu bracinho também. É muita coisa, sabe. E para mais um dos cirurgiões também ocupa muito espaço.
-Ah! Estou mais descansada. Logo vi que o problema não me era intrínseco. Afinal é uma questão de logística da equipa médica.

Isabel, apesar das suas formas redondas e dos seus cinquenta anos, era uma mulher bastante  feminina que gostava de mostrar as suas formas, de provocar com as suas curvas e extra-curvas. Achava-se interessante, com alguma piada, sentido de humor, era descomplexada e dona de uma auto-estima capaz de ombrear com a de uma Miss América saída de uma clínica de lipoesculturas. Enfim, uma mulher descontraída, sorridente,  cativante.
Apesar das talas para a mesa de cirurgia ou das picadas para encontrar as veias invisíveis, estava relaxada, sorridente, bastante  auto confiante, atendendo à situação em si, e obedecia, sem pestanejar, a todas as indicações que as enfermeiras que davam.
Afinal, o que se propunham fazer com o seu corpo para ela eram peanuts.   Coisa pouca, em princípio iria apenas retirar um quisto mamário.
Mulher calejada, useira e vezeira em situações cirúrgicas, amiga fiel do bistúri, por mão própria ou alheia, ah! mais corte, menos corte, desde que pudesse continuar a usar os seus decotes, mostrar o contraste da sua tez leite com os ondulado do seu cabelo negro, tal como o da sua avó, nada lhe faria qualquer impressão.
 Chegou a equipa médica, a qual soltou as gracejolas  da praxe, às quais Isabel respondeu, de igual para igual e, mal o anestésico entrou no soro  desejou boa sorte à equipa, fechou os olhos e, sem perder tempo, correu na direcção àquele túnel vazio, oco, isento de gravidade, mas que a puxava com uma força inexplicável a que ela também, inexplicavelmente, cedia.

terça-feira, 26 de julho de 2011

A direcção do olhar

 
 
"Há quem seja feito de passado, quem viva de histórias guardadas a que chama recordações. Há quem caminhe sem sair do mesmo lugar. Passam os dias, os anos e um dia quando o final se aproxima, não o aceita porque não caminhou para ele. Só então  se dá conta que não tendo passado pelo tempo, o tempo passou por si. 
Não adianta negar, não adianta parar o tempo só porque nós parámos no tempo; ele prossegue alheio à nossa vontade. Passa como  tivesse asas de vento. E quando reclamamos da sua rapidez, responde-nos com altivez : "O tempo é igual para todos, uns vivem-no com o olhar preso no que passou, na infelicidade que viveram, outros têm o olhar apontado para o futuro, aproveitam cada instante para procurar a felicidade que ainda não alcançaram."
E porque o tempo continua a passar, não se esqueçam de escolher a direcção do vosso olhar."

Adaptado do post.it publicado em Pós de bem querer

terça-feira, 12 de julho de 2011

É SEMPRE AQUELE COM QUEM ESTAMOS...



Um dia afirmei, peremptoriamente, que sabia que nunca viria a ser o "love of your live" e que quase tinha a certeza que tu jamais serias o meu "love of my live".
Pensava, então, que a idade que tínhamos (ou temos) nos impedia de tecer todas as cumplicidades que constroem o "amor de uma vida"; ou que o tempo que teríamos pela frente não seria suficiente para nos rirmos de todas as histórias, cantar todas as músicas e ainda construir a nossa história, sem histórias, como tu sempre me pediste.
Um dia, quando tinha quatro anos e umas longas tranças pretas, afirmei, convictamente, que quando crescesse iria ser médica  e descobrir a cura para os ataques do coração.

ILY

quarta-feira, 29 de junho de 2011





Vivo obcecada com isto!!!
Estou limitada a um pãozinho por dia (96cal), ao pequeno almoço. Ora, se tomar o pequeno almoço dia sim dia não, e no dia sim  comer o meu adorado croissant sem recheio (192cal), será que se nota muito na balança?

domingo, 22 de maio de 2011

Músicas da nossa vida

A minha música preferida de todos os tempos é a SHE. É tão preferida, mas tão preferida mesmo, que acho que se um dia tiver um yate, ou um jactozinho, lhes vou pôr o nome de SHE.
Mas isso toda a gente já sabe. Vero?
A seguir vem uma outra, bem velhinha, mas que marcou  uma fase da minha vida. 
É esta:
Por vezes dou por mim a ouvi-la e ouvi-la e ouvi-la e ouvi-la e ouvi-la...
E vocês, qual a vossa música preferida?

domingo, 15 de maio de 2011

Eu sou D.U.R.O.!


Ao fim e ao cabo, depois de facadas e ataques bombistas radioactivos, venci o intruso, o bicharoco maldito e juntei-me aos bravos D.U.R.O's.

Doentes que
Ultrapassaram
Realidade
Oncológica

É caso para dizer:  Não venham eles, mas se voltarem, vou vencê-los!

quinta-feira, 5 de maio de 2011

O amarelo fica-me bem...


Ao passar junto do Estádio de Alvalade, começo a ouvir um barulho semelhante a um bombardeiro.
Será que o SCP contratou o André Vilas- Boas?
Será que a Al-Qaeda retaliou?
Será que tenho um Concorde a cair em cima de mim?
Nã... é tão somente um pneu furado, coisa pouca, na segunda circular e a hora de ponta!
Manual de instruções:
- pega-se no telemóvel e telefona-se para a primeira figura masculina que vem à cabeça (o papá)
- saí-se do carro, procura-se o triângulo e o colete no meio da confusão do porta-bagagens
- veste-se o colete
- coloca-se o triângulo a 10m de distância
- encostamo-nos ao carro, com o nosso melhor sorriso e espera-se que algum cavalheiro se ofereça para acudir, enquanto se forma uma monumental fila na 2ª circular
- 2 minutos depois,... voilá



Só que para azar dos távoras, o pneu suplente estava também furado.
Seguindo o plano B do manual de instruções:
- Telefona-se novamente ao papá
- Chama-se o reboque
- e espera-se.

Entretanto, aprecia-se a confusão que um pneu furado consegue criar na dita artéria de circulação da capital,
acena-se para as câmaras de vigilância e controle do trânsito, falamos com as sucessivas brigadas da autoridade que vão chegando, avaliamos o parque automóvel (em altura de crise), que vai desfilando à nossa frente,  e testa-se o efeito que uma lady vestida com um colete amarelo fluorescente causa no transeuntes.
Ah! depois de tudo, deixei o triângulo esquecido no meio da 2ª circular.

domingo, 1 de maio de 2011

Just another day...

Dizem que hoje, por ser o primeiro domingo de Maio, foi dia da Mãe.
Foi mesmo?

sexta-feira, 29 de abril de 2011

BACK TO THE WORK!



E não é que até foi fácilzinho?
A voz, habituada ao descanso, não falhou e a emoção, por ver aqueles olhinhos brilhantes esteve presente, como sempre.
Et voilá, ... era tudo quanto precisava.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Mensagem doce

Há um voo que faço em cada madrugada. Abro as asas da esperança e vou até ao ninho que um dia sonhei ser o meu leito de ternura. Nele busco incessantemente vestígios da sua presença. Quem sabe veio por entre as nuvens escuras, quem sabe veio no embalo do vento visitar o meu ninho e nele deixou uma pena branca de paz e de alento. Pouso de mansinho com receio que esvoacem dele os vestígios da sua chegada e da sua partida. Perscruto cada folha que lá coloquei para tornar o mais acolhedor  para si. Toco ao de leve cada grão de terra que o vento  norte deixou na sua demanda. Sondo a brisa, quem sabe as suas asas tenham ensaiado algum voo de coragem até ali, mas no ultimo momento hesitaram e partiram sem chegar a pousar.
 Quedo-me em silêncio, um silêncio que antevê a queda duma lágrima sobre este ninho que nunca foi habitado pelo amor, que nunca foi partilhado por calorosas asas. 
Quantas mais estações vou ter que esperar? Quantos mais invernos irão passar e destruir o ninho que em cada primavera reconstruo para te receber? Talvez seja tempo de partir, talvez seja tempo de construir outros sonhos para sonhar. Talvez seja tempo de ensaiar novos voos, enquanto as asas ainda mo permitem…

Texto recebido por e-mail

terça-feira, 12 de abril de 2011

Mensagem do Tejo


O Tejo, o rio, mandou-me um e-mail que tinha como assunto "MENSAGEM DO TEJO" e dizia assim:

Agora que tens o mar por companhia
Esqueceste este velho rio, chamado Tejo
E como ele se entristece sem ti.
Nas suas águas solitárias pela tua ausência
Reclamam num tímido murmurar de maré.
Esqueceste que foi ele quem uniu as margens
Aquela de onde vieste e aquela onde estás.

Que triste está o Tejo
Sem ver o teu olhar
Sem ver o teu sorriso
Sem respirar o teu ar.

Tolices de um  velho rio dirás, numa gargalhada traiçoeira.
Mas que queres formosa donzela se nestas águas frias bate
o mais quente e saudoso coração?

Ah!, querido Tejo, não sejas ciumento. Sou tua filha, nascida e criada as entre as tuas margens, mas até os rios correm para o mar..., verdade?

domingo, 10 de abril de 2011

CAMINO



"La vida é bella" fez história. Muitas lágrimas correram nas salas de cinema à medida que aquele pai inventava estórias para esconder do seu "picollo" a dura realidade do campo de concentração. Porque aquele pai desempenhava tão bem a sua função de pai, em situações tão limites,o mundo siderou  e o filme encantou.
Mais recentemente, "Precious", a história verídica de uma jovem 16 anos, chocou. "
Precious" uma jovem iletrada, obesa, violada pelo pai, abusada  física e psicologicamente pela mãe, consegue reunir força e coragem para ultrapassar todos os obstáculos, estudar e criar o seu filho recém nascido. Comoveu, sem dúvida.
Este ano, "Biutiful", é o drama de um homem, e pai, praticamente família única de seus filhos, que de um dia para o outro descobre estar às portas da morte. Os receios, as dúvidas, a angustia de os deixar... Tremendo.

Não sei se por estar blindada por tanta coisa que me tem acontecido, ou por ser mesmo mazinha, coração de pedra, mas o que é certo é que nenhum destes me fez correr alguma lágrima, nem sentir um nozinho na garganta ou um leve aperto no peito.
São coisas...
Hoje fui ver "Camino".
Quando o filme acabou, apenas disse à pessoa que me acompanhava: " Não digas nada".
Nada conseguia dizer perante o que acabava de ver. 
Sentia o tal aperto no peito,  e esse nó na garganta. As lágrimas ameaçavam saltar a todo o momento, bastava uma palavra ser dita ou um suspiro ouvido.

Tal como sei que, felizmente, existem pais como o da "Vida é bella" e  o do "Biutiful"  e, infelizmente, mães e pais como o da "Precious", existem muitos e muitos como o da "Camino".
No entanto há uma diferença. Enquanto que os pais da "Precious" são vistos como pessoas não saudáveis e inaptas para educar, os da Camino (a mãe) são vistos como exemplo da sociedade.
Mães/Pais que fazem acreditar que no sofrimento é que está a redenção,  o exemplo a seguir, que é através do sofrimento que se atinge a perfeição do próprio e dos outros;  adultos que educam crianças nestes princípios, que lhes castram os sonhos da infância e da adolescência, será que diferem muito dos pais de "Precious"?

sexta-feira, 8 de abril de 2011

BLUES FÚNEBRE



Nunca me dei bem com calor excessivo (entenda-se mais do que 25º), com sol em exagero (isto é, nem uma nuvenzita a pintar o céu). 
Como se isto não chegasse ligo a TV e só ouço nomes começados por "Fs". Ele é FEED, ele é FMI, ele é Fitch, ele é ... é Funeral.
Foi exactamente isso que me veio à memória, de tantas vezes ouvir aquele som do F.
Numa destas noites em que o sono não chegava, atormentado por tantos Fs que me ...fraquejam  a alma(o que é que pensavam que eu ia escrever, hem?), pus-me a ver "Quatro casamento e um funeral".
Às duas por três, surge este poema:



BLUES FÚNEBRE

Parem todos os relógios, desliguem o telefone,
Impeçam o cão de latir com um osso enorme,
Silenciem os pianos e ao som abafado dos tambores
Tragam o caixão, deixem as carpideiras carpir suas dores.

Deixem os aviões aos círculos a gemer no céu
Rabiscando no ar a mensagem Ele Morreu,
Ponham laços crepe nas pombas brancas da nação,
Deixem os sinaleiros usar luvas pretas de algodão.

Ele era o meu Norte, meu Sul, meu Este e Oeste,
Minha semana de trabalho, meu Domingo de festa
Meu meio-dia, meia-noite, minha conversa, minha canção;
Pensei que o amor ia durar para sempre: foi ilusão.

As estrelas já não são precisas: levem-nas uma a uma;
Desmantelem o sol e empacotem a lua;
Despejem o oceano e varram a floresta;
Porque agora já nada de bom me resta.

W. H. Auden

Escusado será dizer que o filme acabou e eu esqueci os malditos Fs, mas fiquei a matutar noite dentro...sem sono, sem vontade de dormir.
Por que será que só damos o real valor a uma pessoa quando a perdemos? Por que temos que perder para aprender o valor real de algo ou de alguém?
Olho para a minha mais assídua companheira destes últimos tempos, a Julieta, uma gata de três patas, já com 15 anos, marrequinha, chatinha, mimadinha, mas má como as cobras. Farto-me de reclamar as dentadas que ela me dá, do pêlo que ela larga, das madrugadas que ela me rouba com o seu miar de bebé mimado a reclamar por colinho...
Mas quando ela se for...quando ele se for "Parem todos os relógios, desliguem o telefone..."

terça-feira, 5 de abril de 2011

Forty 7 or Seventy 4????


Pois é, pois é, estão cheios de razão! Já reclamaram que o meu SHE anda votado ao abandono. 
Nada disse sobre o meu aniversário; não me manifestei sobre a vitória do meu FCP na escuridão da Luz; não comento a desgraça engraçada a que o meu segundo clube (SCP) chegou, nem a malfadada história que se repete do nosso destino inglorioso enquanto Nação que outros mundos deu ao mundo...
Pois não... é verdade.
Gozo os meus últimos dias de férias, reflicto (mas não sobre o acordo ortográfico) e perspectivo o meu retorno (para breve) ao trabalho, após mais de um ano de ausência.
Vagueio entre o mar e os poetas, entre o antes, o agora e o depois.
E querem saber o resultado? No dia em que festejei o meu aniversário, alguns dos presentes interrogavam-se se as velas estariam na posição correcta, isto é: 47 ou 74?
Estou mesmo bem conservada!