by Ana

Um espaço para partilhar as "tolices" de cada dia, de uma forma descontraída, descomprometida e com algum sentido de humor. Only that.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

"Telepatia"




Em 1981, quando soaram os primeiros compassos desta "telepatia", vivia dividida entre a obrigação de continuar a ser uma menina bonita, exemplar e aplicadinha nos estudos (estava no final do ensino secundário) e a vontade de mandar os livros, os apontamentos, os trabalhos e os cadernos às urtigas e correr atrás das emoções dum grande amor que despertava pela mesma altura.
Recordo-me, perfeitamente, de ter os esquemas do desenvolvimento/reprodução das angiospérmicas à minha frente, prontinho para ser devorado, e começar a ouvir, vindo não sei muito bem donde, a Lara com a sua telepatia. E logo as plantas paravam de se desenvolver, ficavam estéreis, ao mesmo tempo que eu perdia o meu olhar no infinito, esforçando-me telepatizar com ele.
Hoje, cada vez que ouço a "Telepatia", recordo-me das angiospérmicas que, apesar de tudo, continuam o seu ciclo de reprodução, e desse grande amor que foi resistindo a muitas coisas, algumas delas bem mais difíceis do que entender o ciclo de desenvolvimento das angiospérmicas...

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Hope





"Se você me esperar, voltarei
Mas espere-me com muita força
Quando a chuva trouxer a tristeza
Espere que a neve se dissipe
Espere quando o verão triunfar
Espere quando esquecer o passado”


Poeta Simonoff (Les uns et les autres)

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Profs de férias!

Os professores já estão de férias.
Acabaram as aulinhas e agora é vê-los encherem as esplanadas, os centros comerciais, as agências de viagens, as praias...
Bom, nem todos, nem todos...
Alguns ainda optam pelo facebook, ou pelos blogs, é conforme.
Eu cá optei por redigir relatórios, mas ouvi falar de uns quantos que preferiram classificar exames nacionais, às resmas e em tempo record. Dizem que o MEC paga bem!!
Isto é como em tudo, ... excentricidades...


quinta-feira, 14 de junho de 2012

Um "tema de assunto"

Não me tem apetecido escrever. Não por não ter montes de "assunto de tema" ou "tema de assunto", mas simplesmente porque não. Não flui, não tenho sentido necessidade de.
Hoje, recebi por e-mail esta reflexão sobre a língua portuguesa, em jeito de redação, escrita por um aluno do 8ºano.
Ora aqui ficam as palavras do João, como se fossem as minhas.

Declaração de Amor à Língua Portuguesa

Vou chumbar a Língua Portuguesa, quase toda a turma vai chumbar, mas a gente
está tão farta que já nem se importa. As aulas de português são um massacre.
A professora? Coitada, até é simpática, o que a mandam ensinar é que não se
aguenta. Por exemplo, isto: No ano passado, quando se dizia “ele está em
casa”, ”em casa” era o complemento circunstancial de lugar. Agora é o
predicativo do sujeito.”O Quim está na retrete” : “na retrete” é o
predicativo do sujeito, tal e qual como se disséssemos “ela é bonita”.
Bonita é uma característica dela, mas “na retrete” é característica dele?
Meu Deus, a setôra também acha que não, mas passou a predicativo do sujeito,
e agora o Quim que se dane, com a retrete colada ao rabo.
No ano passado havia complementos circunstanciais de tempo, modo, lugar
etc., conforme se precisava. Mas agora desapareceram e só há o desgraçado de
um “complemento oblíquo”. Julgávamos que era o simplex a funcionar: Pronto,
é tudo “complemento oblíquo”, já está. Simples, não é? Mas qual, não há
simplex nenhum,o que há é um complicómetro a complicar tudo de uma ponta a
outra: há por exemplo verbos transitivos directos e indirectos, ou directos
e indirectos ao mesmo tempo, há verbos de estado e verbos de evento,e os
verbos de evento podem ser instantâneos ou prolongados, almoçar por exemplo
é um verbo de evento prolongado (um bom almoço deve ter aperitivos, vários
pratos e muitas sobremesas). E há verbos epistémicos, perceptivos,
psicológicos e outros, há o tema e o rema, e deve haver coerência e
relevância do tema com o rema; há o determinante e o modificador, o
determinante possessivo pode ocorrer no modificador apositivo e as locuções
coordenativas podem ocorrer em locuções contínuas correlativas. Estão a ver?
E isto é só o princípio. Se eu disser: Algumas árvores secaram, ”algumas” é
um quantificativo existencial, e a progressão temática de um texto pode
ocorrer pela conversão do rema em tema do enunciado seguinte e assim
sucessivamente.
No ano passado se disséssemos “O Zé não foi ao Porto”, era uma frase
declarativa negativa. Agora a predicação apresenta um elemento de
polaridade, e o enunciado é de polaridade negativa.
No ano passado, se disséssemos “A rapariga entrou em casa. Abriu a janela”,
o sujeito de “abriu a janela” era ela,subentendido. Agora o sujeito é nulo.
Porquê, se sabemos que continua a ser ela? Que aconteceu à pobre da
rapariga? Evaporou-se no espaço?
A professora também anda aflita. Pelo vistos no ano passado ensinou coisas
erradas, mas não foi culpa dela se agora mudaram tudo, embora a autora da
gramática deste ano seja a mesma que fez a gramática do ano passado. Mas
quem faz as gramáticas pode dizer ou desdizer o que quiser
,
quem chumba nos
exames somos nós. É uma chatice. Ainda só estou no sétimo ano, sou bom aluno
em tudo excepto em português,que odeio, vou ser cientista e astronauta, e
tenho de gramar até ao 12º estas coisas que me recuso a aprender, porque as
acho demasiado parvas. Por exemplo, o que acham de adjectivalização deverbal
e deadjectival, pronomes com valor anafórico, catafórico ou deítico, classes
e subclasses do modificador, signo linguístico, hiperonímia, hiponímia,
holonímia, meronímia, modalidade epistémica, apreciativa e deôntica,
discurso e interdiscurso, texto, cotexto, intertexto, hipotexto,
metatatexto, prototexto, macroestruturas e microestruturas textuais,
implicação e implicaturas conversacionais? Pois vou ter de decorar um
dicionário inteirinho de palavrões assim. Palavrões por palavrões, eu sei
dos bons, dos que ajudam a cuspir a raiva. Mas estes palavrões só são para
esquecer, dão um trabalhão e depois não servem para nada, é sempre a mesma
tralha, para não dizer outra palavra (a começar por t, com 6 letras e a

acabar em “ampa”, isso mesmo, claro.)
Mas eu estou farto. Farto até de dar erros, porque me põem na frente frases
cheias deles, excepto uma, para eu escolher a que está certa. Mesmo sem
querer, às vezes memorizo com os olhos o que está errado, por exemplo:
haviam duas flores no jardim. Ou : a gente vamos à rua. Puseram-me erros
desses na frente tantas vezes que já quase me parecem certos. Deve ser por
isso que os ministros também os dizem na televisão. E também já não suporto
respostas de cruzinhas, parece o totoloto. Embora às vezes até se acerte ao
calhas. Livros não se lê nenhum, só nos dão notícias de jornais e
reportagens,ou pedaços de novelas. Estou careca de saber o que é o lead,
parem de nos chatear. Nascemos curiosos e inteligentes, mas conseguem
pôr-nos a detestar ler, detestar livros, detestar tudo. As redacções também
são sempre sobre temas chatos, com um certo formato e um número certo de
palavras. Só agora é que estou a escrever o que me apetece, porque já sei
que de qualquer maneira vou ter zero.
E pronto, que se lixe, acabei a redacção - agora parece que se escreve
redação.O meu pai diz que é um disparate, e que o Brasil não tem culpa
nenhuma, não nos quer impôr a sua norma nem tem sentimentos de superioridade
em relação a nós, só porque é grande e nós somos pequenos. A culpa é toda
nossa, diz o meu pai, somos muito burros e julgamos que se escrevermos ação
e redação nos tornamos logo do tamanho do Brasil, como se nos puséssemos em
cima de sapatos altos. Mas, como os sapatos não são nossos nem nos servem,
andamos por aí aos trambolhões, a entortar os pés e a manquejar. E é bem
feita, para não sermos burros.
E agora é mesmo o fim. Vou deitar a gramática na retrete, e quando a setôra
me pe.rguntar: Ó João, onde está a tua gramática? Respondo: Está nula e
subentendida na retrete, setôra, enfiei-a no predicativo do sujeito.

João Abelhudo, 8º ano, setôra, sem ofensa para si, que até é simpática

(enviado por e-mail)

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Cantigas de sempre



Esta é uma daquelas que ouvimos e ouvimos e cantamos e cantarolamos e encantamos e desencatamos e entranhamos e respiramos e transpiramos e sussuramos e sonhamos. Sempre. 

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Serviço público I


Perante esta notícia do Sol, pensei que, finalmente, se teria feito luz, algures nalguns gabinetes do ministério da economia, nomeadamente, naqueles onde trabalham uns senhores que, volta não volta, vestem uns coletes pretos, ostentando umas letras garrafais nas costas - ASAE- e limpam a pente de caça piolhos todos os cochichos, vãos de escada, feiras francas ou desonestas, do norte ao sul, incluindo as Desertas onde o Zé da colmeia vende o mel da abelha Maia, a Maria do Céu comercializa as couves da consoada, a Chica vende os ovos de galinha Pita.
E é razia. Ah pois! A bem da saúde pública e no estrito cumprimento das normas comunitárias aprovadas pelas respetivas decisões, com a redação conferida através das diretivas e ratificadas pelos conselhos dos 27. E isto não é pera doce, não se pense... É muito papel, muita lei, muito número, ...
O Zé não pode vender o mel da colmeia da Maia, pois não apresentou o certificado da vacina da bichinha, contra o vírus da estirpe Abhelhidium, logo está a saúde pública em risco;
Em análise macroscópica, provam e comprovam que as couves da Maria foram fertilizadas com o estrume da mula. Não pode, não pode.... A norma CE xyz /abc/CE com a última redacção que lhe foi dada pela decisão XPTO/CE, assim o dita. Consoada de Natal, ou com o cumprimento da norma de Bruxelas ou então, coma-se couve de bruxelas.
E os ovos da Pita? Esses terão de ser confiscados. A Chica estava a defraudar o consumidor. Os zigotos, que nem S poderiam ser,  estavam misturados outros L e, muito de quando em vez, um XL, com mais de 73g, apregoando a Chica ovos de duas gemas. Dois crimes se configuram neste cenário. Um crime económico e um crime alimentar, pois a Pita não tem vacinas, come os restos da Chica e foi  desparasitada quando o cão do vizinho lhe ferrou uma dentada,  dois dias antes de pôr os ovos!
Agora ASAE, agora que podias prestar um verdadeiro serviço público, de qualidade,  à nação, que fazes?
Mudas de palácio!
Oh ASAE!!!!!








sábado, 12 de maio de 2012

Crise artificial e/ou psicológica


Tenho vivido angustiada, enquanto mãe, perante a imaturidade e a passividade do meu filho Carlos, de 20 anos, face à situação que o país atravessa e que ele teima rotular de "psicológica".
Volta não volta, quando o assunto é dinheiro para mais uma folia, e a pergunta, em jeito de resposta, que sai da algibeira é a única possível: "Ó filho já ouviste falar da crise?", lá vem a resposta: "Ó mãe, a crise é psicológica!"
E mais uma crise (de angústia) para mim, pois, além de não conseguir satisfazer as "necessidades" do menino, aflige-me o facto do meu petiz não conseguir perceber que, realmente, a crise, não se resolve com Prozac.
Há pouco, abri o meu facebook e deparei-me com os feeds que davam conta das declarações de um boy, que só soube o que era trabalhar aos quarenta anos de idade, depois de se licenciar aos trinta e sete (mais ou menos o caminho que o meu filho se prepara para tomar) e que  rezavam assim:

"Acho que o país está um bocadinho cansado das crises artificiais e desta tentativa de distorcer e de aproveitar qualquer coisa para querer fazer uma tensão enorme no país. Sei bem o que disse e mantenho o que disse”, afirmou Pedro Passos Coelho, em declarações aos jornalistas.

Pronto, já sei onde o meu filho anda à catequesse!!
Já posso dormir descansada, afinal ele não é parvo de todo. Está a preparar o caminho para primeiro-ministro.


quinta-feira, 8 de março de 2012

O avental da Meryl

Sabem o que é que a televisão tem de melhor?
Não?
É isto:
Uma comentadora de cinema comentou a atribuição do Oscar para melhor atriz a Meryl Streep, da seguinte formal:
- A Meryl Streep vive de costas voltadas para Hollywood. Foi receber o Oscar vestida com um avental!

Ora toma lá o avental! Tumbas, vai bugiar pra feira de Carcavelos!!

quarta-feira, 7 de março de 2012

DECLARAÇÃO DE GUERRA



Ir ao cinema é um dos poucos prazeres que vou ainda vou cultivando, pese o facto do barulho das pipocas me irritar solenemente, de saber de antemão que nesta altura do ano certas salas de cinema são autênticos meios de cultura de vírus da gripe, do IVA ter encarecido os bilhetes, de me sujeitar, vezes sem conta, aos comentários dos vizinhos do lado, ou aos pontapés do perna longa que se sentou na fila de trás.

Vou ao cinema desde muito miúda, com o meu pai, ver os grandes clássicos como Música no Coração, Os Dez Mandamentos, no Tivoli ou no S. Jorge, ou, à socapa, muitos antes dos 18 anos que a lei obrigava, no velhinho Joaquim de Almeida, para ver O Caçador, La Luna ou outros que fizeram história.

Sou do tempo dos filmes indianos, dos da televisão, mas também daqueles do cinema, nos quais a rapariga da casta superior apaixonava-se sempre pelo rapaz errado, da casta mais que inferior, e lá vinha tragédia, música e dança. E, no fim de muita lágrima própria dos 15 anos e de uma tarde de sábado no cinema da avenida, tudo acabava bem, mesmo lá nas Índias que já não eram nem portuguesas nem inglesas, mas onde o amor era a arma que ainda vencia tudo aquilo que o dinheiro e a cultura separavam.

Gosto de cinema a sério e ainda no outro dia comentava para com os botões da fronha da minha almofada, o que seria que se teria passado com o Spielberg para começar a fazer filmes para galináceos a afins.

Um dos últimos filmes que vi foi "Declaração de Guerra". Não o vi numa tarde de sábado, num cinema da avenida. Vi-o num domingo à noite, num cinema de bairro.

Por incrível que possa parecer, o filme tinha tudo para ser normalzinho. O filme tinha legendas, a sala estava quase vazia, não havia pipocas, nem vizinhos pernudos.O filme era francês e a duas dimensões.

Mas daquele ecrã emanavam, continuamente, emoções. Emoções fortes, daquelas que se sentem como murros na boca do estômago e que fazem saltar água com sal dos olhos. E turvam a vista e fazem-nos confundir a Tempestade de Chopin com as variações de Goldberg de Bach e provocam-nos rewinds a 64 rotações seguidos de forward a 0,2,  à velocidade da luz... and cry and tears et douleur et cinéma.

Não era um filme indiano, nem a rapariga era imensamente mais rica do que o rapaz, mas nunca casaram, tiveram um filho e o amor acabou.

É por ver filmes destes, que me turvam as vistas e encolhem as entranhas, que continuo a gostar, imensamente de cinema.