by Ana

Um espaço para partilhar as "tolices" de cada dia, de uma forma descontraída, descomprometida e com algum sentido de humor. Only that.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Ainda o prazer da taquicardia



Continuando o desafio da Teresa, e porque não há amor, amor (com taquicardia) que não tenha uma música, deixo-vos com o Freddy.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

O prazer da taquicardia

O que a minha amiga Teresa do blog "Os meus óculos do mundo" se haveria de lembrar...,  a quinzena do amor.
Bom, querida Teresa, como comentei lá nos teus "Óculos", para mim ainda níngúem conseguiu definir tão bem esse contentamento desconcertante quanto este, com estas palavras:

Amor é fogo que arde sem se ver;

É ferida que dói e não se sente;

É um contentamento descontente;

É dor que desatina sem doer;



É um não querer mais que bem querer;

É solitário andar por entre a gente;

É nunca contentar-se de contente;

É cuidar que se ganha em se perder;



É querer estar preso por vontade;

É servir a quem vence, o vencedor;

É ter com quem nos mata lealdade.



Mas como causar pode seu favor

Nos corações humanos amizade,

Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Luís Vaz de Camões



terça-feira, 24 de janeiro de 2012

O meu amigo novo

Embora não pareça sou uma pessoa pouco dada a novas amizades. Gosto de rir, de brincar, mas isto de amizades, amizades a sério, daquelas que entranham o nosso coração e dominam o nosso pensamento, tem muito que se lhe diga. Poucas, mas boas e escolhidas a dedo.Sobretudo discretas, nada de espalhafatos, de encrencas, de talk-shows, de big brothers,...
Mas reconheço que até aqui a idade tem os seus truques e faz das suas partidinhas.
Ontem, foi dia se Santo Ordenado, dia de pôr as contas em dia, pois, mesmo não sendo eu PR, o meu salário é do tipo "ejaculação precoce": ainda agora entrou e já acabou. Dia santo, cumpri a solene tradição e lá me dirigi à caixa MB do Fórum, munida das papeladas das contas mensais para colocar em dia e zás. Uma, duas... à terceira foi a vez do carregamento do telemóvel.
Digitava 91 quando o meu amigo novo começou a matraquear-me uns números 63, 86, ... Às tantas, mensagem da ATM: referência inválida (valha-nos a Vodafone ser honesta!)
Ok, second round, recomeço, insiro cartão, pin do cartão,  91 e começa outra vez o meu amigo, agora em sequências de 3 algarismos, enquanto eu digitava, ele buzinava-me 663, 839, e a ATM: referência inválida!
Ai a chatice! Olho para trás, disfarço um sorriso e entre dentes explico, para a fila,  que se trata de um problema com o número do telemóvel. Eis que o terceiro cavalheiro, já grisalho, que deveria querer ser meu amigo também, propõe logo a solução: "a Srª telefone aqui para o meu topo de gama da quinta geração que acusa o seu nº e ficamos todos com o problema resolvido" (e ele com o meu nº para poder ser meu amigo, ora bem...)
Lá lhe explico que o meu plano de carregamento é daquelas coisas extraordinariamente mirabolantes para roubar dinheiro legalmente e à descarada e que, embora seja das poucas coisas na minha conta corrente que tenha um saldo largamente positivo ao fim do mês, quando chega ao dia do Santo, ou carrego ou a Vodafone corta-lhe o pio. Finish. No parla più.
Assim, puxo do dito, percorro a agenda nos A, à procura de uma Ana que me soasse a EU, mas Anas há muitas, nenhuma era EU. Tv em E de EU, mas nada, rien de rien. Lembrei-me então de V, de Vodafone. Rapidamente dei um pulo ao fim da lista, mas nos V, só um Veneno Branco, também 91 e que, diga-se de passagem, com este nome não pode interessar a ninguém!
E a fila crescia, crescia, mas eu sem telemóvel, não podia ficar. E o meu amigo continuava... é 91 663, não, 9163389...
Pego na minha moleskyne, onde tenho as passwords da escola para a direção de turma - justificação de faltas-, para a direção de turma - níveis-, para os níveis de professora, sem ser diretora de turma, para as impressões e fotocópias, para os sumários, os nibs das contas bancárias dos meus três filhos - para as transferências urgentes às três da madrugada- , as datas de nascimento dos meus namoricos todos, pois não quero esquecer estas coisas, e procuro, avidamente, um EU  Vodafone. NADA!
Às duas por três, olho para os olhos dos outros que já não queriam ser meus amigos, para as mãos nas ancas das senhoras que nunca pensaram ser minhas amigas e fui à Vodafone.
Lá chegada, viro-me para o meu amigo novo e disse-lhe:
"Oh Alzheimer, diz lá agora qual é o nº do meu telemóvel que a ATM não aceita"

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

O acordo tripartido e o meu avô João

O meu avô nasceu nos princípios de 1897, chamou-se João e, definitivamente, não era cobarde.
O meu avô João contava-me histórias, passadas em dois séculos diferentes, desde que eu tenho memória de mim. 
Contou-me a história da Aldegalega (que hoje se chama Montijo), mas também a história da vida dele, dos tempos em que ainda quase não havia carros e por isso ele tornou-se um carroceiro de renome. E a conduzir a sua carroça o conheci, toda a vida. Não porque as Novas Oportunidades da altura não lhe tivessem validado os seus conhecimentos de código da estrada e controle de freio, mas por que ele assim o entendeu.
O meu avô João tinha 20 anos quando teve a coragem de desertar das fileiras do Corpo Expedicionário Português e assim, talvez, escapar à fileira da morte na batalha de La Lys.
Ao que ele não conseguiu escapar foi ao que se seguiu nos vinte anos seguintes e, diga-se de passagem, constituiu o melhor repertório de histórias que eu alguma vez já ouvi.
A sua condição de desertor, à época, obrigou-o a viver até aos 40 anos nesta minúscula Aldegalega de uma forma que em tudo se assemelhava ao modo como eu ouvia os meus professores de história descreverem a época feudal e as relações entre o senhores feudais e o seus servos.
Não falando da vida privada, pois é aqui que entra uma Elvira que até o Corpo Expedicionário era capaz de empurrar com a barriga, as relações laborais durante aqueles vinte anos resumiam-se ao que o patrão queria, quando queria, como queria.
"E quando fui apanhado a roubar um morango do morangueiro, para comer, descontou-me a semanada."
"Oh avô, e o que é que tu fazias?"
"Viviamos numa ditadura, Tininha e eu era um desertor. Nada podia fazer."
Ontem, ao ler as gordas do acordo tripartido, lembrei-me do meu avô que se chamou João, nasceu em 1897 e não era cobarde, da ditadura e dos desertores.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

A evitar

Há  coisas que não podemos evitar...
Não podemos evitar pertencer à família em que nascemos;
Não podemos evitar gramar o governo e o pr que a maioria de entre a minoria dos tugas que foram às urnas escolheu por bem votar;
Não podemos evitar conviver para o resto da nossa vida com a cicatriz daquela borbulha chata que ficou como marca da passagem pela adolescência;
Não podemos evitar sentirmo-nos gregos, embora tenham sido os romanos, os franceses, os ingleses que por cá andaram;
Não podemos evitar o desdém de estimação por aquela equipa treinada por um que se diz Jesus, quando a nossa religião é o budismo;
Não podemos evitar  sentir simpatia por o Real Madrid, pois o que é português é bom e o CR7 mais o Mourinho são a nossa imagem de marca, apesar do pertuguês de um e da arrogância do outro;
Não podemos evitar a pandemia do facebook, num pack multusos dois em um de cusquice + auto promoção;
E, como dizia o outro, não podemos evitar que os pássaros voem por cima das nossas cabeças. Mas podemos evitar que façam ninhos no nosso cabelo. Bastará penteá-los, com afinco. (isto digo eu, claro).

sábado, 24 de dezembro de 2011

Natalite

No Natal de 1985, Elvira já viúva de um casamento que nunca havia celebrado, cansada da luta de uma vida feita de ganhar guerras e perder batalhas, deixou-se vencer pela batalha nostálgica a que chamam magia do Natal.
Certamente, o seu único filho que durante o ano a ia visitando a espaços, passaria lá umas horas antes da consoada, levaria até casa, partilhariam o fiel bacalhau e zás pás trás, à meia noite estaria tudo acabado, pois que o menino já nasceu, a meia noite  marca o tempo e esse dita o calendário e o Natal acabava assim.
Naquele ano, o tempo trocou-lhe as voltas e antes de ter tempo para pensar no bacalhau do Natal e nas filhós da sobremesa, a cabeça começou a andar a roda que nem a lotaria santa. Hoje tropeçava aqui, amanhã ali, depois acolá...
Um dia o tropeção foi tão grande que ficou de boca à banda, como o povo costumava dizer. Repararam então que havia tido uma sucessão de pequenos AVC's, tudo por conta da ansiedade do bacalhau...ou das filhós, ou seja, dele, do Natal.
Valeu, naqueles idos, a medicina já estar suficientemente avançada para lhe permitir o regresso a casa a tempo de a sentar à mesa no dia do bacalhau, não fosse, horas antes do fiel ser servido, a grande lutadora que eu sempre conheci ter revertido o seu estado clínico por completo, e do aperto do coração a crise passou para a largueza dos pulmões, em toda a sua plenitude.
Era mesmo uma declaração de guerra à confraternização cínica, hipócrita e fingida da época. Uma declaração de guerra profunda, visceral, para a qual as palavras lhe faltavam, mas que se podia ler no verde magnético dos seus olhos, nas altas febre que fez os doutores lhe diagnosticarem, sem demoras e margens para dúvidas, a doença de que Elvira padecia: natalite.
E de natalite ficou internada.
De complicações e efeitos secundários de muitas natalites mal tratadas viria a falecer, no mesmo hospital, um mês e três dias depois, antes, pois, que a pascoelite, pudesse agravar ainda mais agonia.
Feliz Natal, Elvira.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Obrigada Pai Natal!!

Ainda ontem escrevi uma carta toda laroca para ti, onde esgrimi o melhor que pude e soube os meus argumentos. Pedi uma prendinha simples e que para além de ser quase um desígnio nacional é uma prenda que fácil, fácil, fácil de conseguir.
Hoje, depois de terminar as reuniões avaliação de Natal, nas quais distribui sorrisos, cincos, quatros, elogios e água benta com fartura, nas mesmas em que rapei um frio de rachar os ossinhos todos, o que é que me ofereces, hem?????
Hem??? Diz lá, vá, confessa lá!!!
Conta lá a curva reta que eu fiz quando a direção assistida do meu carro resolveu fazer boicote aos movimentos circulares desesperados dos meus frágeis braços!!
Conta lá como é que conseguiste que o volante do meu carro, de um momento para o outro, em plena curva, me deixasse de obedecer e fosse direitinho contra o passeio do lado oposto da estrada!
Foi obra do Coelhinho, foi?? Estás feito com ele? Só podes!!
Já não há liberdade de expressão neste país? Já nem ao Pai Natal se pode fazer um desabafo, sem que as forças da opressão se manifestem, logo da forma mais ignóbil possível? 
Deus Nosso Senhor é Grande e não dorme!! Vais ver o que é as renas não obedecerem ao freio/bridão e ires direitinho ao equador!! 



Carta ao Pai Natal

Pai Natal,

Sou uma professora crescida e bem comportada.
Já fui tudo e mais alguma coisa na escola. Professora provisória, Quadro de Zona Pedagógica, Professora normalzinha, Professora Titular, Presidente do Conselho Diretivo, de Comissão Executiva Instaladora, de Conselho Executivo,  do Conselho Pedagógico. Diretora de Turma (o que gosto muito, para bué estranheza do pessoal), Delegada de Grupo, Coordenadora de Departamento. 
Já contei cadeiras, arrumei mesas, cortei fitas, escrevi ofícios, varri o polivalente, instaurei e instruí processos disciplinares, planifiquei aulinhas, dirigi reuniões, fui ao circo, elaborei PCTs, codifiquei provas de aferição, escolhi manuais escolares, adaptei currículos e readaptei as adaptações dos mesmos, escrevi atas, vigiei exames, validei concursos, pesquisei recursos educativos, etc...
Pai Natal, encara o que te venho pedir como um "dois em um". 
É um truque apenas, um truque de Natal, como só tu podes e sabes fazer e que terá um efeito multiplicador que te poupará as energias para Itália, Grécia e com algum jeito, ainda, Espanha.
É simples, além de ser uma velha e tradicional receita tua. Como prenda para este Natal, gostaria que pegasses no Coelhinho e fosses no comboio com ele o os outros Palhaços ao circo (romano), mas não os tragas de volta. Eles são fãs da imigração.

Um beijinho de uma professora bem comportada.



quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

E já são DOIS!!

Depois de publicar o post "Habemus Papam" reparei na data: 1 de dezembro... 1 de dezembro é a data de aniversário do SHE.
Pois é, há dois anos atrás, enquanto se comemorava, com pompa e circunstância, os não sei quantos anos de uma data que agora estão interessados em deixar cair no esquecimento, estava eu a dar os primeiros passos nestas artes "netísticas".
Confesso que tenho tidos altos e baixos, agora mais baixos do que altos, mas o objetivo mantém-se. É o meu diário de bordo, para quando há bordo, quando há maré.