
Sou uma professora babosa.
Adoro despertar os meus “meninos”, como carinhosamente chamo aos meus alunos, para as questões científicas do quotidiano; levá-los a relacionar factos, formular hipóteses, enfim… Acordar aquelas mentes, ainda em construção, para a beleza da ciência, onde tudo encaixa na perfeição, onde tudo é causa e, simultâneamente, consequência.
Não raras vezes, tento confundi-los, ao tentar expor um determinado conteúdo (já sei que a palavra caiu em desuso…), provocar autênticas “brainstorming” que os deixam perfeitamente alucinados e ao mesmo tempo apaixonados pela descoberta.
Bombardeio-os com perguntas, aparentemente sem nexo, mas com o objectivo de os fazer pensar, reflectir, formular hipóteses e chegar a conclusões. Afinal não era assim tão sem nexo… ao fim e ao cabo, faz sentido…
E eles já se habituaram. Eles próprios tomam a iniciativa e questionam-me sobre o AVC que afectou um membro da família, ou os princípios da hemodiálise que o vizinho tem de fazer ou ainda sobre o porquê do pulmão direito ser diferente do esquerdo. Por vezes, dou por mim a falar na teoria da deriva dos continentes e a pedir-lhes provas que suportem essa teoria.
Mas hoje aconteceu algo diferente.
Hoje um aluno disse-me “Professora, posso fazer uma pergunta de Ciências mas que não está relacionada com a matéria que estamos a dar?”
“Claro, sabem que estão à vontade, se eu souber responder…”
“Professora, a alma tem peso?”
Ups… inspirei fundo, bem fundo, até às profundezas da “alma” e respondi “O que é a alma?” “Existe alma? Sob o ponto de vista religioso existe, sim. É algo de etéreo, invisível, sem peso, sem forma. Mas sob o ponto de vista científico será que existe alma?”
Respirei ainda mais fundo e continuei. “ Vocês sabem que por vezes a ciência choca com a religião. Vocês ouvem dizer que Deus criou o homem e a mulher, todos os animais e o mundo. Mas a Ciência contradiz tudo isso, com a Teoria da Evolução das Espécies. Religião e Ciência nem sempre estão de acordo.”
E por aqui fiquei. Considerei que estava a entrar num campo ingrato, ousar substituir a formação religiosa que só aos pais diz respeito decidir, colocar em causa o que pode ser para alguns uma verdade sagrada.
Senti o “peso” da limitação do professor. Reconheci que as “minhas” ciências, por vezes, podem ser feitas de verdades inconvenientes. Percebi que ser professora não me confere o direito de os confrontar com as verdades absolutas dos axiomas, substimando as crenças omnipotentes da religião.
Constrangedor, no mínimo…
Adoro despertar os meus “meninos”, como carinhosamente chamo aos meus alunos, para as questões científicas do quotidiano; levá-los a relacionar factos, formular hipóteses, enfim… Acordar aquelas mentes, ainda em construção, para a beleza da ciência, onde tudo encaixa na perfeição, onde tudo é causa e, simultâneamente, consequência.
Não raras vezes, tento confundi-los, ao tentar expor um determinado conteúdo (já sei que a palavra caiu em desuso…), provocar autênticas “brainstorming” que os deixam perfeitamente alucinados e ao mesmo tempo apaixonados pela descoberta.
Bombardeio-os com perguntas, aparentemente sem nexo, mas com o objectivo de os fazer pensar, reflectir, formular hipóteses e chegar a conclusões. Afinal não era assim tão sem nexo… ao fim e ao cabo, faz sentido…
E eles já se habituaram. Eles próprios tomam a iniciativa e questionam-me sobre o AVC que afectou um membro da família, ou os princípios da hemodiálise que o vizinho tem de fazer ou ainda sobre o porquê do pulmão direito ser diferente do esquerdo. Por vezes, dou por mim a falar na teoria da deriva dos continentes e a pedir-lhes provas que suportem essa teoria.
Mas hoje aconteceu algo diferente.
Hoje um aluno disse-me “Professora, posso fazer uma pergunta de Ciências mas que não está relacionada com a matéria que estamos a dar?”
“Claro, sabem que estão à vontade, se eu souber responder…”
“Professora, a alma tem peso?”
Ups… inspirei fundo, bem fundo, até às profundezas da “alma” e respondi “O que é a alma?” “Existe alma? Sob o ponto de vista religioso existe, sim. É algo de etéreo, invisível, sem peso, sem forma. Mas sob o ponto de vista científico será que existe alma?”
Respirei ainda mais fundo e continuei. “ Vocês sabem que por vezes a ciência choca com a religião. Vocês ouvem dizer que Deus criou o homem e a mulher, todos os animais e o mundo. Mas a Ciência contradiz tudo isso, com a Teoria da Evolução das Espécies. Religião e Ciência nem sempre estão de acordo.”
E por aqui fiquei. Considerei que estava a entrar num campo ingrato, ousar substituir a formação religiosa que só aos pais diz respeito decidir, colocar em causa o que pode ser para alguns uma verdade sagrada.
Senti o “peso” da limitação do professor. Reconheci que as “minhas” ciências, por vezes, podem ser feitas de verdades inconvenientes. Percebi que ser professora não me confere o direito de os confrontar com as verdades absolutas dos axiomas, substimando as crenças omnipotentes da religião.
Constrangedor, no mínimo…









